segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lugar marcado para paqueras

A sociedade brasileira adora regras. Dá a ilusão de organização. Onde não tem regras, sempre aparece um engraçadinho disposto a criar e outros mais engraçadinhos ainda a obedecer. E muitas dessas regras são criadas aleatoriamente, sem observar a sua necessidade, com a finalidade ou de criar obstáculos a obtenção de um direito, ou apenas para dar ilusão de organização mesmo.Uma dessas regras é a estipulação de lugares fixos para paqueras.

Ué, mas não vivem dizendo que no amor não existem regras? É, dizem. Mas só de brincadeirinha. Vocês não acham que em uma sociedade com a brasileira, que obedece rigorosamente mídia e tradições sociais, a vida afetiva ia ser deixada de fora nessa ditadura enrustida?

Mulher não paquera nas ruas

Seja por insegurança, seja pela facilidade em arrumar namorados em seus ambientes particulares, é notável que as mulheres não gostam de paquerar nas ruas. Isso é fato e muito observado.

Na verdade, as mulheres estipulam as regras de conquista. É uma espécie de filtro instintivo - ser humano não precisa disso, qualé? Temos raciocínio!), para eliminar a excessiva demanda masculina. Quanto mais atraente for a mulher, mais regras fará, para que apenas aquele que satisfaça todas as exigências  atravesse o tal "filtro".

Uma dessas exigências é o lugar fixo de paquera. As mulheres só dão mole ou tomam iniciativa em duas situações:
- Nos ambientes rotineiros onde elas possam conviver e/ou ver os pretendentes de maneira frequente
- Em lugares de festa tipo, bares, boates ou até mesmo em cursos de dança

O motivo disso ainda não está claro. Uns argumentam que elas fazem isso porque não se sentem seguras em paquerar em qualquer lugar. Outros, que a mulher precisa de um clima para desenvolver a atração afetiva. Outras simplesmente por metidice ("na rua só tem mané, só tem homem que não presta")

Estranho lembrar que para muitas mulheres um playboy embriagado é mais confiável para ser namorado/marido que um rapaz tímido sentado em uma biblioteca. Mais uma prova da complexidade feminina que ninguém ainda conseguiu entender e compreender.

De qualquer forma, isso prejudica os homens não interessados nas festas ou que não tenham a oportunidade de conviver diariamente com as mulheres interessantes. 

Mulheres prejudicadas pelas próprias regras que criam

Mas, por incrível que possa parecer, até mesmo as mulheres já começam ser prejudicadas com isso. Com o desinteresse de muitos homens por bares, boates, por verificarem o alto índice de futilidade nesses ambientes, as mulheres passaram a perceber uma redução na frequencia de homens nestes lugares. Como a "ficha ainda não caiu", pensam que está faltando homens. Não está.

Na verdade, os homens deixaram de frequentar esses ambientes. Uma pesquisa feita em uma comunidade de namoro no Orkut mostrou que é enorme o número de homens que evitam este tipo de lugar, muitos inclusive reclamando de bares, boates, etc. E as mulheres , que ainda não escolheram outra alternativa às duas opções citadas, acharam melhor manter o erro e reclamar publicamente da falta de homens, transformando numa espécie de "tradição-estereótipo".

E por essa manutenção dos erros, muita gente fica só, outros muitos se casam com as pessoas erradas e o amor se transforma numa palavra vazia a nomear uma utopia resultante da nossa imaturidade que ainda negamos em combater.

domingo, 16 de abril de 2017

Moralidade de 2000 anos atrás

Aproveito um feriado religioso, principalmente cristão, para fazer esta postagem. Porque ainda as pessoas continuam presas a estórias lindas mas surreais de 2000 anos atrás? Porque ainda recorremos à divindades bíblicas quando queremos tratar de moralidade e de resolução de nossos problemas? Somos incapazes de resolver as coisas com o que temos nos dias de hoje. E olha que temos muito mais recursos do que há 2000 anos atrás.

