terça-feira, 26 de julho de 2016

O Autismo Coletivo

Desde que surgiram as religiões e depois, os meios de comunicação, a sociedade tem, aos poucos se afastado da realidade. Como o surgimento das redes sociais isso se agravou e hoje temos uma multidão imensa que não conhece mais os limites entre o real e o virtual.

Claro que há uma tendência instintiva de cada pessoa de construir o seu mundo particular dentro de cada mente, baseando na forma de como entende o mundo. Mas a coisa chegou a ponto das pessoas considerarem o seu mundo interior o mundo real, o que leva a muitas brigas com defensores de outros "mundos" e com os poucos que conseguem perceber a realidade.

Eu falei que a religiosidade foi pioneira na iniciativa de tirar as pessoas da realidade. Religiões são mitologias e seus dogmas são lendas. Seus personagens nunca tiveram sua existência comprovada e somente a obrigatoriedade da fé, que na verdade é um tipo de credulidade, garante a defesa desse mundo fantasioso como se ele fosse real. Ou seja, não só a religiosidade foi pioneira em tirar as pessoas da realidade como foi a pioneira em confundir os limites entre o real e o virtual.

Aí vieram os meios de comunicação e surge mais uma etapa na fase de confusão entre realidade e virtualidade. Ainda mais que muitas obras de ficção, criadas outrora como meras formas de entretenimento, acabam por "sugar" seus expectadores para o mundo virtual chegando a fazer com que muitos deles transfiram para a realidade o conteúdo dessas obras.

Mas a coisa piora com o surgimento das redes sociais. Antes delas, mesmo com a internet ativa e popular, a World Wide Web (Rede Ampla Mundial) agia como um meio de comunicação tradicional. Com as redes sociais, o próprio usuário começa a participar na emissão de informações. O que seria maravilhoso se estivéssemos intelectualmente preparados. E não estamos.

Fugindo da realidade para torná-la pior e fugir dela de novo

A deterioração intelectual iniciado gradualmente no final dos anos 60 como forma de combate ao que era entendido como "movimento hippie" e as conquistas sociais condenadas pelos conservadores que ainda se instalavam em importantes postos do poder, e agravada nos anos 90, gerou uma verdadeira epidemia de emburrecimento que até hoje não dá sinais de que será curada. 

Embora ignorantes, a maioria das pessoas se acha inteligente e emite suas toscas opiniões como se fossem verdades absolutas não raramente ameaçando quem tentar provar a inviabilidade de muitas ideias lançadas. Para piorar as coisas, se um ignorante se encontra em posição social privilegiada e graças a isso, possui prestígio o suficiente para conseguir convencer um numero grande de pessoas, aí ferrou tudo. E o que eu chamo de "Autismo Coletivo" se instala e se consagra.

Este tipo de autismo em que multidões imensas acabam distorcendo fatos da realidade a seu bel prazer tem feito uns bom estragos na realidade real (desculpe o pleonasmo, mas ele aqui é necessário). Em pleno seculo XXI caminhamos para trás a ponto de desejarmos de volta os danos que tivemos no passado, na tentativa tola de mantermos nossas mais pessoas convicções. Ou melhor, manter intacto nosso mundinho particular de crenças infantis.

E o mais alarmante é que essa nossa teimosa saída da realidade nos faz sair ainda mais da realidade, agravando o já grave Autismo Coletivo. Estamos todos querendo fugir da realidade que nos incomoda, ao invés de nos unirmos para consertá-la e torná-la melhor. Fugir tem sido a nossa habitual iniciativa. Mas continuaremos a deixar a realidade real piorar cada vez mais, gerando um círculo vicioso que nos aprisionará eternamente nas pseudo-realidades que nos confortam?

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sociedade cria estereótipo para criminosos que pode prejudicar reputação de pessoas introvertidas

Toda vez que acontece algum tipo de atentado cometido por indivíduos (os cometidos por grupos não enfatizam isso) a sociedade, com a ajuda da mídia, sempre enfatiza o fato de que terroristas ou homicidas são pessoas solitárias, tímidas, com poucos amigos e gostos estranhos. Mesmo que isso não seja verdadeiro.

