sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio nunca compensa, seja contra quem for

Grande maioria dos brasileiros é avessa a intelectualidade. Odeia pensar, analisar, negociar. Para quem é avesso ao raciocínio, o caminho mais fácil é o de odiar quem pensa diferente, estejamos certos ou errados. E o país que era estigmatizado por ter um povo "gentil" está perdendo rapidamente esta marca e se tornando definitivamente o país do ódio.

Nem é preciso muito para percebermos claramente a onda de ódio: é só entrar em uma rede social e ler as postagens de uma comunidade que se percebe imediatamente uma mensagem depreciativa. E não raramente nem preciso fazer muito para gerar ódio alheio: basta não corresponder as expectativas dos odiosos, como por exemplo acontece com negros, gays e ateus.

Para piorar ainda mais a onda de ódio que contamina o país, a mídia, que deveria fazer o oposto, estimular o respeito mútuo, contribui para agravar ainda mais a sede de ódio nascente nas mentes inconformadas em um sistema competitivo de uma sociedade falida.

Recentemente, vários episódios de ódio tem acontecido em um curto espaço de tempo. A invasão de um grupo de fascistas na Câmara, o linchamento de estudantes ocupados, a tentativa de linchamento do jornalista Caco Barcellos, agora vem a exposição repetitiva de imagens de Anthony Garotinho no hospital e de Sérgio Cabral Filho em um mugshot.

Independente de quem seja, se mereça ou não ser criticado, há nestes episódios um estímulo a mais ódio. Ao invés de usarmos a inteligência em críticas e negociações, na tentativa de fazer com que os alvos de nosso ódio mudem de comportamento, preferimos partir para a agressão, pois é o que resta em nosso instinto animalesco, graças a nossa recusa insana em raciocinar. Detalhe: todos nós nos achamos inteligentes e partimos para a agressão quando alguém nos lembra de nossa ignorância.

Estamos voltando ao tempo das barbáries. Estamos regredindo como pessoas, do contrário que certas religiões metidas a progressistas sugerem. O século XXI, que deveria ser um século de evolução está nos devolvendo a tempos mais primitivos.

Temos um governo sádico que retoma a ganância destruidora do neoliberalismo. E um povo moralista metido a correto que pensa que sabe melhor que os outros (a ponto de ressuscitar a histeria infantil do anti-comunismo, tão ridícula quanto a do medo do Bicho Papão).

Certamente teremos uma guerra civil não-aramada, que poderá se tornar armada caso as leis de compra de armas se afrouxem como querem os mais conservadores. Aí teremos um gigantesco genocídio onde pessoas irão se matar pelos motivos mais banais. Não precisamos de um Hitler para gerar horrores. A odiosa população brasileira se encarregará de fazer por conta própria o que o fuhrer fez na Alemanha do início do século XX.

A burrice gera ódios cada vez mais sanguinários.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.