domingo, 20 de novembro de 2016

Lauren Jaregui surpreende com texto sensível e sensato sobre o mundo atual

ESPREMENDO A LARANJA: A música do grupo vocal Fifth Harmony soa fútil, ruim e serve mais como fundo musical para as coreografias sensuais do grupo, formado por belas jovens mulheres. Mas isso é compreensível, pois o som do grupo é direcionado ao público adolescente e as garotas precisam ganhar dinheiro para garantir o padrão de vida que possuem. 

Mas surpreende que um dos textos mais maduros que eu já li em minha vida tenha vindo de uma integrante de um grupo assim. Lauren Jaregui, (que empata com a Normani Kordei na posição de mais linda do grupo na minha opinião) decidiu aproveitar a oportunidade de assumir sua tao comentada bissexualidade para fazer um sincero desabafo, direcionado a América (todo o continente) que estará nas mãos de um homem retrógrado de ideias idem, Donald Trump.

Jaregui surpreendeu a todos pela impressionante maturidade e consciência crítica, provando que o fato de integrar um grupo musical sem pretensões culturais não significa que como ser humano deixe a desejar. Pelo contrário. Fiquei impressionando como uma mulher tão linda como Jaregui demonstrasse um interior ainda mais belo, unindo sensibilidade e inteligência para nos trazer, através de surpreendente sabedoria, uma grande lição de vida.

Estou feliz com Laren Jaregui e aprendi muito com o texto escrito. A maior lição de vida que eu aprendi é que, mesmo em um grupo musical sem importância cultural, feito apenas para se divertir, Lauren não se desviou da realidade, como seria de se esperar. 

Quietinha, sem ninguém perceber, ela observava o mundo ao redor, usando sua mente produtiva para tetar encontrar uma solução para tudo que está errado no mundo real. Solução que veio através de um sensível e longo texto que merece ser lido por qualquer pessoa, com bastante atenção. Um longo texto, mas conciso, direto, que não enrola, falando a todos apenas o que deve ser dito.

Parabéns, linda Lauren Jaregui. Eu que admirava como mulher linda, passei a te admirar como ser humano. Você alimentou meu cérebro e ganhou meu coração!

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso

Lauren Jaregui, para a Billboard - Tradução: site Sou Betina

A todos que apoiam Trump que tentam dizer que votar nele não significa que sejam racistas, homofóbicos, sexistas, xenófobos, idiotas… que vocês apenas gostam de como ele não se importava com o que as pessoas pensavam e apenas dizia o que queria… que ele não era um político, então ele não fazia parte da ordem política estabelecida e não tinha dinheiro corrupto o apoiando… isto é para vocês: Suas palavras são inúteis, porque suas ações levaram à destruição de todo o progresso que fizemos socialmente como nação. Com ignorância e se recusando a entender o jeito que o governo e o mundo funciona, vocês permitiram que um magnata dos negócios com fome de poder comandasse os Estados Unidos da América. ‘A terra dos livres, o lar do corajosos, sob Deus, indivisível, com Liberdade e Justiça para TODOS’. Vocês são HIPÓCRITAS.

Restaurar a América ao que era antes é apenas estagnar o progresso das nossas consciências. Vocês votaram em uma pessoa que construiu uma campanha de 18 meses baseada no ódio. Ele manipulou todos vocês com tanta facilidade ao falar com suas partes mais obscuras que começaram a se sentir envergonhadas pela maneira como encaravam o mundo ‘politicamente correto’. Ele se tornou o campeão de vocês porque falou com as partes que pensam que vocês são superiores ao resto de nós (como Hitler fez na Alemanha antes do Holocausto! Basta ler sua autobiografia: ‘Mein Kampf’). Este mundo politicamente correto que nós criamos, que é na verdade apenas um mundo com etiqueta social, no qual temos eliminado a linguagem do racismo e explicado o porquê disso, onde estabelecemos o feminismo como uma noção crescente de fazer as mulheres perceberem o seu valor e o mesmo direito a serem tratadas como os seres complexos que são os homens (e isso claramente precisa de muito trabalho considerando como as mulheres em toda a América, especialmente as mulheres brancas, votaram por este homem que insultou sua própria existência cada vez que ele abriu a boca ou desrespeitou Hillary durante sua campanha), onde tivemos de criar inúmeros rótulos para ajudar as pessoas queer — que não se encaixavam no molde cis heterossexual — a se sentirem válidas e reconhecidas em um mundo onde o pensamento fechado fez com que elas se sentissem invisíveis por tanto tempo. Esse é o comportamento ‘politicamente correto’ do qual você quer se livrar? Você quer fazer com que a América se torne um mundo onde os seres humanos ao seu redor sentem medo de serem eles mesmos e viverem e amarem livremente?