Há um estereótipo de que pessoas solitárias e introvertidas sejam cruéis. A sociedade acredita que pessoas com dificuldade de sociabilização podem se rebelar contra a sociedade que os excluiu ou com os problemas que possui em seu cotidiano graças a dificuldade de se relacionar com os outros.

Isso não é verdade, pois além de existirem criminosos simpáticos, extrovertidos e cheios de amigos, há pessoas solitárias de  boa índole e mente equilibrada que por algum motivo (em geral gostos e convicções) tem dificuldade de sociabilizar, mas sem querer fazer mal a uma formiguinha.

Eu mesmo sou uma pessoa meio fechada. Tenho gostos e convicções diferentes da maioria e como vivemos em tempos de ódio (sobretudo por causa da onda direitista em que vivemos - ideais de direita costumam ser anti-humanos, preferindo preservar patrimônios, valores e instituições), me tornei uma pessoa desconfiada. Mais fácil os outros me prejudicarem do que eu prejudicar os outros.

Por outro lado há criminosos socialmente estabilizados. O desejo de cometer crimes não tem a ver com o objetivo de destruir a sociedade e sim para a satisfação de interesses particulares. A intenção de muitos criminosos é eliminar quem atrapalha seus interesses e normalmente não costumam prejudicar os que não atrapalham, principalmente os de seu círculo social.

Tenhamos cuidado em não criar estereótipos. Observemos as circunstâncias e usemos o bom senso para que não punamos inocentes e libertemos culpados. Estereótipos são marcas que não raramente correspondem a falsos conceitos. Estejamos atentos a eles!

terça-feira, 12 de julho de 2016

O que leva uma linda campeã de um concurso de beleza a se matar

Recentemente falamos sobre depressão e o estopim para tocarmos no assunto foi a morte misteriosa da Miss Brasil 2004 Fabiane Niclotti. Até o fechamento desta postagem o modo de como ela foi morta não havia sido confirmado. Mas fortes indícios indicam que foi suicídio. Segundo pessoas mais próximas, ela pretendia encerrar a sua vida.

Fiquei pensando bastante sobre o que leva uma mulher linda, campeã de um concurso de beleza, ganhadora de um farto prêmio em dinheiro, com fama e a admiração de muitos fãs a querer encerra a sua vida. parece absurdo para muitos, mas não é impossível. Uma das pistas, por incrível que pareça, foi dada por um de seus amigos: ela era "acima de tudo, inteligente".

E o que inteligência tem a ver com o fato dela ter se matado? Tudo. Sabe-se que a inteligência nos dá a capacidade de compreendermos melhor a realidade, que costuma não ser boa graças a ganância da maioria das pessoas, principalmente dos que estão na parte de cima do status quo. É confirmado o fato de que pessoas inteligentes entram mais facilmente em depressão enquanto as pessoas mais felizes são as que costumam raciocinar menos. Talvez a miss tenha caído na real sobre o mundo ilusório de beleza em que se meteu.

É fato de que a beleza na verdade é um critério subjetivo. Padrões mudam e muitas coisas podem parecer belas para uns e horrendas para outros. E a beleza nem sempre significa garantia de felicidade. E acredite, mulheres lindas podem sofrer, pois a chance de serem reduzidas a meros objetos de culto estético, ofuscando suas verdadeiras qualidades pessoais, é muito grande.

Bem provável que Fabiane estivesse desiludida do mundo das misses. Ela, que segundo amigos, possuía muitas qualidades, não quisesse ser vista apenas como uma mulher bonita. Niclotti gostaria que suas qualidades pessoais se sobressaíssem, mas a fama de mulher excessivamente bonita não deixava. Provavelmente o medo de ser estigmatizada como mero mito da beleza a assustasse, limitando e até prejudicando a sua vida pessoal. 

