sábado, 24 de dezembro de 2016

A hipocrisia santa de todo Natal

A polarização política que surgiu nos últimos anos serviu como comprovação de que a sociedade está cada vez mais egoísta, arrivista e gananciosa, do contrário do que deveria ser. Estamos atrasados como seres humanos e não estamos somente ficando mais burros como também ficando mais insensíveis. Infelizmente, a humanidade fracassou e está perdida. 

Na verdade, o Natal sempre serviu mais como um falso atestado de bondade da sociedade capitalista. Através da caridade paliativa, aquela que consola mas não traz dignidade, muitas pessoas acreditam estar sendo bondosas, de forma interesseira, por acreditar que um gigante invisível que eles chamam de "Deus" irá os recompensar. 

A caridade praticada pelas grande maioria das pessoas ignora a real necessidade dos excluídos, para que serve a ação praticada, e desprezam mais ainda como esta caridade deve ser feita para tirar um excluído de seu problema, que certamente nunca é resolvido. Todo tipo de ajuda é limitada a doação de objetos e palavras incapazes de tirar os mais carentes de sua condição indigna.

O que me revolta é que este tipo de ajuda se tornou um padrão. É a única praticada e há quem acredite mudar o mundo com esta caridade paliativa. Dá-se uma sopinha e um cobertor velho para um morador de rua e está resolvido? Vejam, lá está ele de volta a rua numa calçada suja, sem abrigo e desprezado por uma multidão que vive a se afastar do pobre coitado.

Para piorar, há o lado ruim deste tipo de caridade. Não raramente os excluídos são tratados como depósitos de lixo, pois normalmente recebem como ajuda objetos que não tem serventia para quem doa. Sem esquecer de alguns casos onde a caridade é usada como moeda de troca chantagem, exibicionismo e até manipulação ideológica. Não são raras as ONGs e instituições de caridade que praticam lavagem cerebral em seus auxiliados. Infelizmente isto é real e frequente.

Bondade + ganancia = hipocrisia

No geral, vemos nesta época do ano pessoas se fingindo de bondosas quando as mesmas agem de forma bem egoísta e não raramente gananciosa no resto do ano. E no Brasil temeroso, onde decisões de um grupo de golpistas gananciosos devem eliminar direitos e agravar crises e desigualdades, a luta pelo pouco benefício deve aumentar ainda mais o nosso egoísmo. 

A convulsão social deve se converter em uma não-declarada guerra civil. Vamos ter que brigar pelo pouco que será oferecido. Multidões morrerão por causa de direitos cancelados. Ricos, alvos constantes dos ódios das classes oprimidas (ódio que infelizmente é recíproco) serão constantemente ameaçados por se recusarem a repartir seus excessivos supérfluos. O país como um todo retornando a sua condição de sub-desenvolvimento com sérios riscos de se tornar um Haiti mais pomposo.

É este cenário triste que está sendo preparado para todos nós. Os que apoiam estas decisões equivocadas que estão sendo tomadas pelos golpistas que tirem sua máscara de bondade pois estão contribuindo de alguma forma pelo mal estar de muitas pessoas. E não será uma sopinha aguada, um casaco rasgado e uma reles canção natalina que resolverão esta desgraça.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Eles não saírão para as ruas por você


Amanhã, 04 de dezembro de 2016, vários supostos movimentos sociais sairão as ruas para supostamente lutar por um Brasil melhor. Esta é a informação oficial segundo as grandes mídias que espalham as notícias por meios como rádios, jornais, revistas e principalmente televisão. 

Mas quem se informar melhor e saber quis movimentos estão organizando as passeatas do dia 04/12, irá se decepcionar. Será uma manifestação de movimentos direitistas, organizados por instituições que representam os interesses das classes dominantes do país. Há inclusive participação de grupos fascistas entre os organizadores. Nenhum dos movimentos realmente sociais, que representam a parte excluída do povo participará do evento de amanhã.

São movimentos formados pelos grupos que lideram a economia do país, pessoas ricas e os não-ricos que as apoiam. São pessoas interessadas em preservar privilégios e manter as estruturas do poder (de todos os tipos, exceto o político, que sejam ver alterado) para que a renda continue concentrada e o país continue submisso aos EUA.

Grupos que defendem valores retrógrados, incluindo o moralismo cristão-medieval, estarão nos protestos contra os avanços sociais. Muitos que ingenuamente torcem pela intervenção militar (eufemismo para "retorno da ditadura militar") estarão em massa nos protestos de amanhã. Todos em nome apenas de suas classes e grupos particulares e dos "heróis" que os defendem. 

A justificativa do desejo de um Brasil melhor é papo furado feito para atrair apoio popular. Os grupos que sairão amanhã não oferecem propostas a não ser as que prejudique os grupos que eles considerem seus opositores. Vamos ficar atentos e perceber que direitistas nunca foram humanistas e desconhecem os bastidores da política, pensando que a prisão de um grupo de corruptos vai acabar com a corrupção. 