Gosto muito de comparar essa ania doente de recorrer à Bíblia ou ao Cristianismo para resolver problemas atuais com a iniciativa de resolver problemas do Windows 10 usando o manual de MS-DOS e seus "poderosos" disquetes de apenas 1 MB. Sabe o que é o MS-DOS? Talvez olhando estas imagens você possa se lembrar, ou para os mais novos, conhecer. 

Você resolveria os problemas do Windows 10 usando um manual de décadas atrás, sobre um sistema completamente diferente do atual? Se você não é capaz de fazer isso na informática, porque você insiste e fazer o mesmo com a moralidade? A sociedade de 2000 anos atrás era completamente diferente da nossa. E olha que boa parte dos livros cristãos, incluindo a Bíblia, se baseiam em ficções, o que agrava mais ainda o equívoco. 

Será que para sermos mais altruístas no dia de hoje, temos que entrar em uma máquina do tempo e ir para 2000 anos atrás para obter as respostas? Que loucura! 2000 anos atrás, com aqueles caras com panos no lugar de roupas, falando um vocabulário paupérrimo onde uma palavra só tinha cerca de mil significados (o Aramaico, idioma atribuído a Jesus), com hábitos e costumes completamente diferentes? É isso que queremos para nossas vidas? 

Não é coincidência que cristãos sejam conservadores: eles amam o passado. Gostariam que o mundo atual fosse igual ao passado. O único traço de modernidade que autorizam é o da evolução tecnológica, a das máquinas. O resto, se puder continuar o mesmo de 2000 anos atrás, melhor.

Não é difícil imaginar porque nossos problemas nunca acabam e porque estamos com os mesmos problemas, as mesmas injustiças e o mesmos hábitos mesquinhos que ainda continuamos a manter. Porque não enxergamos a realidade atual. Se algum problema aparece, fugimos deles e recorremos a 2000 anos atras, pedindo para que personagens de obras antigas, sem comprovação de existência real, resolvam por nós.

Não conseguimos nos livrar da mitológica religiosidade que no fundo se tornou nossa principal ilusão, zona de conforto e tipo de narcótico. Temos medo de nos livrar da religiosidade. Em pleno século XXI ainda queremos agir como no século I e isso cada vez mais se mostra nocivo. Queremos agradar seres que sequer sabemos - de forma concreta - que existiram. 

Por convenção social ou por submissão a lideranças, ainda queremos ser cristãos. Queremos que a moralidade seja a de 2000 anos atrás. Uma moralidade que só fazia sentido na época, há cerca de 2000 anos atrás. Queremos para hoje o que não faz mais sentido. 

Sinceramente se continuarmos com a tolice da religiosidade, acreditando em fábulas surreais, seres superpoderosos e um festival de absurdos e contradições, vamos continuar com uma moralidade falha, tosca e incompetente, preferindo respeitar surreais divindades d que respeitar o próximo, pois a menor discordância, é justamente dos cristaos que tem vindo as mais grotescas manifestações de ódio e intolerância contar justamente quem quer se situar no mundo real atual e não no suposto mundo de 2000 anos atrás, que embelezou lindos livros supostamente sagrados.


E aí, vamos insistir na mania de tentar resolver problemas do Windows 10 com manual do MS-DOS?

domingo, 9 de abril de 2017

O "direito" de ser melhor que os outros

O povo brasileiro não tem noções corretas de bondade, heroísmo e exemplo de vida. Trata religiosos, empresários e celebridades como se fossem benfeitores da humanidade e despreza os intelectuais que alertam a população para os erros e problemas corriqueiros e que por causa de nossa inércia, estimulada pela mídia e regras sociais, permanecem intactas e sem previsão de encerramento.

Para muitos, os "heróis" são na verdade pessoas que angariam simpatia por batalharem em prol do interesse próprio, servindo como exemplo de sucesso para a sociedade. São os "heróis de si mesmos": não salvam ninguém, não melhoram a sociedade, mas são os vencedores particulares desse sistema competitivo e e excludente.