De qualquer forma é triste saber que uma pessoa tão linda e cheia de qualidades com um futuro promissor não conseguiu aguentar as pressões de uma sociedade cada vez mais exigente e injusta e que não conseguiu enxergar a exemplar cidadã Fabiane Niclotti por trás da bela, mas ilusória imagem de Miss Brasil 2004 que esta sociedade estava acostumada a ver. 

Infelizmente Fabiane se foi. Mas a Miss Brasil 2004 sobrevive, pois é a única que se apresentava diante dos que não conheceram de perto a maravilhosa pessoa que era Fabiane. 

Vá em paz, amiga. Sua beleza interior é eterna.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Depressão, o mal do século, cada vez aumenta

Quando o Século XXI começou, já percebíamos através de indícios que a depressão atingiria muitas pessoas. As constantes crises, a ganância das classes dominantes e os problemas que nunca se encerram nos dão muitos motivos para isolarmos em um canto e chorarmos.

E finalmente estamos no tal século, que segundo os futuristas seria uma época de avanços. Mas a evolução tecnológica, alem de sem bem aquém à previsões especuladas, não conseguiu servir de alavanca para nosso progresso pessoal. 

Pelo contrário: a tecnologia das máquinas evolui em proporção inversa a nossa evolução pessoal. Estamos mais burros, mais insensíveis e pior: sofremos com isso.

A coisa é tao grave que a depressão acaba matando muita gente, seja por causa dos danos relacionados com o desleixo com a saúde (é sintoma da depressão relaxar em tudo), do stress (stress desregula o metabolismo) e de suicídio, pois a esperança é um combustível que nos mantém vivos e sem ela fica complicado aceitar os desafios da vida.

Recentemente, a vencedora do concurso Miss Brasil de 2004, Fabiane Niclotti foi encontrada morta. Há inícios fortes de que foi suicídio, incluindo o fato de que ela sofria de depressão, deixando um bilhete com instruções a serem feitas após a sua morte. Este episódio me fez pensar e escrever esta postagem.

Sinto depressão. Sei que é muito chato ter que fingir alegria quando não se tem motivos para isso. Aspectos da minha vida que se referem ao social, afetividade e profissões não estão estabilizados e essa instabilidade aumenta ou mantém a minha depressão. Já pensei em suicídio, mas hoje desisti. Mesmo com a depressão, enxergo a ideia de me matar um desperdício. Prefiro viver chorando e lutar, mesmo magoado, até que alguma oportunidade se apresente.

Mas não é tarefa fácil. Para piorar, vivemos numa sociedade em que estar alegre transmite confiança e por isso se torna uma obrigação. As pessoas se afastam de pessoas deprimidas. 

Isso força uma situação oposta ao que deveria: pessoas se oferecendo para ajudar pessoas felizes e realizadas que não precisam de ajuda enquanto deprimidos, que necessitariam de afeto e auxilio são abandonadas e não raramente confundidas com pessoas de mal caráter ou criminosos. A própria mídia tratou de criar um estereótipo de criminosos relacionado com a depressão. Os deprimidos de boa índole pagam o preço dese estereótipo.

Ou seja, não apenas a tristeza e os problemas que é obrigado a suportar, o deprimido ainda tem que aguentar o desprezo preconceituoso que parece perpetuar a sua angústia, que só aumenta, pois muitos de seus problemas seriam eliminados se tivesse ajuda real.

E para entristecer ainda mais os deprimidos sinto dizer que as coisas só tendem a piorar. O cenário político do Brasil já mostrou que ainda temos uma grande quantidade de pessoas que não enxerga na ganância e no egoísmo problemas graves, o que pode fazer com que muitos problemas se perpetuem.

Lamento dizer, mas a depressão e não a tecnologia é que marcará este século. Quando ele (e as vidas de muitas pessoas) acabar, é nisso que fará nos lembrarmos do Século XXI, o seculo da depressão.