sábado, 24 de dezembro de 2016

A hipocrisia santa de todo Natal

A polarização política que surgiu nos últimos anos serviu como comprovação de que a sociedade está cada vez mais egoísta, arrivista e gananciosa, do contrário do que deveria ser. Estamos atrasados como seres humanos e não estamos somente ficando mais burros como também ficando mais insensíveis. Infelizmente, a humanidade fracassou e está perdida. 

Na verdade, o Natal sempre serviu mais como um falso atestado de bondade da sociedade capitalista. Através da caridade paliativa, aquela que consola mas não traz dignidade, muitas pessoas acreditam estar sendo bondosas, de forma interesseira, por acreditar que um gigante invisível que eles chamam de "Deus" irá os recompensar. 

A caridade praticada pelas grande maioria das pessoas ignora a real necessidade dos excluídos, para que serve a ação praticada, e desprezam mais ainda como esta caridade deve ser feita para tirar um excluído de seu problema, que certamente nunca é resolvido. Todo tipo de ajuda é limitada a doação de objetos e palavras incapazes de tirar os mais carentes de sua condição indigna.

O que me revolta é que este tipo de ajuda se tornou um padrão. É a única praticada e há quem acredite mudar o mundo com esta caridade paliativa. Dá-se uma sopinha e um cobertor velho para um morador de rua e está resolvido? Vejam, lá está ele de volta a rua numa calçada suja, sem abrigo e desprezado por uma multidão que vive a se afastar do pobre coitado.

Para piorar, há o lado ruim deste tipo de caridade. Não raramente os excluídos são tratados como depósitos de lixo, pois normalmente recebem como ajuda objetos que não tem serventia para quem doa. Sem esquecer de alguns casos onde a caridade é usada como moeda de troca chantagem, exibicionismo e até manipulação ideológica. Não são raras as ONGs e instituições de caridade que praticam lavagem cerebral em seus auxiliados. Infelizmente isto é real e frequente.

Bondade + ganancia = hipocrisia

No geral, vemos nesta época do ano pessoas se fingindo de bondosas quando as mesmas agem de forma bem egoísta e não raramente gananciosa no resto do ano. E no Brasil temeroso, onde decisões de um grupo de golpistas gananciosos devem eliminar direitos e agravar crises e desigualdades, a luta pelo pouco benefício deve aumentar ainda mais o nosso egoísmo. 

A convulsão social deve se converter em uma não-declarada guerra civil. Vamos ter que brigar pelo pouco que será oferecido. Multidões morrerão por causa de direitos cancelados. Ricos, alvos constantes dos ódios das classes oprimidas (ódio que infelizmente é recíproco) serão constantemente ameaçados por se recusarem a repartir seus excessivos supérfluos. O país como um todo retornando a sua condição de sub-desenvolvimento com sérios riscos de se tornar um Haiti mais pomposo.

É este cenário triste que está sendo preparado para todos nós. Os que apoiam estas decisões equivocadas que estão sendo tomadas pelos golpistas que tirem sua máscara de bondade pois estão contribuindo de alguma forma pelo mal estar de muitas pessoas. E não será uma sopinha aguada, um casaco rasgado e uma reles canção natalina que resolverão esta desgraça.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Eles não saírão para as ruas por você


Amanhã, 04 de dezembro de 2016, vários supostos movimentos sociais sairão as ruas para supostamente lutar por um Brasil melhor. Esta é a informação oficial segundo as grandes mídias que espalham as notícias por meios como rádios, jornais, revistas e principalmente televisão. 

Mas quem se informar melhor e saber quis movimentos estão organizando as passeatas do dia 04/12, irá se decepcionar. Será uma manifestação de movimentos direitistas, organizados por instituições que representam os interesses das classes dominantes do país. Há inclusive participação de grupos fascistas entre os organizadores. Nenhum dos movimentos realmente sociais, que representam a parte excluída do povo participará do evento de amanhã.

São movimentos formados pelos grupos que lideram a economia do país, pessoas ricas e os não-ricos que as apoiam. São pessoas interessadas em preservar privilégios e manter as estruturas do poder (de todos os tipos, exceto o político, que sejam ver alterado) para que a renda continue concentrada e o país continue submisso aos EUA.

Grupos que defendem valores retrógrados, incluindo o moralismo cristão-medieval, estarão nos protestos contra os avanços sociais. Muitos que ingenuamente torcem pela intervenção militar (eufemismo para "retorno da ditadura militar") estarão em massa nos protestos de amanhã. Todos em nome apenas de suas classes e grupos particulares e dos "heróis" que os defendem. 

A justificativa do desejo de um Brasil melhor é papo furado feito para atrair apoio popular. Os grupos que sairão amanhã não oferecem propostas a não ser as que prejudique os grupos que eles considerem seus opositores. Vamos ficar atentos e perceber que direitistas nunca foram humanistas e desconhecem os bastidores da política, pensando que a prisão de um grupo de corruptos vai acabar com a corrupção. 

Errado! Corrupção se combate alterando bruscamente as estruturas, sobretudo as econômicas e sociais, algo que passa bem longe dos anseios dos manifestantes de amanhã, desejosos pelo golpe que arrasa o país. Corrupção se combate com responsabilidade ética e abnegação e não com justiça arbitrária, agressividade e histeria moralista.

Se você ama o país e os seres humanos, não leve gato por lebre. Os protestos de 04/12/2016 não são legítimos. São integrantes de grupos conservadores interessados apenas em defender interesses particulares. Justificativas nobres são apenas isca para tentar aumentar a quantidade de manifestantes. 

Os que sairão amanhã não estão interessados em um Brasil melhor. Eles querem um Brasil para os mais ricos, que eles pensam ser os "vencedores pela guerra sadia pela sobrevivência". Quem não for rico que se vire para ser e com isso ter permissão para exigir dignidade e direitos essenciais. É este o Brasil que estará sendo reivindicado amanhã. Um Brasil para poucos.

Tempos difíceis estarão por vir para os brasileiros. Se tudo fracassar no Brasil, simples: os manifestantes de amanhã raspam suas gordas contas bancárias e se mandam para Miami ou algum resort distante. Eles tem meios para isso.