Mas porque cultuar alguém ou algo que seja melhor que os outros? Não seria mais justo admirarmos alguém que colabore para que a sociedade seja cada vez mais igualitária? Porque admirarmos alguém que faz justamente o contrário, tomando para si os benefícios que deveriam ser repartidos igualmente entre as pessoas? Porque admirarmos alguém que colabora para que tudo permaneça como está, melhorando apenas através de paliativos que só resolvem por alguns instantes?

Todos querem vencer na vida. Mas parece que para a maioria, vencer, não é ter acesso a uma vida digna e sim, ser melhor que os outros. Aquele que consegue superar a maioria é ovacionado, amado, respeitado e tratado como uma espécie de semi-deus. São os faraós da modernidade, aqueles que ganharão o direito de opinar sobre tudo e tomas as rédeas da sociedade infantilizada, cada vez mais precisando de uma "babá" que lhes diga o que deve ser feito.

Em contrapartida, como eu disse, os intelectuais são desprezados. Estudiosos da sociedade, cientistas, são solenemente ignorados, tratados como "pessoas de mal com a vida", por alertarem sobre todos os erros que duram anos em nossa sociedade e nunca  se acabam. Gente como Noam Chomsky, que alertando sobre as injustiças do Capitalismo, é tratado como uma espécie de "Cassandra de Troia", cujos conselhos foram abafados pela beleza imponente do cavalo de Troia. O Capitalismo sabe muito bem como criar cavalos de Troia para iludir as massas. Em 2018 teremos um grande cavalão a deslumbrar as massas e tirá-las do mundo real.

Toda vez que alguém tenta dar conselhos, mas sem a autoridade da visibilidade que a mídia e as regras sociais garantem, nunca é ouvido e em muitos casos chega a sofrer chacota, pois o fato de não ter visibilidade o transforma em um "Zé Ninguém", alguém que não merece ser ouvido.

Do contrário, pessoas com o excesso de visibilidade, perfeitos formadores de opinião, não defendem mudanças reais para a sociedade, já que muitos deles se beneficiando de tudo isso que está aí, principalmente dos erros e injustiças. Até porque, se alguém tem o "direito" de ser melhor que os outros, é porque existe muita gente em má situação.

Devemos cultuar ideias e não pessoas. Se um fulano se deu bem na vida, parabéns a ele. E ele que se dane! Curta bem os seus privilégios e pare de encher o saco do resto da humanidade, além de tomar conhecimento de que o que lhe foi dado, pode - evai - muito bem ser tirado.

Paremos de cultuar também pessoas que nada fazem para mudar a sociedade, pessoas que se recusam a repartir de maneira igual todos os benefícios ao nosso alcance. "Sangue azul" não existe e tirando os bens materiais, somos todos exemplares de uma mesma espécie, com os mesmos direitos e necessidades.

As pessoas que querem ser melhores que as outras devem ser solenemente ignoradas, para que a auto estima excessiva delas possa murchar e devolvê-las a realidade de que elas sempre vivem fugindo.

Os "grandes líderes da humanidade" nada tem a dizer se nada fazem por melhorias reais de todos, não apenas dos "súditos que o aplaudem.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Intelectualfobia

Pelo jeito, a humanidade atual está incomodada com o peso dessa caixa arrendondada e enrugada que colocaram dentro de nossas cabeças. Nunca em outra época houve tanta aversão e até raiva de coisas intelectuais como se há hoje. Para muitos, o cérebro só serve para que satisfaçamos interesses alheios durante o emprego e/ou o estudo. Mas tendo o nosso tempo livre, devemos aposentar o cérebro e "curtir a vida" De preferência da forma mais imbecil possível, mas sem se assumir como imbecil.

E o pior que não é só desprezo, é raiva mesmo. As pessoas contraíram uma aversão mórbida e odiosa a tudo que é intelectual. Desde a música passando pela religiosidade, chegando a convicções políticas, todos preferem acreditar naquilo que é dito ou pela maioria ou por indivíduos prestigiados ou instituições consagradas do que pensar e verificar se o que é dito está certo ou não. Como pensar, questionar e verificar exigem esforço, prefere-se usar a "fé", tida como "maior qualidade" do ser humano no Brasil.

