domingo, 30 de outubro de 2016

A incrível maturidade de Ana Júlia Ribeiro

Estamos vivendo tempos loucos no Brasil. Um a verdadeira multidão de analfabetos políticos cismou que entende mais de política do que o resto da população e resolve cometer suas atrocidades por pensar saber o que está fazendo. Uma das primeiras atitudes, obviamente, foi o golpe. Mesmo vitoriosos e com vários integrantes com grande vivência etária, esses analfabetos políticos não cessam de demonstrar a sua imaturidade, agindo como crianças teimosas e birrentas.

Na contramão dessa gente de muita idade e pouca razão, aparece uma menina de 16 anos que nos dá esperanças em um futuro melhor. Essa menina que nem atingiu a maioridade legal, demonstrou de maneira clara, tranquila, uma sensatez, além de lucidez e maturidade muito superiores a que todos os direitistas têm juntos. O nome dela é Ana Júlia Ribeiro, que vive em Curitiba, hoje, uma cidade governada pelo Fascismo.

Ela foi convidada pela Assembléia Legislativa do Paraná para explicar os motivos da ocupação. E mesmo sendo aluna e não professora, deu uma impressionante aula aos presentes. Um dos deputados até tentou censurá-la, quando ela questionou o fato de culparem os manifestantes pela morte de um aluno (atacado por um colega por motivos pessoais), mas prosseguiu com o seu brilhante discurso.

Questionou também a medieval Escola sem Partido, uma medida criada por políticos religiosos que pretende eliminar debates nas escolas, impondo uma espécie de "educação" mecânica e 100% direcionada para o mercado de trabalho. Sobre esta medida que pretende extinguir a verdadeira educação, Ana Júlia falou:

 “É uma escola sem senso crítico, é uma escola racista, homofobia. É falar para os jovens que querem formar um exército de não pensantes, um exército que ouve e baixa a cabeça. Não somos isso. Escola sem Partido nos insulta, nos humilha, nos fala que não temos capacidade de pensar por nós mesmos”.

Se não bastasse o brilhante e amadurecido discurso, Ana Júlia ainda deu a melhor definição da abominável Escola sem Partido, curto e direto. Ela acabou fazendo como devem os verdadeiros sábios, definindo tudo com poucas palavras. Certamente, Ana Júlia é o tipo de aluna que os criadores e defensores da Escola sem Partido sonham em nunca existir.

Obrigado, Ana Júlia Ribeiro, pela sua verdadeira aula de cidadania! Por um momento você deixou de ser aluna para ser mestre. A melhor dos mestres. Você me faz acreditar no futuro. Que venham muitos jovens como você, dispostos a transformar esta sociedade em algo melhor para se viver e conviver. Só em seu discurso pude aprender muitas lições que ficarão guardadas para sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma estoria comovente para ler, se emocionar e refletir

Vivemos em uma época de ódio e desconfiança. As crises que são causadas pelo cada vez mais irresponsável Capitalismo tem tornando escassos muito bens essenciais. Na disputa por eles, acabamos desenvolvendo desconfiança e inimizade. Está cada vez mais difícil amar os outros.

Mas há quem ame de verdade e não se conforme com esta onda de ódio. Eu mesmo pensava que no século XXI estaríamos mais capazes não somente a pensar mas a amar também. Poucos sabem, mas o verdadeiro amor vem da razão. Compreendendo melhor a essência humana e seus problemas, somos capazes de sentir afeto e de atos altruísticos, feitos com mais eficiência.

Estava visitando o site de curiosidades Mini Lua e me deparei com esta sensível tirinha que tem uma meiga jovem como protagonista. Me identifiquei com ela pois passei pela situação narrada, infelizmente mais de uma vez. Vocês devem estar imaginando que o meu balão em forma de coração está mais do que surrado e remendado.

Leiam a estorinha sensível que me comoveu profundamente e me comove toda vez que leio. Em tempos de ódio, desprezo e relações por interesse, a situação narrada se torna mais comum nas vidas das pessoas realmente sensíveis, capazes de entender que a felicidade é algo para ser compartilhado, do contrário que muita gente (sobretudo os que seguem ideologias de direita) vive a defender.







terça-feira, 25 de outubro de 2016

Capitalismo, teu nome é solidão!

ESPREMENDO A LARANJA: O ser humano é um ser social. O brasileiro é ainda mais social. A vida social é uma prioridade para o brasileiro. Em nome da satisfação alheia, os brasileiros são capazes de moldar a sua personalidade, gostos, ideias, hábitos, crenças. Chegam a fazer o que detestam com a finalidade de manter contatos sociais. Até a onda direitista,  ominante no Brasil de hoje, tem muito a ver com esse negócio de agradar aos outros, sobretudo aos mais influentes.

