domingo, 10 de setembro de 2017

Pausa para mudanças

Vamos fazer algumas mudanças nos blogues principais e por isso teremos que parar por um tempo. Mas em 2018 voltaremos com grandes novidades, em novo endereço. Aguardem e desculpe a espera.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Feliz Dia da Dependência do Brasil!

Hoje deveria ser um dia de alegria para os brasileiros que costumam comemorar nesta data a independência de Portugal. Nunca fomos de fato independentes, mas a data sempre pareceu importante para nós por uma questão mitológica. Na verdade, a data servia mais como desculpa para que nos sentirmos patriotas, mesmo que de mentirinha.

Mas desde que o golpe de 2016 foi consumado, percebemos que de fato, nunca fomos independentes. E pelo jeito tão cedo não seremos. Ficamos o tempo todo fingindo ser um país e na prática nunca fomos além de um quintal das Américas, capitaneada pelas arrogantes e gananciosas lideranças dos Estados Unidos, que sempre quiserem ser donas de tudo que existia abaixo delas. Nas Américas, somente o Canadá, além dos próprios Estados Unidos, teria direito a verdadeira soberania.

O que significa que, de acordo com o mundo real, o Sete de Setembro nada significa para nós. Somos um povo colonizado, ainda. Só que mudamos de "tutor". Na verdade, temos vários tutores, representados pelas maiores corporações empresariais que instalam suas filiais em nosso território, de olho em gente obediente, mão de obra barata e muitos commodities para saquear. 

Como corsários modernos, as corporações encanaram de serem nossos donos e nos manipulam de todos os jeitos ara acreditarmos que as coisas devem ser assim, com o nosso povo sem soberania, cuidando tranquilamente de seus supérfluos, ignorando que seus direitos essenciais vão sendo reduzidos e retirados de forma silenciosa e pacífica.

A grande mídia, formada pelos meios de comunicação oficiais, ainda despertam confiança na maioria das pessoas. Muitos não conseguem enxergar os vilões que estão por trás da administração destes meios, acreditando serem estes meios apenas um "palco" para que jornalistas independentes individualizados mostram seu trabalho, supostamente ao lado da população e comprometidos com uma verdade que no fundo se mostra utópica.

Estes meios acabam por amestrar e adestrar a população em geral que, crente em alguns valores supostamente nobres, aceita de forma tranquila e alegre a exploração e a dominação feita pelas grandes corporações, cuja imagem de vilania é disfarçada sob a fantasia de "responsáveis tutores da humanidade, empenhados em trabalhar para desenvolver o Brasil". Boa fantasia colocada por cima de impiedosos corsários a quererem se apossar do país.

O golpe pelo menos serviu para acabar com a farsa de soberania que pensávamos ter. Somos colônia. Sempre fomos e nunca deixamos de ser. Mudaram os corsários colonizadores, mas nunca deixamos de ter corsários em nossas costas, parasitas que se beneficiam com a nossa desgraça incurável.

Sinto dizer, mas hoje não temos motivos para comemorar. Ajoelhados diante dos corsários que nos dominam novamente, nos resta apenas pedir para que nos deixemos vivos. Mesmo todo o nosso benefício seja limitado a um prato de sopa aguada e um cobertor rasgado sobre nosso corpo fragilizado. Feliz Dia da Colônia! Feliz Dia da Dependência do Brasil!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Niterói, o inferno das pessoas solitárias

A vida afetiva é uma necessidade básica. O ser humano é um ser social, e precisa de companhia para trocar experiência e afeto e com isso tentar evoluir seu modo de enxergar a realidade. Ter uma companhia não é um simples capricho, uma diversão. É algo essencial, que em sua falta pode gerar danos, alguns deles graves.

Mas apesar de ser uma necessidade, o direito à vida afetiva ainda não é levado a sério pelas autoridades. As regras de paquera tratam a aproximação de casais como se fosse uma bobagem, um entretenimento. 

Para escolher alguém para um relacionamento que pretende ser sério, você tem que agir como um bobo em uma festa. Encher a cara para depois assumir uma responsável vida a dois. É contraditório, mas para a maioria é assim que as coisas funcionam. Mas também é assim que muitos relacionamentos fracassam.

Há localidades em que as autoridades se preocupam em criar meios para que casais se formem. No nordeste, onde curiosamente as mulheres são mais emotivas e carinhosas, há lugares ao ar livre feitos para que as pessoas possam se conhecer. No sul e no sudeste, as terras dos corações de aço, quem quer conquistar alguém tem que se virar entre grupos sociais fechados ou em bares e boates. A vida afetiva no sul/sudeste é uma corrida de obstáculos.

Niterói, pesadelo dos solitários

Niterói, segunda mais importante cidade do estado do Rio de Janeiro, é uma sociedade fechada. Por ter uma grande e influente elite, já que é o maior numero de ricos por metro quadrado do país, o ponto de vista dessa elite é a que domina, criando regras que são automaticamente absorvidas pelas classes inferiores. Isso acaba por solidificar os corações já metalizados das pessoas niteroienses.

Os niteroienses, por este motivo, tem regras muito fechadas para a realização afetiva. Mulheres, que já são educadas para serem insensíveis, de acordo com a cultura local, detestam paquerar em qualquer lugar e se você não tem um grupo fixo de amigos, não frequenta um lugar onde possa ser visto com periodicidade pelas mesmas mulheres e não gosta nem de bares/boates, nem de igrejas, parabéns: você está condenado à solidão crônica.

Na internet, não existe comunidades e sites e namoro destinados a niteroienses. Isso reforça ainda mais a ilusão de que a cidade é uma democracia afetiva, criando uma estagnação que só prejudica ainda mais quem se sente na dificuldade de arrumar uma companhia.

Fora o racismo que é uma triste realidade na cidade fluminense, com um grande número de pessoas brancas e com porte físico similar aos mocinhos e mocinhas de seriados de TV. O racismo é filho do elitismo e é tradicional a dificuldade que não-brancos tem para arrumar companhia em Niterói. E quando um negro ou mestiço é aceito para namoro é porque ele teve outro aspecto (geralmente material) que "compensa" o "rompimento" da exigência feita pelo pretendente. Cruel tocar nesse assunto aqui, mas é necessário.

Impossível falar em democracia afetiva na ex-capital fluminense. Uma cidade que já é escassa em opções de lazer (Niterói... quem diria... sem opções de lazer...), que obriga a 95% da população a gostar de futebol, já que não existe outra opção para se divertir, certamente não iria ficar se preocupando em ajudar solitários a arrumar companhia.

"Mas ué, tem muita gente que consegue arrumar companhia!"

Esta pergunta acima certamente será feita por quem ler este texto. Sim, há muitos casais de namorados em Niterói, o que dá a ilusão de que é muito fácil arrumar uma namorada/um namorado em Niterói. Ilusão, porque não é fácil.

"Se não é fácil, porque muitos conseguem?". Conseguem porque entram o esquema. Conseguem porque seguem as regras direitinho. Conseguem porque satisfazem as exigências sociais. Conseguem porque aceitam as únicas opções oferecidas pela cidade para a realização afetiva. Quem consegue, na verdade se adapta ao que é disponível na cidade que permita a realização da vida afetiva. 

A minha bronca é que nem todos estão dispostos a seguir esquema, esqueminha e esquemão para arrumar companhia. Brasileiros vivem numa ilusão de unanimidade por pensar que uma grande maioria é o mesmo que a totalidade. 

Há muita gente indisposta a fazer as coisas de modo convencional. Há muita gente que quer quebrar estas regras e fazer as coisas de acordo com suas capacidades e seus interesses. Niteroienses, egoístas por vocação, se esquecem disso e quem não segue as regras é automaticamente barrado no baile do amor.

Mulheres com o coração de chumbo

Para piorar ainda mais, as mulheres niteroienses são educadas com a desconfiança tipicamente elitista. Crescem acreditando que a maioria dos homens não presta e acaba limitando o seu leque de escolhas aos homens que integram os grupos fixos que elas frequentam, por achar que estes parecem mais "confiáveis", mesmo que não sejam de fato. Lembrando que sempre que se limita oportunidades, limita também o leque de escolhas. Um exemplo fictício ajudará a entender essa desvantagem de limitar oportunidades de paquera. 

Uma mulher sonha com um homem que goste de ler livros de filosofia e que também saiba cozinhar. Mas por uma questão de confiabilidade, ela limita a oportunidade de conquista aos grupos fechados que ela frequenta. Mas em nenhum desses grupos fechados há o perfil de homem que ela deseja. 