Só que se esquecem que não existe ser humano infalível. Instituições são controladas por seres humanos, logo não existem instituições infalíveis. Acreditar que há pessoas que nunca erram é uma idiotice que só tem rendido estragos na sociedade toda, resultando num Brasil decadente como vemos hoje. Isso em pleno século XXI, onde místicos e futurólogos sempre acreditavam que teríamos grandes avanços, hoje privilégio exclusivo das maquinas.

A raiva da intelectualidade é tanta que qualquer um que opte por algum referencial intelectualizante é criticado. Nos momentos de liberdade, ter o pseudo-direito de não pensar (imposto pela mídia, pela religião e pelas regras sociais) é que se torna a meta de qualquer um.

O ódio a intelectualidade se estende aos intelectuais. Conhecedores dos bastidores de vários setores da humanidade e por isso, cientes dos motivos que levam aos erros que tanto nos geram ops danos cotidianos, infelizmente são ignorados pelas grandes massas, que preferem ouvir conselhos de esportistas e celebridades que nada tem a dizer e que muitas vezes, se beneficiam com os mesmo erros que nos são tão danosos.

A alienação coletiva da sociedade brasileira não é considerada um dano

Claro que para a maioria da população, não há uma defesa do emburrecimento. Além do fato de que ninguém gosta de assumir publicamente os seus defeitos, sabe-se que todo ignorante se acha suficientemente inteligente, já que ele não consegue enxergar algo além de seus limites, pensando saber tudo. Tudo que chega ao seu alcance é tudo que existe para ele. Para quem pensa assim, não é a sociedade que é burra, são os intelectuais que "sabem em excesso". Pensamento típico de quem não quer aprender.

Por isso, a alienação não é considerada um mal, simplesmente porque ela não existe para os alienados. Basta saber o modismo do momento ou o que dá nos telejornais para ficar "antenado", gíria que os ignorantes usam para dizer que estão "bem informados". Mas não estão, já que modismos são fúteis e telejornais nem sempre falam a verdade, falando do ponto de vista de quem produz as notícias.

Lazer é para curtir, não para pensar

A confusão que as pessoas fazer entre "trabalho" e "emprego" e "tempo livre" e "ócio" é o grande responsável por essa aversão a intelectualidade. Para muitos, tempo livre não é para pensar e sim para curtir. O que é um erro, pois dá para fazer atividades produtivas durante o tempo livre, o que prova que trabalho (qualquer atividade que produza algo) não é sinônimo de emprego (atividade remunerada feita para satisfazer interesse alheio).

Baseado nessa ideia de que "trabalho" é "emprego", por incrível que pareça, é que a nossa carga horária de emprego é tão alta. Talvez seja proposital, para que as pessoas fiquem cansadas e não pensem quando chegarem ao seu tempo livre, o único que tem disponível para se dedicarem a si mesmos, já que no emprego trabalham para satisfazer patrões e clientela.

Claro que nestas condições, chagam toda tarde de sexta disposto a encher a cara (a famosa happy hour que de "happy" não tem nada) já para derrubar o cérebro através da morte de vários neurônios, já na UTI. E olha que tem muita gente que espera algum avanço social vindo de algum desses bebuns.

É um grande desperdício do tempo livre, já que supostamente temos o direito de fazer o que quisermos quando não estamos no cansativo emprego. Mas estamos tão acostumados a obedecer sem contestar, por medo de ficarmos sem sustento, que acabamos também por querer ser obedientes também na hora de lazer. Se não temos patrão para nos ditar ordens, temos mídia, amigos e líderes religiosos para tomar as nossas rédeas. E é finalmente jogada no lixo a única oportunidade de crescimento pessoal que temos e que o emprego nem sempre é capaz de nos dar.

Não esperemos algum avanço social num cenário desses. Se alguém não mudar sua conduta, nada mudará. Injustiças, problemas e preconceitos continuarão mantidos intactos. Como tem sido há muitos anos, sobretudo neste início do século que pensávamos ser melhor que os outros, mas está sendo gradativamente pior.