Além disso ser muito egoísta, também não é nada parecido com Cristo, porque o seu Deus está vendo isso e Ele conhece seus corações e Ele está ciente da verdadeira razão pela qual você escolheu esse humano para comandar o país mais poderoso do mundo, e eu prometo que o Deus que eu conheço e amo não tolera julgamento e ódio. E eu sei disso, porque eu fui criada como católica em uma casa latina e estudei numa escola particular católica durante toda a minha vida, então eu estudei a religião ou a Bíblia mais do que a maioria de vocês estudaram. A única razão é a incapacidade de vocês aceitarem o mundo crescente ao seu redor. Vocês escolheram o ódio. Seus corações escolheram se separar como pessoas superiores, quando o único ser superior neste universo inteiro é muito maior do que vocês. Nosso ‘politicamente correto’ que seu vencedor, Donald Trump, tão descaradamente ignorou durante toda a sua campanha e agora com a nomeação de seus conselheiros e outros funcionários do governo, é a linguagem que temos trabalhado incansavelmente para nos sentirmos seguros em um mundo que nunca para de nos lembrar que somos minorias.

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso.

Tenho orgulho de ser parte de uma comunidade que tem projetos de amor e educação e de apoio uns aos outros. Tenho orgulho de ser a neta e filha de imigrantes que foram corajosos o suficiente para deixarem suas casas e chegarem a um mundo totalmente novo, com uma língua e cultura diferentes e mergulharem sem medo para começarem uma vida melhor para si e suas famílias.

Tenho orgulho de ser uma mulher. Orgulho do sexo entre minhas pernas que fornece uma força e resistência em mim que só outras mulheres podem sentir, que o meu corpo tem curvas que me permitem criar vida dentro de mim, que toda a minha vida está repleta de adversidade e dúvida e pessoas questionando a minha inteligência e meu potencial artístico e minha própria expressão e minha virtude e honra porque sou mulher demais. Tenho orgulho de provar que estão errados. Tenho orgulho de ter que trabalhar ainda mais para isso. Eu fui criada para sentir que eu posso fazer QUALQUER COISA, e eu sempre vou acreditar nisso. Tenho orgulho de sentir todo o espectro de meus sentimentos e aceitarei com prazer o rótulo de “cadela” e “problemática” por falar o que penso da mesma maneira que qualquer homem seria admirado e respeitado por fazer igual. Mas, também estenderei a mão cheia de compaixão e empatia para qualquer pessoa me rotulando. Também sei que na minha luta por ser mulher, sou muito privilegiada. Eu nasci com uma pele mais clara e olhos verdes (graças à genética), então nessa perspectiva de mente fechada, eu sou branca. Eu vivenciei o privilégio que esses genes me deram, e eu sou grata e continuarei a falar em nome das mulheres em todo o mundo e de nosso próprio país que não vivenciam uma fração desse respeito por causa da cor de sua pele ou o que elas escolhem para vestir, ou por causa do seu cabelo, ou por causa da quantidade de maquiagem que elas usam ou qualquer outro absurdo aos quais nós mulheres somos reduzidas.