Nas ruas, que para ela não são lugares de paquera, ela esbarra constantemente com homens que seguem o perfil desejado e que estão a fim dela. Mas como são momentos "inadequados" para paquera, ele prefere desprezá-los. Resultado: ela acaba tendo que reservar seu perfil apenas n sonho e se casar com um homem que odeia ler livros e odeia mais ainda cozinhar, pelo simples fato de que ele faia parte desse grupo fechado e parecia ser "confiável". Confiável até ele se enjoar da mulher e traí-la, quando não decide fazer algo pior.

E isso acontece em Niterói. Já não existem lugares abertos reservados para paquera. Niteroienses são obrigados a gastar dinheiro em um curso ou academia de ginástica para poder conquistar a confiança e o interesse de mulheres. Se não tem, restam bares, boates, festas e similares. Há o estressante carnaval como opção para os mais afoitos, uma opção que desagrada quem quer ter uma relação romântica e tranquila.

Claro que para os homens mais espertos, há a possibilidade de paquerar em qualquer lugar, desde que obedeça a complicadas regra de etiqueta, pois mulheres nunca estão dispostas a paquerar em lugares que não sejam o que elas consideram adequado.

E o que poderia ser feito para favorecer os que não conseguem desencalhar?

Meio complicada esta pergunta, já que as autoridades locais tradicionalmente desprezam as conquistas sociais de seus habitantes. Lazer é considerado supérfluo pelas autoridades (como se o niteroiense não tivesse direito a descanso ou tivesse que se virar para obtê-lo) e quem tem dificuldades de sociabilização é literalmente abandonado, se tronando um indigente afetivo.

Mas duas coisas poderiam ser feitas se autoridades quisessem: criar lugares abertos e gratuitos para paqueras, como por exemplo, estimular a frequência a várias praças que existem pela cidade (que por enquanto só servem como moradias para sem-teto) e educar as mulheres ara serem mais flexíveis nas paqueras, estimulando-as a tomar iniciativa e a tirar esta absurda ideia de que "todo homem é estuprador em potencial". A Constituição considera todo cidadão como inocente até prova ao contrário, porque ir contra essa lei?

Estimular frequências em praças - poderiam se realizar eventos, criando movimentação nestes ambientes - e educar as mulheres seriam duas boas e simples formas de fazer com que a vida afetiva seja democratizada em Niterói. Não dá para a Cidade-Sorriso fingir que é um paraíso do amor impedindo o acesso de todos à conquista amorosa. Todos merecem ter companhia.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A hipócrita caridade dos mais ricos

Todo mundo gosta de posar de bondoso. Ser bondoso atrai confiança e com isso os benefícios que dependem de decisões alheias. Mas ser bondoso de fato inclui esforço e abnegação, ou seja, abrir mão de benefícios próprios. Mas o senso comum arrumou um jeito de muita gente ser vista como bondosa sem ser de fato.

Os mais ricos e a classe média alta que a apoia sempre encontraram uma forma de ajudarem os outros sem ter que repartir e abir mão de seus privilégios. Campanhas e mais campanhas acontecem que nunca vão além da iniciativas paliativas que nunca conseguem tirar o desgraçado da desgraça, apenas criando meios dele suportar a desgraça incurável de um sistema social doente.

Décadas e mais décadas de caridade nunca ajudaram a eliminar a pobreza da face da Terra. Continuamos tão miseráveis quanto a mais de 2000 anos atrás. Muitas campanhas foram feitas e o resultado obtido é menor que o pífio. Como eu falei, nunca passaram de medidas para tornar a desgraça menos dolorosa, mas preservando-a em quase sua totalidade.

Interessante que os mais ricos gostam bastante de participar de eventos e campanhas filantrópicas sem mexer um dedo em suas fortunas gordas e sem arruinar a sua nunca assumida ganância. Como a maioria das pessoas não é muito racional, aceita numa boa a caridade feita desta forma, ignorando que na prática, o "bondoso" rico nada fez de esforço nem retirou de seu patrimônio, o que o transforma em um tremendo hipócrita.

Olhe só: você precisa de 10000 reais para ajudar várias pessoas. O ricaço se dispõe a dar 1000 reais. O resto do dinheiro que ele poderia doar é gasto em algum supérfluo, em algo que o tal ricaço poderia viver sem. E o que você acha de uma caridade como esta? Há mérito em considerar o "bondoso" em questão como tal?

E aquelas iniciativas em que algum rico doa o cachê? Considero uma gigantesca hipocrisia, bem cara-de-pau. Pois não é o rico que doa mas quem o pagaria que doa. Se celebridade X doa o cachê de uma campanha paga por entidade Y, na verdade, e entidade Y que está doando e não a celebridade, que se não ganha, também não perde com a doação. Ou seja, nada tem de caridade nesta iniciativa.

De fato, a verdadeira caridade do rico está em deixar de ser rico. Diminuir o padrão de vida e deixar de gastar dinheiro com bobagens. Aí sim o rico está contribuindo para uma sociedade mais justa e fazendo um real ato altruísta que se todos fizerem, poderá acabar com a maior parte dos problemas e eliminar de vez a injustiça de uma sociedade que ainda insiste em continuar problemática, por culpa da ganância nunca descartada.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ideais de direita e a legitimação da ganância

O golpe de 2016 serviu para nos revelar muitas más notícias e eliminar o mito de progresso humano que estávamos associando ao século XXI. A ideologia mística que ganhou nome de "Nova Era" (New Age) foi soterrada de vez e vemos agora muitas das conquistas do século XX sendo totalmente descartadas num assustador retrocesso que traz de volta, em versão remixada e remasterizada, todo o primitivismo dos tempos mais sombrios da humanidade.

Descobriu-se também que a maior mazela da humanidade é a ganância. Todas as ideologias que pregam a limitação de direitos e o extermínio de outras pessoas tem como base a ganância, embora esta palavra seja propositadamente evitada, para que a vilania não seja explicitada.

Claro que o papo agora é de dizer que a corrupção é a maior mazela. Mas o que seria da corrupção sem a ganância. A conversa da corrupção me parece desvio de foco, pois ninguém sabe exatamente o que significa corrupção, sabendo apenas da negatividade de sua carga semântica. Na verdade, a corrupção é filha da ganância, assim como tantas mazelas que desunem pessoas e dão origem a delitos e crimes.

Direitismo, a legitimação da ganância

O crescimento dos ideais de direita e extrema direita, que deveriam ter desaparecido da face da Terra, comprovam que a legitimação da ganância está mais viva de que nunca. A ganância é a base de todas as ideologias de direita, pois estas tratam a vida como uma competição pela sobrevivência e pessoas "superiores" como "vencedoras" desta "competição".

Curiosamente, em tempos de crise gigantesca, quando bens ameaçam a se tornar escassos, ideais de direita ressurgem para que pessoas possam brigar entre si pelos poucos bens disponíveis. A crise de 2008 desenterrou vários fantasmas e até mesmo os zumbis da extrema direita abandonaram as suas tumbas e ameaçam a humanidade para que os bens possam ser exclusivos para seus seguidores.

Sabe-se que o egoísmo faz parte do instinto humano e superá-lo é o nosso maior desafio. Do contrário que as religiões dizem, o altruísmo não é uma característica natural do ser humano. O altruísmo deve ser desenvolvido com a evolução da humanidade. Altruísmo exige esforço, maior racionalidade, compaixão e abnegação.

Mas a direita, que nunca foi muito racional, a não ser de forma superficial, não quer saber de esforço para si. A "luta" que os direitistas preferem é a literal, aquela que possa eliminar de seu caminho aqueles que julgam ser seus adversários. A abnegação chega a ser considerada uma ofensa na opinião dos vários direitistas.

Interessante lembrar que a direita inclui a religiosidade, que contraditoriamente faz menções ao altruísmo. Mas o que pode acontecer é que a religiosidade atue como uma capa de bondade em corações indispostos a beneficiar os outros, servindo mais de um rótulo positivo a despertar a confiança de outras pessoas para que os direitistas possam obter benefícios.

Infelizmente a direita está aí de volta, fazendo grandes estragos. Resta saber que tipo de futuro teremos sob o comando dessa gente gananciosa que se acha melhor do que a humanidade, mas é capaz de atos de ignorância de envergonhar o mais atrasado troglodita da Idade da Pedra.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O brasileiro acha chique Paris, Roma, Berlim, mas a Europa é, em essência, o que a classe média odeia.

ESPREMENDO A LARANJA: A classe média alta  brasileira é ignorante. Se acha a tal, mais sábia, mais elegante, enfim, quase perfeita. Mas é burra feito uma ameba. Sonha com a Europa, tendo como base os filmes e programas que mostram o glamour de uma Europa que só existe na ficção. 

Ao chegar na Europa, já querem logo voltar ao Brasil, pois aqui os brasileiros confortáveis são reis, lá eles são reles. Os europeus logo tratam de devolver o brasileiro ao mundo real, algo que incomoda bastante quem cresceu acreditando pertencer às elites, mesmo sendo esnobado pelos homens mais ricos de nosso país.

