terça-feira, 5 de julho de 2016

Depressão, o mal do século, cada vez aumenta

Quando o Século XXI começou, já percebíamos através de indícios que a depressão atingiria muitas pessoas. As constantes crises, a ganância das classes dominantes e os problemas que nunca se encerram nos dão muitos motivos para isolarmos em um canto e chorarmos.

E finalmente estamos no tal século, que segundo os futuristas seria uma época de avanços. Mas a evolução tecnológica, alem de sem bem aquém à previsões especuladas, não conseguiu servir de alavanca para nosso progresso pessoal. 

Pelo contrário: a tecnologia das máquinas evolui em proporção inversa a nossa evolução pessoal. Estamos mais burros, mais insensíveis e pior: sofremos com isso.

A coisa é tao grave que a depressão acaba matando muita gente, seja por causa dos danos relacionados com o desleixo com a saúde (é sintoma da depressão relaxar em tudo), do stress (stress desregula o metabolismo) e de suicídio, pois a esperança é um combustível que nos mantém vivos e sem ela fica complicado aceitar os desafios da vida.

Recentemente, a vencedora do concurso Miss Brasil de 2004, Fabiane Niclotti foi encontrada morta. Há inícios fortes de que foi suicídio, incluindo o fato de que ela sofria de depressão, deixando um bilhete com instruções a serem feitas após a sua morte. Este episódio me fez pensar e escrever esta postagem.

Sinto depressão. Sei que é muito chato ter que fingir alegria quando não se tem motivos para isso. Aspectos da minha vida que se referem ao social, afetividade e profissões não estão estabilizados e essa instabilidade aumenta ou mantém a minha depressão. Já pensei em suicídio, mas hoje desisti. Mesmo com a depressão, enxergo a ideia de me matar um desperdício. Prefiro viver chorando e lutar, mesmo magoado, até que alguma oportunidade se apresente.

Mas não é tarefa fácil. Para piorar, vivemos numa sociedade em que estar alegre transmite confiança e por isso se torna uma obrigação. As pessoas se afastam de pessoas deprimidas. 

Isso força uma situação oposta ao que deveria: pessoas se oferecendo para ajudar pessoas felizes e realizadas que não precisam de ajuda enquanto deprimidos, que necessitariam de afeto e auxilio são abandonadas e não raramente confundidas com pessoas de mal caráter ou criminosos. A própria mídia tratou de criar um estereótipo de criminosos relacionado com a depressão. Os deprimidos de boa índole pagam o preço dese estereótipo.

Ou seja, não apenas a tristeza e os problemas que é obrigado a suportar, o deprimido ainda tem que aguentar o desprezo preconceituoso que parece perpetuar a sua angústia, que só aumenta, pois muitos de seus problemas seriam eliminados se tivesse ajuda real.

E para entristecer ainda mais os deprimidos sinto dizer que as coisas só tendem a piorar. O cenário político do Brasil já mostrou que ainda temos uma grande quantidade de pessoas que não enxerga na ganância e no egoísmo problemas graves, o que pode fazer com que muitos problemas se perpetuem.

Lamento dizer, mas a depressão e não a tecnologia é que marcará este século. Quando ele (e as vidas de muitas pessoas) acabar, é nisso que fará nos lembrarmos do Século XXI, o seculo da depressão.

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