quinta-feira, 4 de maio de 2017

Porque as pessoas preferem o assistencialismo do que um altruísmo mais eficiente?

O egoísmo pertence a natureza humana. Faz parte do instinto de sobrevivência animal o fato de querermos que o outro se ferre para não nos ferrar. O altruísmo não é instintivo e sim algo que devemos desenvolver. E não desenvolvemos.

Mas parecer altruísta diante de olhos alheios tem as suas vantagens. Pessoas gostam de admirar pessoas que são boas. Mesmo as pessoas que são egoístas gostam de ver outras (não elas) fazendo caridade. Mas a caridade tem o seu limite, pois egoístas não gostam de ceder seus benefícios a outrem.

A caridade aprovada pelo senso comum não deve incomodar os gananciosos. Até aprendermos a ser gente de verdade, continuamos acreditando que há pessoas que tem o "direito" de serem gananciosas, como os mais ricos, sobretudo empresários e celebridades.

Agora quando se tenta por em prática o verdadeiro altruísmo, como fazem os ativistas e políticos da linha progressista, tende-se a criminalizar. Os gananciosos que eu citei, com medo de ter que perder seus privilégios, se incomodam com a verdadeira caridade porque ela, para repartir, tem que tirar o excesso dos privilegiados. E para quem é ganancioso, excesso não é excesso, é direito legitimado.

A tendência do senso comum é admirar a caridade quando ela não transforma, não muda. Sopinhas sendo distribuídas. Cestas básicas, agasalhos. Ricos jogando futebol com jovens pobres. Cursos profissionalizantes para trabalhar em chãos de fábrica. Curioso que não se vê cursos profissionalizantes de Administração ou algum cargo de liderança para pobres. Ter um líder vindo das periferias incomoda as elites (não é, anti-petistas?). Tudo a ver com a lógica egoística dos gananciosos privilegiados.

Acredito que é justamente por não mexer nos privilégios dos gananciosos e nem mexer com as estruturas de poder que a caridade conhecida como assistencialismo e que é tradicionalmente feita por ONGs de vários tipos e por instituições religiosas é muito mais aceito pela sociedade do que o ativismo social que estimula o senso crítico e a política social que muda as leis para que as desigualdades desapareçam.

Acabar com as desigualdades é algo que não agrada às elites. Mas mesmo avessas ao fim das desigualdades, é necessário apoiar algum tipo de atitude altruística para que se possa ter uma imagem de bondade e ganhar a confiança alheia nem que seja para arrancar mais dinheiro de outras pessoas.

Para isso que serve a caridade paliativa: o pobre fica calado com a parca ajuda recebida, a elite finge ser altruísta e o sistema continua como está, com as eternas desigualdades que nunca são resolvidas.

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