terça-feira, 23 de maio de 2017

Conservadores odeiam seres humanos. É preciso estarmos cientes disso

É preciso pararmos de sermos ingênuos com esta onda de neo-conservadorismo que há hoje não somente no Brasil, como no mundo. Conservadores não estão pedindo um mundo melhor, do contrario que isso apareça em seus discursos. Isso é papo. Na verdade, os conservadores estão, além de preocupados com a crise que limita sua ganância, com as mudanças de valores sociais que podem arruinar com as suas convicções e com seus privilégios.

Apesar de se auto-rotularem com o pomposo nome de  "cidadãos de bem", que dá um caráter nobre às suas reivindicações, eles nada tem de nobre (fora a gorda conta bancária de alguns deles|). Apesar de se considerarem como "do bem", eles não cansam de demonstrar seu ódio e de desejar o prejuízo das pessoas que atrapalham seus planos gananciosos. 

É impossível considerar alguém como "do bem" se este mesmo alguém reserva o bem estar a poucos ("direitos humanos para humanos direitos", é o que dizem, deixando claro que os "humanos direitos" são apenas os odiosos conservadores e os que os apoiam) e o prejuízo de muitos.

Os conservadores, na malandragem de fingir que não são cruéis, justificam seu ódio e sadismo como uma forma de "defesa" contra seus discordantes. Eles inventam que progressistas é que são pessoas do mal e que representam uma ameaça séria à "sociedade de bem" composta apenas pelos próprios conservadores. É na verdade uma troca de valores, onde o vilão exige punição ao mocinho, porque o mocinho "pode fazer maldades".

"Bom é quem quer tudo para si. Altruístas são do mal: devem ser eliminados"

Interessante esta inversão de valores. O ganancioso que quer tudo para si e sonha com a sociedade inteira tendo as mesmas convicções que ele, pode ser considerado bondoso. Enquanto que uma pessoa que deseja o bem a toda a humanidade (incluindo os conservadores, acredite), sem distinções, é considerada má, perversa e deve ser eliminada da sociedade. Por incrível que pareça, é este conceito de bondade versus maldade que existe na cabeça de qualquer conservador.

Na verdade, conservadores odeiam seres humanos. Mesmo sem declarar de maneira explícita, sempre deixaram claro este fato. Para conservadores, o que interessa são valores (convicções), patrimônio (bens e dinheiro) e instituições (pátria, família, religiões, etc.). As pessoas que respeitarem estas três coisas serão respeitadas. As que atrapalharem os planos de conservação destas três coisas, devem ser eliminadas, por punições, ou por prisões e se possível com a morte.

Infelizmente, estamos regredindo não apenas no cotidiano. Mas em nossas mentes, também regredimos, recuperando nosso instinto de barbárie. O neo-conservadorismo mostra que ainda não aprendemos a amar o próximo. Se esconder na capa de "cidadão de bem" não ajuda a melhorar nada. Pelo contrário, serve para vestir lobos com pele de carneiro. 

A humanidade só perde com o neo-conservadorismo. Conservadores detestam pessoas. Conservadores detestam o progresso.

domingo, 14 de maio de 2017

A legitimação da ganância

Tenha a absoluta certeza. O golpe ocorrido em 2016 e que acabou com a democracia teve como principal motor a ganância dos homens mais ricos instalados no país. Se achando mais do que os outros e no direito de mandar até na política brasileira, inventaram que seus opositores eram "corruptos" através de uma bem sucedida campanha publicitária, para poder colocar os representantes deles no poder e resultar nesta imoralidade que vemos hoje.

Se queriam um resumo sobre como foi o golpe, acabei de dar uma boa descrição. O que deve se observar é que o que houve foi uma ação dos gananciosos na defesa do "direito" de ser melhor que os outros e portanto ter mais do que os outros. 

Com aquela falácia de "trabalhei para isso", tentam convencer a população de mal informados de que é legítimo para certas pessoas ter mais que os outros. Mas todos esquecem que os homens mais ricos do país enriqueceram não por trabalho, mas por herança, por aplicações em bolsas de valores e, infelizmente em vários casos, por corrupção. Até porque trabalho suado dá dinheiro, mas não gera gigantescas fortunas.

Os defensores dos sistemas de direita e conservadores em geral, pelo jeito, não consideram a ganância um defeito. Talvez achem que certas pessoas tem direito de serem gananciosas e de se intrometer em tudo. É triste saber que um grave defeito, altamente danoso, é legitimado e tratado como uma prerrogativa de uma determinada classe social.

Considero a legitimação da ganância, assim como a necessidade da existência de armas, uma prova de que ainda somos bem primitivos. Os que pensam viver numa sociedade avançada e com grandes mudanças, certamente não vive num mundo real. Vejo muitos dos instintos animais não somente na personalidade das pessoas, mas em importantes pontos incluídos no senso comum. A ganância é um destes instintos.

Nunca foi tão bom sermos egoístas como agora. Ainda temos que aprender a viver na coletividade.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Polarização tem o objetivo de desunir os brasileiros e impedir melhorias reais para o Brasil

O Brasil vive um período triste na sociedade brasileira. A polarização política desenterrou o conflito de classes existente, mas nunca assumido em nossa sociedade, estigmatizada como cordial, pacífica e afetuosa. 