É realmente desanimador para mim ver tantas mulheres bonitas que não têm ideia do seu potencial. Esta eleição tornou óbvio quantas mulheres não podem enxergar isso. Falhamos como nação. Nós somos o exemplo para o mundo, e nós falhamos com nossos companheiros humanos que estavam nos observando com esperança de que não permitiríamos que o ódio prevalecesse. Tive o privilégio de estar em uma banda que me permitiu viajar por todo o mundo. Eu não posso expressar a gratidão que tenho por esta experiência, porque abriu meus olhos para muitas coisas e me permitiu ver o mundo a partir de uma perspectiva tão simples, uma perspectiva que eu entendo que poucas pessoas têm a oportunidade de vivenciar. Se eu pudesse dizer a cada eleitor de Trump duas coisas, seria para viajar e ler um livro de história. Olhe além de si mesmo, olhe quão insignificante é a moral que você defende quando percebe que não somos os únicos. Perceba que sua pele branca é o resultado da imigração da Europa, que os únicos ‘americanos’ verdadeiros são os nativos, que são povos indígenas que habitavam esta terra antes desses conquistadores de outros países (Inglaterra, França, Itália, Espanha) os eliminarem quase por completo. Nenhum de nós pertencemos aqui, mas todos nós merecemos o direito de nos sentirmos seguros e viver nossas vidas em paz. Merecemos o direito de não termos que nos preocupar em morrer, ou sermos eletrocutados, ou espancados, ou estuprados, ou abusados psicologicamente porque nossa existência e/ou nossas escolhas perturbam alguém. Este é o mundo que Trump está promovendo. Esta é a separação que tem aumentado desde o início da campanha. Nós não somos mais a América indivisível, estamos unidos em dois lados divididos; amor e ódio. Nós não estamos ‘lamentando’ pela nossa candidata ter perdido, estamos gritando gritos de batalha contra aqueles cujas agendas políticas e pessoais ameaçam nossas vidas e sanidade. Estamos nos certificando de que você está nos ouvindo, não importa o quanto incomode, nós EXISTIMOS.

sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio nunca compensa, seja contra quem for

Grande maioria dos brasileiros é avessa a intelectualidade. Odeia pensar, analisar, negociar. Para quem é avesso ao raciocínio, o caminho mais fácil é o de odiar quem pensa diferente, estejamos certos ou errados. E o país que era estigmatizado por ter um povo "gentil" está perdendo rapidamente esta marca e se tornando definitivamente o país do ódio.

Nem é preciso muito para percebermos claramente a onda de ódio: é só entrar em uma rede social e ler as postagens de uma comunidade que se percebe imediatamente uma mensagem depreciativa. E não raramente nem preciso fazer muito para gerar ódio alheio: basta não corresponder as expectativas dos odiosos, como por exemplo acontece com negros, gays e ateus.

Para piorar ainda mais a onda de ódio que contamina o país, a mídia, que deveria fazer o oposto, estimular o respeito mútuo, contribui para agravar ainda mais a sede de ódio nascente nas mentes inconformadas em um sistema competitivo de uma sociedade falida.

Recentemente, vários episódios de ódio tem acontecido em um curto espaço de tempo. A invasão de um grupo de fascistas na Câmara, o linchamento de estudantes ocupados, a tentativa de linchamento do jornalista Caco Barcellos, agora vem a exposição repetitiva de imagens de Anthony Garotinho no hospital e de Sérgio Cabral Filho em um mugshot.

Independente de quem seja, se mereça ou não ser criticado, há nestes episódios um estímulo a mais ódio. Ao invés de usarmos a inteligência em críticas e negociações, na tentativa de fazer com que os alvos de nosso ódio mudem de comportamento, preferimos partir para a agressão, pois é o que resta em nosso instinto animalesco, graças a nossa recusa insana em raciocinar. Detalhe: todos nós nos achamos inteligentes e partimos para a agressão quando alguém nos lembra de nossa ignorância.

Estamos voltando ao tempo das barbáries. Estamos regredindo como pessoas, do contrário que certas religiões metidas a progressistas sugerem. O século XXI, que deveria ser um século de evolução está nos devolvendo a tempos mais primitivos.

Temos um governo sádico que retoma a ganância destruidora do neoliberalismo. E um povo moralista metido a correto que pensa que sabe melhor que os outros (a ponto de ressuscitar a histeria infantil do anti-comunismo, tão ridícula quanto a do medo do Bicho Papão).