O brasileiro acha chique Paris, Roma, Berlim, mas a Europa é, em essência, o que a classe média odeia. 

Por Ivana Ebel - Extraído do Diario do Centro do Mundo -  13/08/2017



Tenho passado boas horas no Youtube, recentemente, acompanhando vídeos de brasileiros que foram morar em outros países. Tenho feito isso para entender mais da ferramenta, dos bordões, do que faz um canal ter sucesso ou não. Entenda como pesquisa de mercado, se quiser.

Nessa aventura pelo pensamento do brasileiro imigrante, todos falam de sua vida e, inevitavelmente, acabam comparando o que encontram quando voltam ao Brasil com o que vivenciam do lado de cá. Em todos os vídeos que abordam o tema, o principal espanto é o machismo, o racismo, a homofobia e o desrespeito pelo próximo no Brasil.

Viver em uma sociedade com valores diferentes faz com que brasileiros de todas as classes, credos e origens, que tiveram a chance de sair do país, consigam ver que os problemas do Brasil vão muito além da política e da economia, mas que têm uma direta conexão com ela. Aqui fora, fica mais evidente que o sonho de muito brasileiro de classe média pode ser morar na Europa, mas que o que a Europa representa (e se esforça para ser), em geral, é o resumo de tudo o que o brasileiro médio detesta. Não me ententa mal aqui: não se trata de colonialismo. Já explico.

Hoje, caí na besteira de ler os comentários em uma matéria que falava sobre a redução do bolsa família e teve quem chamou o momento político do país de “golpe de sorte”, por que “agora esses vagabundos vão ter que parar de fazer filho sustentados pelo dinheiro do cidadão de bem e terão que trabalhar”. No entanto, na Europa, os países com maior sucesso econômico são justo aqueles que têm os mais abrangentes planos de distribuição de renda.

Enquanto o brasileiro médio sonha com Paris, Roma, Berlim e o Bolsonaro, mais países europeus avançam em debates sobre a liberação das drogas e a regulamentação da prostituição, como já faz a Holanda. Aborto é um direito conquistado, debates de gênero são estimulados dentro das mais renomadas instituições de ensino. O estado é (quase sempre) laico. Ninguém tem armas e nem pensa em sua liberação. Serviços de limpeza doméstica tem que respeitar o valor mínimo por hora, assim como os profissionais que cuidam de crianças, dos jardins ou que trabalham em bares e restaurantes. Existe diferença social? Infelizmente existe, mas é muito, muito menor do que se vê no Brasil.

O ensino gratuito – ou financiado pelo governo em forma de empréstimo estudantil – permite que cada vez mais famílias tenham seus integrantes com diploma superior. No entanto, não é preciso ter uma profissão com formação universitária para conquistar uma vida digna. Mas é preciso saber que uma vida digna, por aqui, é para todos e não inclui escravos domésticos: cada um limpa seu banheiro, cuida do quintal e vai de transporte coletivo ou de bicicleta, usando ciclovias, de um lado para o outro. Por aqui, “piadas” racistas não são aceitas, igualdade de gênero é assunto sério, homofobia é crime. É perfeito? Não. E está longe de ser, especialmente em relação a etnias minoritárias, refugiados e parcelas mais vulneráveis da socidade. Mas não é tão ruim como no Brasil.

Foi isso que os youtubers perceberam. No geral, é isso que se sente: no velho mundo há uma  certa maturidade de valores, há mais respeito, há acesso a renda mínima, saúde e educação. O estado é mais paternalista, quando se trata do bem estar social. E isso faz a diferança. A classe média brasileira, que chama bolsa família de bolsa esmola, que acredita no Bolsomito, aspira grandeza e acha chiquérrimo ir para Paris, Roma ou Berlim. Mas a “Europa Mágica” da viagem de férias é, em essência, tudo o que essa gente mais odeia dentro de casa.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A melhor palestra da FLIP de 2017

Como sabemos, a FLIP, a feira de literatura de Paraty, tem muitas palestras interessantes. Mas a maior e mais importante palestra não aconteceu nos palcos principais do evento e sequer foi programada. Mas foi uma palestra necessária, enriquecedora e que devolveu os presentes ao mundo real, trazendo importantes lições.

Durante um evento, liderado pelo ator Lázaro Ramos (que eu gosto bastante, na minha opinião o melhor ator da atualidade), a plateia pode se manifestar. Uma professora negra e idosa, descendente de escravos decidiu falar. O que se ouviu  desde então foi de uma sabedoria ímpar. Coisa de um verdadeiro sábio.

Diva Guimarães, o nome da professora, falou do racismo e como a educação é importante para superá-la, não apenas para dar dignidade aos negros e pobres mas para a aquisição da capacidade de uma compreensão melhor da realidade. Como a educação e o desenvolvimento intelectual são capaz es de eliminar preconceitos e ajudar na percepção da realidade ao nosso redor. Aplausos demorados e empolgados após a sua sábia manifestação.

Me lembrei imediatamente da nefasta "Escola sem Partido", que apesar de não ter sido mencionada entre os presentes, desperta horror em quem se comoveu com a palestra sabia desta professora. Até porque a "Escola sem Partido", medida "educacional" de muitos golpistas, é preconceituosa e proíbe a racionalidade. No final, a professora falou sobre a importância de raciocinar, algo que os idealizadores da nefasta medida, defendida pela família Bolsonaro, tem pavor mórbido. Digamos NÃO para a horrenda "Escola sem Partido", que é  definitivamente o antônimo de educação.

Aqui abaixo está o vídeo com a palestra de Diva, uma verdadeira sábia, que fez o que uma professora sabe fazer: nos ensinar coisas importantes para o desenvolvimento de nossa capacidade intelectual. Quem tem um senso mínimo de humanidade se comove com as suas declarações e acaba adquirindo um vasto conhecimento que deve ser guardado para a vida toda. Recomendo a todos que vejam o vídeo. Terão um momento único e indispensável para a vida.

Obrigado, Diva Guimarães. Foi a melhor palestra da FLIP deste ano e talvez de muitas edições do festival. Depois de te ouvir, estamos mais inteligentes agora.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A ganância está destruindo a humanidade

Para os alucinados que acreditavam na conversa da "Nova Era", a ganância , maior defeito da humanidade, teria desaparecido no século XXI. Grande engano. A ganância não somente segue forte como não é mais considerado um defeito. É um direito vital dos que supostamente lutaram para alçar os maiores cargos profissionais existentes na Terra. Uma espécie de "troféu" para "vencedores".

O desejo de ter mais que os outros, por se achar melhor que boa parte da humanidade, ignorando o fato de que sermos humanos é igual para todos, tem causado grandes disputas e consequentemente estragos em toda a humanidade. Para legitimá-la, instrumentos de todo o tipo são usados. 

Até mesmo os aparentes pueris cultura, esporte e religiosidade são instrumentos poderosos, mas sutis de dominação. Existem para "educar" a humanidade para que respeite a ganância dos mais fortes que tem o "legítimo direito" de ter mais que os outros e mandar nos que estão abaixo. 

Dominação sutil legitimada pelo senso comum

Mas, como eu disse, é uma dominação sutil, que não raramente entra na contradição de reprovar a ganância, legitimando-a. Inclusive, forças aliadas aos gananciosos não cessam de condenar a ganância, através de um moralismo frouxo na essência, mas poderoso na forma.

Boa parte dos valores positivos e negativos que foram oficializados pelo senso comum foi consagrada para que a ganância dos privilegiados pudesse ser preservada. Embora a humanidade toda em sua essência, não estipule diferenças entre as pessoas, o sistema, através dos mais poderosos e dos conservadores que os defendem, alegam que existem vários níveis de humanidade. Uns supostamente melhores que os outros.

O esforço em tentar legitimar a ganância, que é o verdadeiro mal da humanidade é tanto que criaram outro suposto problema, a corrupção, para desviar o foco. Mas ora, a corrupção é filha da ganância. Não é a corrupção a raiz dos problemas. A corrupção é apenas um dos caules. A ganância é a verdadeira raiz que origina não somente a corrupção, mas tudo de errado presente na sociedade.

Apesar de ser a raiz de muitos problemas, ninguém fala em combater a ganância. A palavra carrega um estigma de subjetividade, dando a impressão de ser um conceito relacionado com a opinião de cada indivíduo. Mas ela é um problema real, pois até guerras faraônicas com armas caríssimas são declaradas em nome da ganância. Sistemas fascistas foram construídos sobre a base da ganância. A ganância é fatal e por isso não pode ser ignorada. 

