quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ideais de direita e a legitimação da ganância

O golpe de 2016 serviu para nos revelar muitas más notícias e eliminar o mito de progresso humano que estávamos associando ao século XXI. A ideologia mística que ganhou nome de "Nova Era" (New Age) foi soterrada de vez e vemos agora muitas das conquistas do século XX sendo totalmente descartadas num assustador retrocesso que traz de volta, em versão remixada e remasterizada, todo o primitivismo dos tempos mais sombrios da humanidade.

Descobriu-se também que a maior mazela da humanidade é a ganância. Todas as ideologias que pregam a limitação de direitos e o extermínio de outras pessoas tem como base a ganância, embora esta palavra seja propositadamente evitada, para que a vilania não seja explicitada.

Claro que o papo agora é de dizer que a corrupção é a maior mazela. Mas o que seria da corrupção sem a ganância. A conversa da corrupção me parece desvio de foco, pois ninguém sabe exatamente o que significa corrupção, sabendo apenas da negatividade de sua carga semântica. Na verdade, a corrupção é filha da ganância, assim como tantas mazelas que desunem pessoas e dão origem a delitos e crimes.

Direitismo, a legitimação da ganância

O crescimento dos ideais de direita e extrema direita, que deveriam ter desaparecido da face da Terra, comprovam que a legitimação da ganância está mais viva de que nunca. A ganância é a base de todas as ideologias de direita, pois estas tratam a vida como uma competição pela sobrevivência e pessoas "superiores" como "vencedoras" desta "competição".

Curiosamente, em tempos de crise gigantesca, quando bens ameaçam a se tornar escassos, ideais de direita ressurgem para que pessoas possam brigar entre si pelos poucos bens disponíveis. A crise de 2008 desenterrou vários fantasmas e até mesmo os zumbis da extrema direita abandonaram as suas tumbas e ameaçam a humanidade para que os bens possam ser exclusivos para seus seguidores.

Sabe-se que o egoísmo faz parte do instinto humano e superá-lo é o nosso maior desafio. Do contrário que as religiões dizem, o altruísmo não é uma característica natural do ser humano. O altruísmo deve ser desenvolvido com a evolução da humanidade. Altruísmo exige esforço, maior racionalidade, compaixão e abnegação.

Mas a direita, que nunca foi muito racional, a não ser de forma superficial, não quer saber de esforço para si. A "luta" que os direitistas preferem é a literal, aquela que possa eliminar de seu caminho aqueles que julgam ser seus adversários. A abnegação chega a ser considerada uma ofensa na opinião dos vários direitistas.

Interessante lembrar que a direita inclui a religiosidade, que contraditoriamente faz menções ao altruísmo. Mas o que pode acontecer é que a religiosidade atue como uma capa de bondade em corações indispostos a beneficiar os outros, servindo mais de um rótulo positivo a despertar a confiança de outras pessoas para que os direitistas possam obter benefícios.

Infelizmente a direita está aí de volta, fazendo grandes estragos. Resta saber que tipo de futuro teremos sob o comando dessa gente gananciosa que se acha melhor do que a humanidade, mas é capaz de atos de ignorância de envergonhar o mais atrasado troglodita da Idade da Pedra.

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