Certamente teremos uma guerra civil não-aramada, que poderá se tornar armada caso as leis de compra de armas se afrouxem como querem os mais conservadores. Aí teremos um gigantesco genocídio onde pessoas irão se matar pelos motivos mais banais. Não precisamos de um Hitler para gerar horrores. A odiosa população brasileira se encarregará de fazer por conta própria o que o fuhrer fez na Alemanha do início do século XX.

A burrice gera ódios cada vez mais sanguinários.

sábado, 5 de novembro de 2016

Benvindo Sequeira fala sobre o ódio

Uma das grandes provas de que vivemos ainda num mundo atrasado é o ódio. Materialistas e sequiosos pelos bens e direitos mal distribuídos, queremos eliminar a concorrência e por isso desejamos que o outro se ferre. Escolhemos uma característica do adversário e a transformamos em defeito para que ele se enfraqueça e o tiremos do caminho e possamos pegar o que pensamos ser nosso. Para mim, essa é a origem do ódio.

Mas Benvindo Sequeira, grande ator, grande analista político e grande ser humano, um dos orgulhos de nosso país, resolveu desabafar sobre este tema que entristece a todos e que comprova que estamos aprisionados em uma era de atraso. A suposta "nova era" virou uma piada e o século XXI chega surpreendentemente em um violento retrocesso em que colocamos para fora os nossos mais bestiais instintos na ânsia desesperada de defender interesses pessoais.

Vejam o sensível vídeo do grande Benvindo e reflitam bem. Sinceramente, enquanto não nos livrarmos do crescente sentimento de ódio, estamos despreparados para viver em sociedade. Há muito mais gente que merecia o isolamento do que se pode imaginar. Talvez o cárcere não seja para ladrões e sim para quem não tem condições de respeitar aquele que, erroneamente, considera seu adversário.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ignorantes e desconfiados, conservadores não querem qualidade de vida. Querem moral e satisfação de expectativas

Não adiantou cerca de 14 anos de progresso sócio-econômico. Confiante na campanha publicitária de difamação lançada pela sempre confiável - mas nem sempre verdadeira - mídia oficial, as pessoas de mentalidade conservadora fecharam os olhos para os avanços do país nos anos de gestão petista e resolveram trazer de volta os velhos direitistas do passado que arruinaram o país, para "reconstruir o país".

Incapazes de criar uma solução nova, que dispensasse o retorno a tempos nebulosos, as pessoas entenderam que as forças políticas que sã comprovadamente falhas, são as melhores para o país. Muitos nem se referem à políticos, mas sim a classes como empresários. Ignora a população que justamente estes sempre foram os principais responsáveis por arruinar o país. Chamaram os demolidores para reconstruir a casa.

Se pensam que colocar empresários nas gestões é novidade, podem tirar o cavalinho da chuva. Graças a nossa ignorância política que nos impede de dialogar com a esquerda, exigindo melhor atuação dos esquerdistas, retornamos aos mais tempos remotos da Velha República. A esquerda sempre será a melhor opção de gestão para qualquer nação e voltar ao velho direitismo significa voltar aos velhos problemas que acreditamos estar eliminados em nosso país.

Mas isso não importa para quem é conservador. O que interessa a eles é uma gestão moralizada e a satisfação das expectativas que a sociedade possui. Não interessa muito a melhoria na qualidade de vida ou no fim das injustiças sociais. Garantir o bem estar particular desses conservadores e apresentar uma gestão que se encaixe com os estereótipos de honestidade e eficácia, já é o suficiente. 

Isso explica porque as pessoas mais conservadoras (que ignoram muitos aspectos da realidade cotidiana) aceitam a PEC 241, a eliminação de direitos e até o sadismo contra aqueles que não se encaixam em seu conceito de "gente". 

Por não terem sido educados com o senso de humanidade, senso de coletividade e conhecimento político-econômico, preferem que as coisas aconteçam de forma mais simplória, como nas obras de ficção, com um super-líder decidindo o que deve ou não ser feito.

Assim caminha o nosso país para uma reedição atualizada da Velha República, responsável por muito retrocesso que travará o país na sua perpétua condição de país sub-desenvolvido. Um Haiti de luxo e um pouco mais pomposo e alegre.