Mas ao mesmo tempo isso tudo gera uma ilusão, pois o contato humano não é condicionado pelo afeto, mas pelas circunstâncias e pelos interesses. Na verdade, as pessoas forjam seus contatos, muito mais na intenção de satisfazer um instinto do que realmente criar um laço sincero entre seres humanos. É complicado entender isso. Mas o que se pode concluir que apesar disso, a solidão aparece como o ameaçador mal do século XXI. 

Estamos cada vez mais incapazes de entender-nos uns aos outros. A teimosia em transformar opiniões em patrimônios e a confusão entre fato e convicção, razão e crença tem sido motivo principal e até exclusivo de muitas brigas. Perdemos a capacidade de dialogar com sensatez. Cada um defende as suas tolas convicções como se fossem barras de ouro.

O texto abaixo fala bastante sobre a crise social em que encontramos. Acrescento que devemos pensar muito sobre o que estamos fazendo com nossos contatos. Não está mais do que na hora de aprendermos a ouvir a opinião alheia, analisar e debater para chegar a uma conclusão lógica, onde ideias equivocadas possam ser desfeitas e criar um consenso que seja resultante da lógica e não da necessidade forçada de pensarmos igual para agradar aos outros.

Capitalismo, teu nome é solidão!

George Monbiot, com  tradução de Inês Castilho, site Outras Palavras

O que poderia denunciar mais um sistema do que uma epidemia de doença mental? Pois ansiedade, estresse, depressão, fobia social, desordens alimentares, automutilação e solidão atingem cada vez mais pessoas em todo o mundo. A última ocorrência - divulgação de dadoscatastróficos a catástrofe dos sobre saúde mental das crianças inglesas - reflete uma crise global.

Há muitas razões secundárias para esse sofrimento, mas a causa fundamental parece ser a mesma em todos os lugares: os seres humanos, mamíferos ultrassociais cujos cérebros estão conectados para responder uns aos outros, estão sendo separados. Mudanças econômicas e tecnológicas, assim como a ideologia, desempenham o papel principal nessa história. Embora nosso bem-estar esteja indissociavelmente ligado à vida dos outros, onde quer que estejamos dizem-nos que só prosperamos pelo auto-interesse competitivo e extremo individualismo.

No Reino Unido, homens que passaram a vida inteira em espaços públicos - na escola, na universidade, no bar, no parlamento - nos doutrinam para que permaneçamos sozinhos. O sistema educacional torna-se a cada ano mais brutalmente competitivo. O emprego é uma luta quase mortal com uma multidão de outras pessoas desesperadas caçando empregos cada vez mais raros. Os modernos feitores dos pobres atribuem à culpa individual a circunstância econômica. Intermináveis competições na televisão alimentam aspirações impossíveis, no exato momento em que as oportunidades reais estão cada vez mais reduzidas.

O consumismo preenche o vazio social. Mas, longe de curar a doença do isolamento, intensifica a comparação social a ponto de, depois de consumir todo o resto, começarmos a ser predadores de nós mesmos. As mídias sociais nos unem e nos separam, possibilitando que quantifiquemos nossa posição social e vejamos que outras pessoas têm mais amigos e seguidores do que nós.

Como Rhiannon Lucy Cosslett documentou brilhantemente, meninas e jovens mulheres alteram, como rotina, as fotos que postam para parecer mais bonitas e mais magras. Alguns celulares com dispositivos “de beleza” fazem isso sem que você peça; agora você, magra, pode tornar-se sua própria inspiração. Bem-vindo a uma distopia pós-Hobbesiana: uma guerra de todos contra todos

Haverá algum encantamento nesses mundos interiores solitários, nos quais tocar foi substituído por retocar, e mulheres jovens estão se afundando de agonia? Estudo recente realizado na Inglaterra sugere que uma em cada quatro mulheres entre 16 a 24 anos automutilaram-se e uma em cada oito sofrem de distúrbio de estresse pós-traumático. Ansiedade, depressão, fobia ou distúrbio compulsivo-obsessivo afetam 26% das mulheres nesse grupo etário. Parece ser uma crise de saúde pública.

Se a ruptura social não é tratada tão seriamente quanto um membro quebrado, é porque não podemos vê-la. Mas os neurocientistas podem. Uma série de artigos fascinantes sugere que a dor social e a dor física são processadas pelos mesmos circuitos neurais. Isso pode explicar arazão por que, em várias línguas, é difícil descrever o impacto da ruptura de vínculos sociais sem as palavras que usamos para designar injúria e dor física. Tanto em humanos quanto em outros mamíferos sociais, o contato social reduz a dor física. Essa é a razão por que abraçamos nossas crianças quando elas se machucam: o afeto é um analgésico poderoso. Opiáceos aliviam tanto a agonia física quanto a angústia da separação. Talvez isso explique a ligação entre oisolamento social e a drogadição.