Cultura, esporte e religiosidade: cúmplices dos gananciosos 

Falei que a cultura, o esporte e a religiosidade, apesar de marcados pela positividade, servem para legitimar a ganância através da alienação. Além de alienar (desviar o foco), a cultura coloca uma falsa aura de liberdade ao sistema, o esporte legitima a competitividade e a religiosidade estimula a obediência a uma liderança invisível. Bom lembrar que boa parte dos líderes mundiais (não me refiro a políticos) são desconhecidos da maioria da humanidade.

Todos os meios são lançados para que a ganância seja legitimada. Mas sabemos, é preciso que a ganância seja eliminada de uma vez por todas para que os maiores problemas da humanidade acabem. É infantil achar que podemos ser justos e  felizes com a ganância dos privilegiados.

Criminalizar a ganância seria um bom começo. É preciso repensar nosso senso de moralidade e acabar com os tradicionais conceitos maniqueístas. É preciso entender que a ganância é um tipo de maldade, altamente destruidora e mortífera. Considerar que os mais ricos são vilões em potencial, mesmo que não se comportem como tais e que o supérfluo garantido pela ganância impede que muitos tenham o mínimo necessário.

Enquanto houver pessoas que se acham no "direito" de dominar outras pessoas, mesmo de forma sutil, para ganhar mais que as outras, nada será resolvido em nosso planeta e estaremos sempre presos a um círculo vicioso que adiou para milênios a evolução prevista para o século XXI.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A maioria dos casais se une por confiança e não por afeto

A sociedade em geral é meio burra. O golpe mostrou isso. Estamos muito mais atrasados como seres humanos do que pensávamos e ainda somos animais aprendendo a raciocinar, a ser humanos. Por isso que apelar para a pieguice e nos prendermos a estereótipos ainda são cacoetes bem comuns em nosso cotidiano.

Isso ajuda a explicar a nossa mania de acharmos que todos os casais se atraem por amor. Amor é uma palavra linda, mas que para muitos define algo que não sabemos. Não sabemos, mas adoramos. Curioso que gostamos de tudo que nos parece positivo mesmo sem saber o seu real sentido.

Amor, na verdade, é sinônimo de altruísmo. E não cansamos de ver casais que se unem por intenções estranhas, que durante o cotidiano do relacionamento acabam descobrindo que do contrário que pensavam, os cônjuges se detestam. Mesmo se detestando, preservam seus relacionamentos por interesses materiais, dependência financeira ou para agradar a amigos e contatos sociais.

Na melhor das hipóteses, em casais mais exemplares, o que se nota é que o principal fatos de agregação é a confiança. Não é nada romântico dizer isso, o que pode decepcionar as pessoas que sonham com contos de fada realizados.

O afeto, o verdadeiro nome que se dá ao que muitos chamam de "amor", normalmente vem depois, quando conquistamos a confiança mútua e descobrimos que aquela pessoa corresponde, senão em todas, o que seria impossível, em grande parte de nossas expectativas.

Devemos nos amadurecer e entender que não existem contos de fada. Ninguém se une por amor. Os casais mais honestos se unem pela confiança. O afeto é apenas um ingrediente do cotidiano.

A piegas apego que nos faz sonhar com relacionamentos de contos de fadas mostra que ainda somos bastante infantis, homens e também mulheres. Enquanto não crescermos, vamos esperar que relacionamentos funcionam da forma em que eles não te condições de funcionar. Aí, muitos relacionamentos vão para o buraco e todos vivem infelizes para sempre.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Como conservadores enxergam os pobres

Os que achavam que os tempos iriam melhorar no século XXI, podem tirar o cavalinho de chuva. O neoconservadorismo desenterrou muitos fantasmas ideológicos e se espalham pelas cidades zumbis conservadores interessados em limitar a felicidade, o bem estar e a dignidade a eles e a seus assemelhados. Mesmo os que posam de bondosos se enxergam como uma espécie superior e sua noção de caridade pouco difere ao tipo de amor que sentem por um animal de estimação.

Sim, porque conservadores só entendem como "seres humanos" as classes que vão da média alta para cima. E olhe lá, pois se algum integrante dessas classes apoiar as classes inferiores, é imediatamente jogado nelas e tratado como tal.

Conservadores consideram a vida como uma competição e o direito a sobrevivência e outros derivados como um "prêmio" por ter vencido esta "competição". É um pensamento tosco, que compreensível nas mais rudimentares espécies animais, mas perde o sentido na (que deveria ser) racional espécie humana.

Essa gente retrógrada acha que que a renda e benefícios não podem ser repartidos por serem "prêmios" conquistados pelas classes dominadoras, que no entender deles são os "vencedores" da chamada "luta pela sobrevivência". O resto da sociedade que aceite a sua derrota e viva em condições precárias ou "lute" (com as regras e condições impostas pelos "vencedores") se quiser sair de sua condição indigna.

A solidariedade conservadora 

Mas existe o conceito conservador de "solidariedade", que não mexe nos privilégios dos "vencedores". Ela é observada em instituições de caridade, ONGs e consagrada pelas religiões. Seus defensores a consideram transformadora, embora seus resultados sejam pífios É uma caridade que serve como consolação do que como uma solução para eliminar problemas.

Comparo este tipo de caridade com o que é feito com animais de estimação. Ninguém dá aos seus animais - a não ser que tenha algum tipo de loucura - o mesmo que come quando senta à mesa. Animais sempre tem benefícios bem inferiores aos de seus donos. O povo pobre, visto como "sub-humano" também.

É só observar as cestas básicas entregues a pobres em festas de exibição de caridade. Boa parte dos produtos incluídos nelas são de qualidade inferior e não raramente os doadores nem verificam se estão no prazo ou se estão estragadas, com algum bicho estranho passeando dentro das embalagens.

Não há o empenho de conservadores em lutar por leis que melhorem as condições dos mais humildes, tirando-os de suas situações indignas. A caridade conservadora - que é a tradicionalmente aceita pelo senso comum - deve confortar os pobres, mas devem mantê-los em suas condições sub-humanas, como se essas condições fossem inerentes ao estilo de vida das classes mais pobres.

Pior que há progressistas com boa-fé que acreditam nesta caridade paliativa, pensando ser elas capazes de tirar um pobre de sua condição. Nada disso. A caridade paliativa serve para que os "caridosos" pareçam bondosos diante da opinião pública e também um meio de calar o povo pobre, que terá que se contentar com o benefício escasso que chega a suas mãos.

Por isso que é o tipo de solidariedade esperada pelos conservadores. "Não se dá a 'cães' o mesmo benefício que se dá a si mesmos": é o que sempre pensou essa elite egoísta, que vê a vida como "competição", "privilegiados" como vencedores e desgraçados como sub-humanos. Esta é a paz que os "sábios e "responsáveis" integrantes de nossa ignorante elite querem para toda a sociedade brasileira.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Conservadores odeiam seres humanos. É preciso estarmos cientes disso

É preciso pararmos de sermos ingênuos com esta onda de neo-conservadorismo que há hoje não somente no Brasil, como no mundo. Conservadores não estão pedindo um mundo melhor, do contrario que isso apareça em seus discursos. Isso é papo. Na verdade, os conservadores estão, além de preocupados com a crise que limita sua ganância, com as mudanças de valores sociais que podem arruinar com as suas convicções e com seus privilégios.

Apesar de se auto-rotularem com o pomposo nome de  "cidadãos de bem", que dá um caráter nobre às suas reivindicações, eles nada tem de nobre (fora a gorda conta bancária de alguns deles|). Apesar de se considerarem como "do bem", eles não cansam de demonstrar seu ódio e de desejar o prejuízo das pessoas que atrapalham seus planos gananciosos. 

É impossível considerar alguém como "do bem" se este mesmo alguém reserva o bem estar a poucos ("direitos humanos para humanos direitos", é o que dizem, deixando claro que os "humanos direitos" são apenas os odiosos conservadores e os que os apoiam) e o prejuízo de muitos.

Os conservadores, na malandragem de fingir que não são cruéis, justificam seu ódio e sadismo como uma forma de "defesa" contra seus discordantes. Eles inventam que progressistas é que são pessoas do mal e que representam uma ameaça séria à "sociedade de bem" composta apenas pelos próprios conservadores. É na verdade uma troca de valores, onde o vilão exige punição ao mocinho, porque o mocinho "pode fazer maldades".

"Bom é quem quer tudo para si. Altruístas são do mal: devem ser eliminados"

Interessante esta inversão de valores. O ganancioso que quer tudo para si e sonha com a sociedade inteira tendo as mesmas convicções que ele, pode ser considerado bondoso. Enquanto que uma pessoa que deseja o bem a toda a humanidade (incluindo os conservadores, acredite), sem distinções, é considerada má, perversa e deve ser eliminada da sociedade. Por incrível que pareça, é este conceito de bondade versus maldade que existe na cabeça de qualquer conservador.

