segunda-feira, 12 de junho de 2017

A maioria dos casais se une por confiança e não por afeto

A sociedade em geral é meio burra. O golpe mostrou isso. Estamos muito mais atrasados como seres humanos do que pensávamos e ainda somos animais aprendendo a raciocinar, a ser humanos. Por isso que apelar para a pieguice e nos prendermos a estereótipos ainda são cacoetes bem comuns em nosso cotidiano.

Isso ajuda a explicar a nossa mania de acharmos que todos os casais se atraem por amor. Amor é uma palavra linda, mas que para muitos define algo que não sabemos. Não sabemos, mas adoramos. Curioso que gostamos de tudo que nos parece positivo mesmo sem saber o seu real sentido.

Amor, na verdade, é sinônimo de altruísmo. E não cansamos de ver casais que se unem por intenções estranhas, que durante o cotidiano do relacionamento acabam descobrindo que do contrário que pensavam, os cônjuges se detestam. Mesmo se detestando, preservam seus relacionamentos por interesses materiais, dependência financeira ou para agradar a amigos e contatos sociais.

Na melhor das hipóteses, em casais mais exemplares, o que se nota é que o principal fatos de agregação é a confiança. Não é nada romântico dizer isso, o que pode decepcionar as pessoas que sonham com contos de fada realizados.

O afeto, o verdadeiro nome que se dá ao que muitos chamam de "amor", normalmente vem depois, quando conquistamos a confiança mútua e descobrimos que aquela pessoa corresponde, senão em todas, o que seria impossível, em grande parte de nossas expectativas.

Devemos nos amadurecer e entender que não existem contos de fada. Ninguém se une por amor. Os casais mais honestos se unem pela confiança. O afeto é apenas um ingrediente do cotidiano.

A piegas apego que nos faz sonhar com relacionamentos de contos de fadas mostra que ainda somos bastante infantis, homens e também mulheres. Enquanto não crescermos, vamos esperar que relacionamentos funcionam da forma em que eles não te condições de funcionar. Aí, muitos relacionamentos vão para o buraco e todos vivem infelizes para sempre.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Como conservadores enxergam os pobres

Os que achavam que os tempos iriam melhorar no século XXI, podem tirar o cavalinho de chuva. O neoconservadorismo desenterrou muitos fantasmas ideológicos e se espalham pelas cidades zumbis conservadores interessados em limitar a felicidade, o bem estar e a dignidade a eles e a seus assemelhados. Mesmo os que posam de bondosos se enxergam como uma espécie superior e sua noção de caridade pouco difere ao tipo de amor que sentem por um animal de estimação.

Sim, porque conservadores só entendem como "seres humanos" as classes que vão da média alta para cima. E olhe lá, pois se algum integrante dessas classes apoiar as classes inferiores, é imediatamente jogado nelas e tratado como tal.

Conservadores consideram a vida como uma competição e o direito a sobrevivência e outros derivados como um "prêmio" por ter vencido esta "competição". É um pensamento tosco, que compreensível nas mais rudimentares espécies animais, mas perde o sentido na (que deveria ser) racional espécie humana.

Essa gente retrógrada acha que que a renda e benefícios não podem ser repartidos por serem "prêmios" conquistados pelas classes dominadoras, que no entender deles são os "vencedores" da chamada "luta pela sobrevivência". O resto da sociedade que aceite a sua derrota e viva em condições precárias ou "lute" (com as regras e condições impostas pelos "vencedores") se quiser sair de sua condição indigna.

A solidariedade conservadora 

Mas existe o conceito conservador de "solidariedade", que não mexe nos privilégios dos "vencedores". Ela é observada em instituições de caridade, ONGs e consagrada pelas religiões. Seus defensores a consideram transformadora, embora seus resultados sejam pífios É uma caridade que serve como consolação do que como uma solução para eliminar problemas.

Comparo este tipo de caridade com o que é feito com animais de estimação. Ninguém dá aos seus animais - a não ser que tenha algum tipo de loucura - o mesmo que come quando senta à mesa. Animais sempre tem benefícios bem inferiores aos de seus donos. O povo pobre, visto como "sub-humano" também.

É só observar as cestas básicas entregues a pobres em festas de exibição de caridade. Boa parte dos produtos incluídos nelas são de qualidade inferior e não raramente os doadores nem verificam se estão no prazo ou se estão estragadas, com algum bicho estranho passeando dentro das embalagens.

Não há o empenho de conservadores em lutar por leis que melhorem as condições dos mais humildes, tirando-os de suas situações indignas. A caridade conservadora - que é a tradicionalmente aceita pelo senso comum - deve confortar os pobres, mas devem mantê-los em suas condições sub-humanas, como se essas condições fossem inerentes ao estilo de vida das classes mais pobres.

Pior que há progressistas com boa-fé que acreditam nesta caridade paliativa, pensando ser elas capazes de tirar um pobre de sua condição. Nada disso. A caridade paliativa serve para que os "caridosos" pareçam bondosos diante da opinião pública e também um meio de calar o povo pobre, que terá que se contentar com o benefício escasso que chega a suas mãos.

Por isso que é o tipo de solidariedade esperada pelos conservadores. "Não se dá a 'cães' o mesmo benefício que se dá a si mesmos": é o que sempre pensou essa elite egoísta, que vê a vida como "competição", "privilegiados" como vencedores e desgraçados como sub-humanos. Esta é a paz que os "sábios e "responsáveis" integrantes de nossa ignorante elite querem para toda a sociedade brasileira.