Experimentos resumidos no jornal Psicologia & Comportamento do mês passado sugerem que, diante de uma escolha entre dor física ou isolamento, os mamíferos sociais escolherão a primeira. Macacos-prego mantidos sem alimento e contato por 22 horas irão juntar-se a seus companheiros antes de comer. Crianças que experimentam negligência emocional, segundo certas descobertas, sofrem piores consequências de saúde mental do que crianças que sofreram tanto negligência emocional quanto abuso físico: apesar de hedionda, a violência envolve atenção e contato. A automutilação é frequentemente usada como forma de tentar aliviar sofrimento: outra indicação de que a dor física não é tão ruim quanto a dor emocional. Como o sistema prisional sabe muito bem, uma das formais mais efetivas de tortura é o confinamento em solitária.

Não é difícil perceber quais podem ser as razões evolucionárias para a dor social. A sobrevivência entre os mamíferos sociais é significativamente ampliada quando eles estão ligados por fortes laços ao resto do grupo. Os animais isolados e marginalizados são os que mais provavelmente serão apanhados por predadores, ou morrerão de fome. Assim como a dor física nos protege de lesões físicas, a dor emocional nos protege de danos sociais. Ela nos leva a nos reconectar. Mas muita gente acha isso quase impossível.

Não é surpresa que o isolamento social esteja fortemente associado a depressão, suicídio, ansiedade, insônia, medo e percepção de ameaça. Mais surpreendente é descobrir o leque de doenças físicas que ele causa ou exacerba. Demência, pressão sanguínea alta, doenças cardíacas, AVCs, queda de resistência a vírus, até mesmo acidentes são mais comuns entre pessoas cronicamente solitárias. A solidão tem umimpacto na saúde física comparável a fumar 15 cigarros por dia: parece aumentar o risco de morte precoce em 26%. Isso se dá, em parte, porque eleva a produção do hormônio do estresse cortisol, que inibe o sistema imunológico.

Estudos realizados tanto em animais como em humanos sugerem uma razão para o bem-estar alimentar: o isolamento reduz o controle dos impulsos, levando à obesidade. Como aqueles que estão na base da pirâmide socioeconômica são os que têm maior probabilidade de sofrer de solidão, será esta uma das explicações para a forte ligação entre baixo status econômico e obesidade?

Qualquer pessoa pode perceber que algo crucial — muito mais importante do que a grande maioria dos problemas que nos atormentam — deu errado. Por que razão continuamos mergulhados neste frenesi de autodestruição, devastação ambiental e deslocamento social, se tudo o que isso produz é uma dor insuportável? Essa pergunta não deveria queimar os lábios de todos os que estão na vida pública?

Há instituições de caridade maravilhosas fazendo o que podem para lutar contra essa maré. Trabalharei com algumas delas como parte do meu projeto sobre solidão. Mas, para cada pessoa que elas alcançam, muitas outras são deixadas para trás.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Gozado. Nunca gostei de música infantil. Nem quando eu era criança.

Engraçado. Eu devia ter sido um menino superdotado, precoce ou alguma coisa parecida, pois eu nunca gostei de música ou de festinhas infantis. Nunca tiveram graça. Claro que na época não chegava a pensar sobre isso, nem sabia porque não gostava. Mas sabia que não gostava.

Engraçado que atualmente vemos muitos adultos cantarolarem as bestas canções infantis. Interessante como os adultos tratam as crianças como debilóides, como se a mente das crianças fosse uma caixa vazia, sem informações esperando que o mundo-burro dos adultos as "ensine" para que o cérebro delas passe a "funcionar".

Ainda mais quando vivemos num tempo onde até as músicas feitas para adultos tem características infantiloides. Já ouviram aquela do Exaltasamba que pergunta se uma mulher tem dono? Parece música de tantã! Só comediantes e cretinos conseguem compor uma idiotice como essa. Ivete Sangalo? Xiiii, essa só consegue gravar músicas infantis... Sem falar no Wesley Safadão, que fica 2/3 do tempo de cada uma de suas apresentações falando um monte de bobagens para no resto cantar música ruim.

É bom os adultos pararem de tratar criança feito doente mental. Com o andar dos tempos, muitos jovens vão aprendendo a observar melhor a realidade, se tornando mais capazes de propor soluções, mesmo em um momento cheios de injustiças e desigualdades.

Eu pelo menos nunca gostei de ser tratado feito idiota. Nem quando eu era bem "pequetitinho".