Na verdade, conservadores odeiam seres humanos. Mesmo sem declarar de maneira explícita, sempre deixaram claro este fato. Para conservadores, o que interessa são valores (convicções), patrimônio (bens e dinheiro) e instituições (pátria, família, religiões, etc.). As pessoas que respeitarem estas três coisas serão respeitadas. As que atrapalharem os planos de conservação destas três coisas, devem ser eliminadas, por punições, ou por prisões e se possível com a morte.

Infelizmente, estamos regredindo não apenas no cotidiano. Mas em nossas mentes, também regredimos, recuperando nosso instinto de barbárie. O neo-conservadorismo mostra que ainda não aprendemos a amar o próximo. Se esconder na capa de "cidadão de bem" não ajuda a melhorar nada. Pelo contrário, serve para vestir lobos com pele de carneiro. 

A humanidade só perde com o neo-conservadorismo. Conservadores detestam pessoas. Conservadores detestam o progresso.

domingo, 14 de maio de 2017

A legitimação da ganância

Tenha a absoluta certeza. O golpe ocorrido em 2016 e que acabou com a democracia teve como principal motor a ganância dos homens mais ricos instalados no país. Se achando mais do que os outros e no direito de mandar até na política brasileira, inventaram que seus opositores eram "corruptos" através de uma bem sucedida campanha publicitária, para poder colocar os representantes deles no poder e resultar nesta imoralidade que vemos hoje.

Se queriam um resumo sobre como foi o golpe, acabei de dar uma boa descrição. O que deve se observar é que o que houve foi uma ação dos gananciosos na defesa do "direito" de ser melhor que os outros e portanto ter mais do que os outros. 

Com aquela falácia de "trabalhei para isso", tentam convencer a população de mal informados de que é legítimo para certas pessoas ter mais que os outros. Mas todos esquecem que os homens mais ricos do país enriqueceram não por trabalho, mas por herança, por aplicações em bolsas de valores e, infelizmente em vários casos, por corrupção. Até porque trabalho suado dá dinheiro, mas não gera gigantescas fortunas.

Os defensores dos sistemas de direita e conservadores em geral, pelo jeito, não consideram a ganância um defeito. Talvez achem que certas pessoas tem direito de serem gananciosas e de se intrometer em tudo. É triste saber que um grave defeito, altamente danoso, é legitimado e tratado como uma prerrogativa de uma determinada classe social.

Considero a legitimação da ganância, assim como a necessidade da existência de armas, uma prova de que ainda somos bem primitivos. Os que pensam viver numa sociedade avançada e com grandes mudanças, certamente não vive num mundo real. Vejo muitos dos instintos animais não somente na personalidade das pessoas, mas em importantes pontos incluídos no senso comum. A ganância é um destes instintos.

Nunca foi tão bom sermos egoístas como agora. Ainda temos que aprender a viver na coletividade.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Polarização tem o objetivo de desunir os brasileiros e impedir melhorias reais para o Brasil

O Brasil vive um período triste na sociedade brasileira. A polarização política desenterrou o conflito de classes existente, mas nunca assumido em nossa sociedade, estigmatizada como cordial, pacífica e afetuosa. 

De um lado, os chamados "coxinhas", defensores das classes dominantes. De outro, os "mortadelas", "petralhas" ou coisa parecida, defensores das classes populares. De nenhum lado, os que querem que toda a sociedade brasileira entre em um acordo, que procure beneficiar o maior número de pessoas. Vivemos em uma guerra civil ainda não-declarada.

Para as classes dominantes, é muito bom que a sociedade brasileira esteja polarizada. Isso impede que a população se una e combata os problemas reais do país. Mantendo a população desunida, impede-se de ver milhões de pessoas invadindo sede de empresas, congresso, sede de governos, etc. As lideranças se sentem tranquilas com a desunião da população, que ficará bem ocupada arrancando os cabelos uns dos outros, enquanto os líderes continuam à vontade impondo suas decisões gananciosas.

Ninguém está preocupado com o progresso da sociedade brasileira. Pelo contrário. Por motivos ideológicos, na tentativa idiota de defender um dos lados, lança-se mão até de retrocessos, pois o que importa é derrotar o lado oposto. Mas ninguém se senta em frente diante do outro para ouvir as partes e negociar uma melhoria que seja para toda a população. 

Ao invés disso, tomam atitudes que servem mais para exaltar o lado do qual pertencem. Direitistas exaltando e legitimando a ganância, enquanto esquerdistas fazendo apologia às drogas e estimulando para que as mulheres vendam seus corpos. Interessante que os dois lados preferem defender erros do que propor acertos, saindo no pau um contra o outro enquanto o país se afunda, com a população junto.

Ficou praticamente impossível conversar pacificamente sobre política com as pessoas. cada um interessado em defender o seu lado e atacar o outro. Até as críticas feitas a políticos comprovadamente errados são feitas de forma subjetiva, usando motivos moralistas do que técnicos. Por exemplo: criticar Aécio porque ele supostamente cheira pó e não por ser um político incompetente e corrupto.

O analfabetismo político e a confiança que a população ainda deposita na mídia oficial - controlada e patrocinada por magnatas interessados em arruinar o país - tem desunido a população. Até que o diálogo comece a dar sinais de que quer aparecer, ainda vamos continuar nos xingando, cada u desejando que políticos e o país sejam como cada um quer, mesmo que se tornem nocivos a boa parte da população. Mas quem defende apenas o seu lado, pouco está se lixando para o outro. 

"Farinha pouca, o meu pirão, primeiro!": este deveria ser a nova frase a ser escrita na bandeira do Brasil.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Porque as pessoas preferem o assistencialismo do que um altruísmo mais eficiente?

O egoísmo pertence a natureza humana. Faz parte do instinto de sobrevivência animal o fato de querermos que o outro se ferre para não nos ferrar. O altruísmo não é instintivo e sim algo que devemos desenvolver. E não desenvolvemos.

Mas parecer altruísta diante de olhos alheios tem as suas vantagens. Pessoas gostam de admirar pessoas que são boas. Mesmo as pessoas que são egoístas gostam de ver outras (não elas) fazendo caridade. Mas a caridade tem o seu limite, pois egoístas não gostam de ceder seus benefícios a outrem.

A caridade aprovada pelo senso comum não deve incomodar os gananciosos. Até aprendermos a ser gente de verdade, continuamos acreditando que há pessoas que tem o "direito" de serem gananciosas, como os mais ricos, sobretudo empresários e celebridades.

Agora quando se tenta por em prática o verdadeiro altruísmo, como fazem os ativistas e políticos da linha progressista, tende-se a criminalizar. Os gananciosos que eu citei, com medo de ter que perder seus privilégios, se incomodam com a verdadeira caridade porque ela, para repartir, tem que tirar o excesso dos privilegiados. E para quem é ganancioso, excesso não é excesso, é direito legitimado.

A tendência do senso comum é admirar a caridade quando ela não transforma, não muda. Sopinhas sendo distribuídas. Cestas básicas, agasalhos. Ricos jogando futebol com jovens pobres. Cursos profissionalizantes para trabalhar em chãos de fábrica. Curioso que não se vê cursos profissionalizantes de Administração ou algum cargo de liderança para pobres. Ter um líder vindo das periferias incomoda as elites (não é, anti-petistas?). Tudo a ver com a lógica egoística dos gananciosos privilegiados.

Acredito que é justamente por não mexer nos privilégios dos gananciosos e nem mexer com as estruturas de poder que a caridade conhecida como assistencialismo e que é tradicionalmente feita por ONGs de vários tipos e por instituições religiosas é muito mais aceito pela sociedade do que o ativismo social que estimula o senso crítico e a política social que muda as leis para que as desigualdades desapareçam.

Acabar com as desigualdades é algo que não agrada às elites. Mas mesmo avessas ao fim das desigualdades, é necessário apoiar algum tipo de atitude altruística para que se possa ter uma imagem de bondade e ganhar a confiança alheia nem que seja para arrancar mais dinheiro de outras pessoas.

Para isso que serve a caridade paliativa: o pobre fica calado com a parca ajuda recebida, a elite finge ser altruísta e o sistema continua como está, com as eternas desigualdades que nunca são resolvidas.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lugar marcado para paqueras

A sociedade brasileira adora regras. Dá a ilusão de organização. Onde não tem regras, sempre aparece um engraçadinho disposto a criar e outros mais engraçadinhos ainda a obedecer. E muitas dessas regras são criadas aleatoriamente, sem observar a sua necessidade, com a finalidade ou de criar obstáculos a obtenção de um direito, ou apenas para dar ilusão de organização mesmo.Uma dessas regras é a estipulação de lugares fixos para paqueras.