De um lado, os chamados "coxinhas", defensores das classes dominantes. De outro, os "mortadelas", "petralhas" ou coisa parecida, defensores das classes populares. De nenhum lado, os que querem que toda a sociedade brasileira entre em um acordo, que procure beneficiar o maior número de pessoas. Vivemos em uma guerra civil ainda não-declarada.

Para as classes dominantes, é muito bom que a sociedade brasileira esteja polarizada. Isso impede que a população se una e combata os problemas reais do país. Mantendo a população desunida, impede-se de ver milhões de pessoas invadindo sede de empresas, congresso, sede de governos, etc. As lideranças se sentem tranquilas com a desunião da população, que ficará bem ocupada arrancando os cabelos uns dos outros, enquanto os líderes continuam à vontade impondo suas decisões gananciosas.

Ninguém está preocupado com o progresso da sociedade brasileira. Pelo contrário. Por motivos ideológicos, na tentativa idiota de defender um dos lados, lança-se mão até de retrocessos, pois o que importa é derrotar o lado oposto. Mas ninguém se senta em frente diante do outro para ouvir as partes e negociar uma melhoria que seja para toda a população. 

Ao invés disso, tomam atitudes que servem mais para exaltar o lado do qual pertencem. Direitistas exaltando e legitimando a ganância, enquanto esquerdistas fazendo apologia às drogas e estimulando para que as mulheres vendam seus corpos. Interessante que os dois lados preferem defender erros do que propor acertos, saindo no pau um contra o outro enquanto o país se afunda, com a população junto.

Ficou praticamente impossível conversar pacificamente sobre política com as pessoas. cada um interessado em defender o seu lado e atacar o outro. Até as críticas feitas a políticos comprovadamente errados são feitas de forma subjetiva, usando motivos moralistas do que técnicos. Por exemplo: criticar Aécio porque ele supostamente cheira pó e não por ser um político incompetente e corrupto.

O analfabetismo político e a confiança que a população ainda deposita na mídia oficial - controlada e patrocinada por magnatas interessados em arruinar o país - tem desunido a população. Até que o diálogo comece a dar sinais de que quer aparecer, ainda vamos continuar nos xingando, cada u desejando que políticos e o país sejam como cada um quer, mesmo que se tornem nocivos a boa parte da população. Mas quem defende apenas o seu lado, pouco está se lixando para o outro. 

"Farinha pouca, o meu pirão, primeiro!": este deveria ser a nova frase a ser escrita na bandeira do Brasil.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Porque as pessoas preferem o assistencialismo do que um altruísmo mais eficiente?

O egoísmo pertence a natureza humana. Faz parte do instinto de sobrevivência animal o fato de querermos que o outro se ferre para não nos ferrar. O altruísmo não é instintivo e sim algo que devemos desenvolver. E não desenvolvemos.

Mas parecer altruísta diante de olhos alheios tem as suas vantagens. Pessoas gostam de admirar pessoas que são boas. Mesmo as pessoas que são egoístas gostam de ver outras (não elas) fazendo caridade. Mas a caridade tem o seu limite, pois egoístas não gostam de ceder seus benefícios a outrem.

A caridade aprovada pelo senso comum não deve incomodar os gananciosos. Até aprendermos a ser gente de verdade, continuamos acreditando que há pessoas que tem o "direito" de serem gananciosas, como os mais ricos, sobretudo empresários e celebridades.

Agora quando se tenta por em prática o verdadeiro altruísmo, como fazem os ativistas e políticos da linha progressista, tende-se a criminalizar. Os gananciosos que eu citei, com medo de ter que perder seus privilégios, se incomodam com a verdadeira caridade porque ela, para repartir, tem que tirar o excesso dos privilegiados. E para quem é ganancioso, excesso não é excesso, é direito legitimado.

A tendência do senso comum é admirar a caridade quando ela não transforma, não muda. Sopinhas sendo distribuídas. Cestas básicas, agasalhos. Ricos jogando futebol com jovens pobres. Cursos profissionalizantes para trabalhar em chãos de fábrica. Curioso que não se vê cursos profissionalizantes de Administração ou algum cargo de liderança para pobres. Ter um líder vindo das periferias incomoda as elites (não é, anti-petistas?). Tudo a ver com a lógica egoística dos gananciosos privilegiados.

Acredito que é justamente por não mexer nos privilégios dos gananciosos e nem mexer com as estruturas de poder que a caridade conhecida como assistencialismo e que é tradicionalmente feita por ONGs de vários tipos e por instituições religiosas é muito mais aceito pela sociedade do que o ativismo social que estimula o senso crítico e a política social que muda as leis para que as desigualdades desapareçam.

Acabar com as desigualdades é algo que não agrada às elites. Mas mesmo avessas ao fim das desigualdades, é necessário apoiar algum tipo de atitude altruística para que se possa ter uma imagem de bondade e ganhar a confiança alheia nem que seja para arrancar mais dinheiro de outras pessoas.

Para isso que serve a caridade paliativa: o pobre fica calado com a parca ajuda recebida, a elite finge ser altruísta e o sistema continua como está, com as eternas desigualdades que nunca são resolvidas.