Ué, mas não vivem dizendo que no amor não existem regras? É, dizem. Mas só de brincadeirinha. Vocês não acham que em uma sociedade com a brasileira, que obedece rigorosamente mídia e tradições sociais, a vida afetiva ia ser deixada de fora nessa ditadura enrustida?

Mulher não paquera nas ruas

Seja por insegurança, seja pela facilidade em arrumar namorados em seus ambientes particulares, é notável que as mulheres não gostam de paquerar nas ruas. Isso é fato e muito observado.

Na verdade, as mulheres estipulam as regras de conquista. É uma espécie de filtro instintivo - ser humano não precisa disso, qualé? Temos raciocínio!), para eliminar a excessiva demanda masculina. Quanto mais atraente for a mulher, mais regras fará, para que apenas aquele que satisfaça todas as exigências  atravesse o tal "filtro".

Uma dessas exigências é o lugar fixo de paquera. As mulheres só dão mole ou tomam iniciativa em duas situações:
- Nos ambientes rotineiros onde elas possam conviver e/ou ver os pretendentes de maneira frequente
- Em lugares de festa tipo, bares, boates ou até mesmo em cursos de dança

O motivo disso ainda não está claro. Uns argumentam que elas fazem isso porque não se sentem seguras em paquerar em qualquer lugar. Outros, que a mulher precisa de um clima para desenvolver a atração afetiva. Outras simplesmente por metidice ("na rua só tem mané, só tem homem que não presta")

Estranho lembrar que para muitas mulheres um playboy embriagado é mais confiável para ser namorado/marido que um rapaz tímido sentado em uma biblioteca. Mais uma prova da complexidade feminina que ninguém ainda conseguiu entender e compreender.

De qualquer forma, isso prejudica os homens não interessados nas festas ou que não tenham a oportunidade de conviver diariamente com as mulheres interessantes. 

Mulheres prejudicadas pelas próprias regras que criam

Mas, por incrível que possa parecer, até mesmo as mulheres já começam ser prejudicadas com isso. Com o desinteresse de muitos homens por bares, boates, por verificarem o alto índice de futilidade nesses ambientes, as mulheres passaram a perceber uma redução na frequencia de homens nestes lugares. Como a "ficha ainda não caiu", pensam que está faltando homens. Não está.

Na verdade, os homens deixaram de frequentar esses ambientes. Uma pesquisa feita em uma comunidade de namoro no Orkut mostrou que é enorme o número de homens que evitam este tipo de lugar, muitos inclusive reclamando de bares, boates, etc. E as mulheres , que ainda não escolheram outra alternativa às duas opções citadas, acharam melhor manter o erro e reclamar publicamente da falta de homens, transformando numa espécie de "tradição-estereótipo".

E por essa manutenção dos erros, muita gente fica só, outros muitos se casam com as pessoas erradas e o amor se transforma numa palavra vazia a nomear uma utopia resultante da nossa imaturidade que ainda negamos em combater.

domingo, 16 de abril de 2017

Moralidade de 2000 anos atrás

Aproveito um feriado religioso, principalmente cristão, para fazer esta postagem. Porque ainda as pessoas continuam presas a estórias lindas mas surreais de 2000 anos atrás? Porque ainda recorremos à divindades bíblicas quando queremos tratar de moralidade e de resolução de nossos problemas? Somos incapazes de resolver as coisas com o que temos nos dias de hoje. E olha que temos muito mais recursos do que há 2000 anos atrás.

Gosto muito de comparar essa ania doente de recorrer à Bíblia ou ao Cristianismo para resolver problemas atuais com a iniciativa de resolver problemas do Windows 10 usando o manual de MS-DOS e seus "poderosos" disquetes de apenas 1 MB. Sabe o que é o MS-DOS? Talvez olhando estas imagens você possa se lembrar, ou para os mais novos, conhecer. 

Você resolveria os problemas do Windows 10 usando um manual de décadas atrás, sobre um sistema completamente diferente do atual? Se você não é capaz de fazer isso na informática, porque você insiste e fazer o mesmo com a moralidade? A sociedade de 2000 anos atrás era completamente diferente da nossa. E olha que boa parte dos livros cristãos, incluindo a Bíblia, se baseiam em ficções, o que agrava mais ainda o equívoco. 

Será que para sermos mais altruístas no dia de hoje, temos que entrar em uma máquina do tempo e ir para 2000 anos atrás para obter as respostas? Que loucura! 2000 anos atrás, com aqueles caras com panos no lugar de roupas, falando um vocabulário paupérrimo onde uma palavra só tinha cerca de mil significados (o Aramaico, idioma atribuído a Jesus), com hábitos e costumes completamente diferentes? É isso que queremos para nossas vidas? 

Não é coincidência que cristãos sejam conservadores: eles amam o passado. Gostariam que o mundo atual fosse igual ao passado. O único traço de modernidade que autorizam é o da evolução tecnológica, a das máquinas. O resto, se puder continuar o mesmo de 2000 anos atrás, melhor.

Não é difícil imaginar porque nossos problemas nunca acabam e porque estamos com os mesmos problemas, as mesmas injustiças e o mesmos hábitos mesquinhos que ainda continuamos a manter. Porque não enxergamos a realidade atual. Se algum problema aparece, fugimos deles e recorremos a 2000 anos atras, pedindo para que personagens de obras antigas, sem comprovação de existência real, resolvam por nós.

Não conseguimos nos livrar da mitológica religiosidade que no fundo se tornou nossa principal ilusão, zona de conforto e tipo de narcótico. Temos medo de nos livrar da religiosidade. Em pleno século XXI ainda queremos agir como no século I e isso cada vez mais se mostra nocivo. Queremos agradar seres que sequer sabemos - de forma concreta - que existiram. 

Por convenção social ou por submissão a lideranças, ainda queremos ser cristãos. Queremos que a moralidade seja a de 2000 anos atrás. Uma moralidade que só fazia sentido na época, há cerca de 2000 anos atrás. Queremos para hoje o que não faz mais sentido. 

Sinceramente se continuarmos com a tolice da religiosidade, acreditando em fábulas surreais, seres superpoderosos e um festival de absurdos e contradições, vamos continuar com uma moralidade falha, tosca e incompetente, preferindo respeitar surreais divindades d que respeitar o próximo, pois a menor discordância, é justamente dos cristaos que tem vindo as mais grotescas manifestações de ódio e intolerância contar justamente quem quer se situar no mundo real atual e não no suposto mundo de 2000 anos atrás, que embelezou lindos livros supostamente sagrados.


E aí, vamos insistir na mania de tentar resolver problemas do Windows 10 com manual do MS-DOS?

domingo, 9 de abril de 2017

O "direito" de ser melhor que os outros

O povo brasileiro não tem noções corretas de bondade, heroísmo e exemplo de vida. Trata religiosos, empresários e celebridades como se fossem benfeitores da humanidade e despreza os intelectuais que alertam a população para os erros e problemas corriqueiros e que por causa de nossa inércia, estimulada pela mídia e regras sociais, permanecem intactas e sem previsão de encerramento.

Para muitos, os "heróis" são na verdade pessoas que angariam simpatia por batalharem em prol do interesse próprio, servindo como exemplo de sucesso para a sociedade. São os "heróis de si mesmos": não salvam ninguém, não melhoram a sociedade, mas são os vencedores particulares desse sistema competitivo e e excludente.

Mas porque cultuar alguém ou algo que seja melhor que os outros? Não seria mais justo admirarmos alguém que colabore para que a sociedade seja cada vez mais igualitária? Porque admirarmos alguém que faz justamente o contrário, tomando para si os benefícios que deveriam ser repartidos igualmente entre as pessoas? Porque admirarmos alguém que colabora para que tudo permaneça como está, melhorando apenas através de paliativos que só resolvem por alguns instantes?

Todos querem vencer na vida. Mas parece que para a maioria, vencer, não é ter acesso a uma vida digna e sim, ser melhor que os outros. Aquele que consegue superar a maioria é ovacionado, amado, respeitado e tratado como uma espécie de semi-deus. São os faraós da modernidade, aqueles que ganharão o direito de opinar sobre tudo e tomas as rédeas da sociedade infantilizada, cada vez mais precisando de uma "babá" que lhes diga o que deve ser feito.

Em contrapartida, como eu disse, os intelectuais são desprezados. Estudiosos da sociedade, cientistas, são solenemente ignorados, tratados como "pessoas de mal com a vida", por alertarem sobre todos os erros que duram anos em nossa sociedade e nunca  se acabam. Gente como Noam Chomsky, que alertando sobre as injustiças do Capitalismo, é tratado como uma espécie de "Cassandra de Troia", cujos conselhos foram abafados pela beleza imponente do cavalo de Troia. O Capitalismo sabe muito bem como criar cavalos de Troia para iludir as massas. Em 2018 teremos um grande cavalão a deslumbrar as massas e tirá-las do mundo real.

Toda vez que alguém tenta dar conselhos, mas sem a autoridade da visibilidade que a mídia e as regras sociais garantem, nunca é ouvido e em muitos casos chega a sofrer chacota, pois o fato de não ter visibilidade o transforma em um "Zé Ninguém", alguém que não merece ser ouvido.

Do contrário, pessoas com o excesso de visibilidade, perfeitos formadores de opinião, não defendem mudanças reais para a sociedade, já que muitos deles se beneficiando de tudo isso que está aí, principalmente dos erros e injustiças. Até porque, se alguém tem o "direito" de ser melhor que os outros, é porque existe muita gente em má situação.

Devemos cultuar ideias e não pessoas. Se um fulano se deu bem na vida, parabéns a ele. E ele que se dane! Curta bem os seus privilégios e pare de encher o saco do resto da humanidade, além de tomar conhecimento de que o que lhe foi dado, pode - evai - muito bem ser tirado.

Paremos de cultuar também pessoas que nada fazem para mudar a sociedade, pessoas que se recusam a repartir de maneira igual todos os benefícios ao nosso alcance. "Sangue azul" não existe e tirando os bens materiais, somos todos exemplares de uma mesma espécie, com os mesmos direitos e necessidades.

As pessoas que querem ser melhores que as outras devem ser solenemente ignoradas, para que a auto estima excessiva delas possa murchar e devolvê-las a realidade de que elas sempre vivem fugindo.

Os "grandes líderes da humanidade" nada tem a dizer se nada fazem por melhorias reais de todos, não apenas dos "súditos que o aplaudem.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Intelectualfobia

Pelo jeito, a humanidade atual está incomodada com o peso dessa caixa arrendondada e enrugada que colocaram dentro de nossas cabeças. Nunca em outra época houve tanta aversão e até raiva de coisas intelectuais como se há hoje. Para muitos, o cérebro só serve para que satisfaçamos interesses alheios durante o emprego e/ou o estudo. Mas tendo o nosso tempo livre, devemos aposentar o cérebro e "curtir a vida" De preferência da forma mais imbecil possível, mas sem se assumir como imbecil.

E o pior que não é só desprezo, é raiva mesmo. As pessoas contraíram uma aversão mórbida e odiosa a tudo que é intelectual. Desde a música passando pela religiosidade, chegando a convicções políticas, todos preferem acreditar naquilo que é dito ou pela maioria ou por indivíduos prestigiados ou instituições consagradas do que pensar e verificar se o que é dito está certo ou não. Como pensar, questionar e verificar exigem esforço, prefere-se usar a "fé", tida como "maior qualidade" do ser humano no Brasil.

Só que se esquecem que não existe ser humano infalível. Instituições são controladas por seres humanos, logo não existem instituições infalíveis. Acreditar que há pessoas que nunca erram é uma idiotice que só tem rendido estragos na sociedade toda, resultando num Brasil decadente como vemos hoje. Isso em pleno século XXI, onde místicos e futurólogos sempre acreditavam que teríamos grandes avanços, hoje privilégio exclusivo das maquinas.

A raiva da intelectualidade é tanta que qualquer um que opte por algum referencial intelectualizante é criticado. Nos momentos de liberdade, ter o pseudo-direito de não pensar (imposto pela mídia, pela religião e pelas regras sociais) é que se torna a meta de qualquer um.

O ódio a intelectualidade se estende aos intelectuais. Conhecedores dos bastidores de vários setores da humanidade e por isso, cientes dos motivos que levam aos erros que tanto nos geram ops danos cotidianos, infelizmente são ignorados pelas grandes massas, que preferem ouvir conselhos de esportistas e celebridades que nada tem a dizer e que muitas vezes, se beneficiam com os mesmo erros que nos são tão danosos.

A alienação coletiva da sociedade brasileira não é considerada um dano

Claro que para a maioria da população, não há uma defesa do emburrecimento. Além do fato de que ninguém gosta de assumir publicamente os seus defeitos, sabe-se que todo ignorante se acha suficientemente inteligente, já que ele não consegue enxergar algo além de seus limites, pensando saber tudo. Tudo que chega ao seu alcance é tudo que existe para ele. Para quem pensa assim, não é a sociedade que é burra, são os intelectuais que "sabem em excesso". Pensamento típico de quem não quer aprender.

Por isso, a alienação não é considerada um mal, simplesmente porque ela não existe para os alienados. Basta saber o modismo do momento ou o que dá nos telejornais para ficar "antenado", gíria que os ignorantes usam para dizer que estão "bem informados". Mas não estão, já que modismos são fúteis e telejornais nem sempre falam a verdade, falando do ponto de vista de quem produz as notícias.

Lazer é para curtir, não para pensar

A confusão que as pessoas fazer entre "trabalho" e "emprego" e "tempo livre" e "ócio" é o grande responsável por essa aversão a intelectualidade. Para muitos, tempo livre não é para pensar e sim para curtir. O que é um erro, pois dá para fazer atividades produtivas durante o tempo livre, o que prova que trabalho (qualquer atividade que produza algo) não é sinônimo de emprego (atividade remunerada feita para satisfazer interesse alheio).

Baseado nessa ideia de que "trabalho" é "emprego", por incrível que pareça, é que a nossa carga horária de emprego é tão alta. Talvez seja proposital, para que as pessoas fiquem cansadas e não pensem quando chegarem ao seu tempo livre, o único que tem disponível para se dedicarem a si mesmos, já que no emprego trabalham para satisfazer patrões e clientela.

Claro que nestas condições, chagam toda tarde de sexta disposto a encher a cara (a famosa happy hour que de "happy" não tem nada) já para derrubar o cérebro através da morte de vários neurônios, já na UTI. E olha que tem muita gente que espera algum avanço social vindo de algum desses bebuns.

É um grande desperdício do tempo livre, já que supostamente temos o direito de fazer o que quisermos quando não estamos no cansativo emprego. Mas estamos tão acostumados a obedecer sem contestar, por medo de ficarmos sem sustento, que acabamos também por querer ser obedientes também na hora de lazer. Se não temos patrão para nos ditar ordens, temos mídia, amigos e líderes religiosos para tomar as nossas rédeas. E é finalmente jogada no lixo a única oportunidade de crescimento pessoal que temos e que o emprego nem sempre é capaz de nos dar.

Não esperemos algum avanço social num cenário desses. Se alguém não mudar sua conduta, nada mudará. Injustiças, problemas e preconceitos continuarão mantidos intactos. Como tem sido há muitos anos, sobretudo neste início do século que pensávamos ser melhor que os outros, mas está sendo gradativamente pior.

terça-feira, 28 de março de 2017

A direita precisa assumir que é paranoica e sádica

Definitivamente não dá para dialogar com direitistas. Aliás, nem dá para aceitar os direitistas. Defensores convictos de um mundo individualista, onde só pode se vencer sofrendo (ou roubando), com valores retrógrados do tempo em que se ia para a praia de pijama, os direitistas não cansam de mostrar que lógica, bom senso e altruísmo não é com eles.

Observando as declarações dos direitistas, nota-se a ausência total da sensatez. Quase todos se limitam a xingar os esquerdistas, sem mostrar qualquer tipo de argumento logico e convincente, apenas repetindo bordões e clichês e  defendendo as tolices que pelo menos servem para proteger seus interesses individuais.

Mesmo nas declarações aparentemente ponderadas, as ideias defendidas por eles são contraditórias e não raramente há a ginástica intelectual em tentar provar que o sofrimento é bom para alcançar o bem estar. Isso porque eles confundem tortura com desafio, coisas que direitistas tem dificuldade em diferenciar. Pelo menos para os outros, já que sadismo é frequente em declarações direitistas.

Há o costume frequente de acusar os outros daquilo que os direitistas cometem. É comum ver direitistas acusarem a esquerda de ser sádica e genocida quando a História comprova na prática que o Capitalismo matou e ainda mata mais gente do que a quantidade de mortos sob a suposta responsabilidade da esquerda. 

Lógica nunca foi a especialidade da direita, que acredita que a inteligência não está no cérebro e sim no diploma que carregam. Esquecem que a vida acadêmica nas faculdades não raramente é uma enganação e que a verdadeira sabedoria vem de experiências que nunca se pode ter nas salas de aula. 

Por acreditarem que somente a formação universitária garante a inteligência, direitistas se mantem na ignorância, pois acham que portar diploma em si já os fazem sábios, e portando "melhores" que os outros. Trocando em miúdos: "pensar para quê, se o diploma já pensa por mim?", dirá qualquer direitista.

É grave sermos comandados por gente gananciosa, ignorante e sádica. Mais ainda se ela for paranoica, com uma ideia fixa em um problema irreal, como uma criança que tem medo do Bicho Papão que supostamente mora embaixo de sua cama.

A paranoia é um transtorno onde uma pessoa cria um pavor intenso por um perigo que não existe. Vendo os vídeos criados por direitistas no YouTube, a manifestação de paranoia é frequente. Para a direita, quem não é direitista ou trai os direitistas é um perigo que deve ser eliminado a todo custo. Isso explica o sadismo também presente no pensamento de direita.

A paranoia presente nos direitistas é compreensível. Cientes de que o individualismo que defendem é nocivo e reprovável, além de quererem para si os bens que deveria estar em mãos alheias, tem um medo não assumido de perder bens ou de serem punidos por defenderem uma certa crueldade contra aqueles com quem eles não se afinam. Por isso agem com paranoia, como se um dia o erro que eles cometem em desejar o prejuízo alheio pudesse ser descoberto.

Os direitistas deveriam refletir muito sobre o mundo em que vivem. Mas antes deveriam assumir a sua paranoia e tentar curar o seu sadismo. Caso contrário, é melhor se isolarem em algum castelo bem distante em uma floresta na Europa. Quem vive na coletividade deve pensar coletivamente. E é por isso que as ideias de direita não valem mais para os dias de hoje, que exigem cada vez mais pessoas racionais e altruístas.

sexta-feira, 24 de março de 2017

O segredo que nenhum homem se atreve a revelar

Um dos maiores mistérios da humanidade com certeza é como conquistar as mulheres. Boa parte dos homens consegue, mas como consegue, não se sabe. Talvez o medo de favorecer a concorrência ou a perda das mulheres que conquistaram para os outros, leva a muitos homens a não revelarem o verdadeiro segredo da conquista feminina, um segredo guardado a mil chaves, cadeados e pesadas portas de chumbo.

E não adianta nem ameaçar algum homem de morte para obter o tal segredo, pois ao invés de revelar o segredo, o cara vai mesmo é chamar a polícia e mandar te prender para , possivelmente, você virar "mulher" de bandido.

Claro que, cumprindo o mito machista de que todo homem é amigo (mito em que não consigo acreditar), os bem sucedidos não vão recusar a ajuda de homens tímidos e "incapazes", que não tiveram a sorte ou os requisitos mínimos para satisfazer as cada vez mais exigentes donzelas que encontramos por aí.

Para ao mesmo tempo parecer simpáticos aos outros homens e eliminar os "incapazes" da concorrência, os homens bem sucedidos afetivamente se limitam a dar conselhos vagos, na prática reiterando o que já se sabe pelas rígidas regras sociais. Coisas apenas para dizer para todo mundo que "ajudaram" os outros. Típico de um autêntico amigo da onça.

Mas esses conselhos na prática soam bastante inúteis, já que além de não oferecer detalhes e esclarecer dúvidas (na verdade até aumentam ainda mais), nada favorecem os homens que tem dificuldade de conquista a flechar os corações de suas desejadas. E tudo fica na mesma.

Mas não dava para ser menos cruéis e mais detalhistas na hora de dar os conselhos? Ou que o sistema coloque as mulheres para ensinar os homens a conquistá-las. As mulheres é que deveriam ser as professoras de conquista, já que elas é que sabem como querem ser conquistadas. 

Os conselhos dados por um homem, mais preocupado em eliminar a concorrência e se dar bem as custas do fracasso alheio, serão apenas um tiro na culatra a piorar as coisas ou na melhor das hipóteses, deixar tudo como sempre esteve.

quarta-feira, 8 de março de 2017

As feministas precisam provar que não cometem misandria

Eu não sou machista. Como altruísta que sou, tenho que respeitar todos os seres humanos e defender seus interesses quando não prejudicam o dos outros. As mulheres são, acima de tudo seres humanos e merecem todo o respeito às suas condições dignas de vida.

Mas não vejo com bons olhos o Movimento Feminista. Apoio o feminismo em si, mas o feminismo que incentiva as mulheres a lutarem pela dignidade e por seus direitos. Mas noto um quê de misandria enrustida, não no Feminismo em si, mas no Movimento Feminista posto em prática por muitas mulheres nos últimos anos.

Muitas mulheres entenderam que antes de lutar pelos seus direitos, é preciso chutar os homens, tirá-los do caminho. O curioso que os homens que se dão mal com a misandria não são os machistas, o que seria até justo. Justamente os não-machistas é que se ferram neste cabo de guerra entre feministas misândricas e machistas misóginos. Os homens não-machistas viraram um saco de pancadas tanto para feministas (porque são machos) quanto para os machistas (não são machos o suficiente).

Dizem as feministas que o movimento pretende ser igualitário, quase um sinônimo de "humanitarismo". Mas não é bem o que se vê na prática, pois os homens são tratados frequentemente como vilões e os defeitos tradicionalmente cometidos por homens com falha de caráter são confundidos como se fizessem parte da masculinidade.

Um site feminista que gosto muito, está pecando por confundir machismo com masculinismo. O machismo é a suposta superioridade do homem sobre as mulheres e deve ser reprovado sem qualquer tipo de contestação. 

O masculinismo é uma resposta à misandria, uma contestação dos abusos cometidos pelas mulheres contra os homens, incluindo a recusa do estereótipo masculino do "protetor/provedor" ainda muito forte na sociedade atual e critério básico usado pelas mulheres na escolha de um namorado ou marido. O masculinismo nada tem a ver com machismo e os masculinistas também pregam a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

O que as feministas devem saber é que os homens não-machistas também são vítimas do machismo. Somos ridicularizados por não sermos "machões" como os outros homens e é comum perdermos direitos por isso. O próprio fato de não sermos machistas já serve como motivo para sermos discriminados diante dos outros homens.

Se as mulheres acham que o seu feminismo é humanitário, deveriam defender também os homens que não são machistas. Para de exigir que cumpramos as funções de protetor/provedor, pois muitos de nos não são tão ricos nem tão fortes/altos para cumprir de forma plena esta função.

Compreendo e apoio a luta das mulheres por seus direitos. Mas devemos focar mais na humanidade com um todo, sem abrir espaço a misandria. Maltratar as mulheres não faz parte da masculinidade. Somente canalhas maltratam as mulheres. E cá para nós, canalhas não são suficientemente machos para ser vistos como homens...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Porque pessoas diferentes são consideradas "loucas"?

Dizem os biólogos que seguir a maioria é uma estratégia de sobrevivência. Além do fato de que a união faz a força, há benefícios que dependem de decisões alheias (como namoro e emprego) e a adequação a regras impostas pela sociedade favorecem a aquisição destes benefícios. 

Por isso que muita gente faz coisas de validade duvidosa quando elas são praticadas pela maioria. O importante não é fazer estas coisas, mas favorecer um bom contato com os outros, para aquisição de direitos e garantia da sobrevivência humana.

Mas a racionalidade humana faz com que certos indivíduos se recusem a fazer certas coisas, por discordar delas. Frequentemente, estas pessoas são rotuladas de loucas, provocado o afastamento de outras pessoas que enxergam a recusa de obediência a padrões como uma ameaça. Porque isto ocorre? Temos uma explicação para isso.

A primeira coisa a ser lembrada é o conceito de "tá no sangue" para algo que é praticado ou seguido pela maioria das pessoas. O fato de algo ter uma adesão maciça de pessoas dá uma ilusão de algo biológico, instintivo, pré-programado no cérebro das pessoas. Fica a impressão que uma atitude extremamente popular faz parte da essência humana e sinaliza que "o cérebro está funcionando direito". A adequação a padrões ainda é estigmatizada como normalidade cerebral.

Como a adequação a padrões é considerado como sinal de normalidade, pessoas que se recusam a aderir a padrões de ideias, gostos e atitudes automaticamente despertam suspeitas de loucura, dificultando a interação social, criando um círculo vicioso que pode prejudicar quem não está socialmente inserido.

Talvez seja até este medo em ser confundido como "louco" que faz com que muita gente faça coisas que não goste de fazer, mas que são altamente populares, para agradar aos outros e se sentir incluído socialmente.

Mas é realmente por causa da ilusão de que seguir padrões é sinal de normalidade cerebral que pessoas diferenciadas são tidas como aberrações ou portadores de loucuras. Mas basta a humanidade se informar mais e descobrir que, pelo contrário, abir mão de padrões é sinal de maior racionalidade e de manifestação de individualidade, para que este preconceito desapareça e a diversidade de gostos, ideias e costumes seja respeitada.