Errado! Corrupção se combate alterando bruscamente as estruturas, sobretudo as econômicas e sociais, algo que passa bem longe dos anseios dos manifestantes de amanhã, desejosos pelo golpe que arrasa o país. Corrupção se combate com responsabilidade ética e abnegação e não com justiça arbitrária, agressividade e histeria moralista.

Se você ama o país e os seres humanos, não leve gato por lebre. Os protestos de 04/12/2016 não são legítimos. São integrantes de grupos conservadores interessados apenas em defender interesses particulares. Justificativas nobres são apenas isca para tentar aumentar a quantidade de manifestantes. 

Os que sairão amanhã não estão interessados em um Brasil melhor. Eles querem um Brasil para os mais ricos, que eles pensam ser os "vencedores pela guerra sadia pela sobrevivência". Quem não for rico que se vire para ser e com isso ter permissão para exigir dignidade e direitos essenciais. É este o Brasil que estará sendo reivindicado amanhã. Um Brasil para poucos.

Tempos difíceis estarão por vir para os brasileiros. Se tudo fracassar no Brasil, simples: os manifestantes de amanhã raspam suas gordas contas bancárias e se mandam para Miami ou algum resort distante. Eles tem meios para isso.

domingo, 20 de novembro de 2016

Lauren Jaregui surpreende com texto sensível e sensato sobre o mundo atual

ESPREMENDO A LARANJA: A música do grupo vocal Fifth Harmony soa fútil, ruim e serve mais como fundo musical para as coreografias sensuais do grupo, formado por belas jovens mulheres. Mas isso é compreensível, pois o som do grupo é direcionado ao público adolescente e as garotas precisam ganhar dinheiro para garantir o padrão de vida que possuem. 

Mas surpreende que um dos textos mais maduros que eu já li em minha vida tenha vindo de uma integrante de um grupo assim. Lauren Jaregui, (que empata com a Normani Kordei na posição de mais linda do grupo na minha opinião) decidiu aproveitar a oportunidade de assumir sua tao comentada bissexualidade para fazer um sincero desabafo, direcionado a América (todo o continente) que estará nas mãos de um homem retrógrado de ideias idem, Donald Trump.

Jaregui surpreendeu a todos pela impressionante maturidade e consciência crítica, provando que o fato de integrar um grupo musical sem pretensões culturais não significa que como ser humano deixe a desejar. Pelo contrário. Fiquei impressionando como uma mulher tão linda como Jaregui demonstrasse um interior ainda mais belo, unindo sensibilidade e inteligência para nos trazer, através de surpreendente sabedoria, uma grande lição de vida.

Estou feliz com Laren Jaregui e aprendi muito com o texto escrito. A maior lição de vida que eu aprendi é que, mesmo em um grupo musical sem importância cultural, feito apenas para se divertir, Lauren não se desviou da realidade, como seria de se esperar. 

Quietinha, sem ninguém perceber, ela observava o mundo ao redor, usando sua mente produtiva para tetar encontrar uma solução para tudo que está errado no mundo real. Solução que veio através de um sensível e longo texto que merece ser lido por qualquer pessoa, com bastante atenção. Um longo texto, mas conciso, direto, que não enrola, falando a todos apenas o que deve ser dito.

Parabéns, linda Lauren Jaregui. Eu que admirava como mulher linda, passei a te admirar como ser humano. Você alimentou meu cérebro e ganhou meu coração!

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso

Lauren Jaregui, para a Billboard - Tradução: site Sou Betina

A todos que apoiam Trump que tentam dizer que votar nele não significa que sejam racistas, homofóbicos, sexistas, xenófobos, idiotas… que vocês apenas gostam de como ele não se importava com o que as pessoas pensavam e apenas dizia o que queria… que ele não era um político, então ele não fazia parte da ordem política estabelecida e não tinha dinheiro corrupto o apoiando… isto é para vocês: Suas palavras são inúteis, porque suas ações levaram à destruição de todo o progresso que fizemos socialmente como nação. Com ignorância e se recusando a entender o jeito que o governo e o mundo funciona, vocês permitiram que um magnata dos negócios com fome de poder comandasse os Estados Unidos da América. ‘A terra dos livres, o lar do corajosos, sob Deus, indivisível, com Liberdade e Justiça para TODOS’. Vocês são HIPÓCRITAS.

Restaurar a América ao que era antes é apenas estagnar o progresso das nossas consciências. Vocês votaram em uma pessoa que construiu uma campanha de 18 meses baseada no ódio. Ele manipulou todos vocês com tanta facilidade ao falar com suas partes mais obscuras que começaram a se sentir envergonhadas pela maneira como encaravam o mundo ‘politicamente correto’. Ele se tornou o campeão de vocês porque falou com as partes que pensam que vocês são superiores ao resto de nós (como Hitler fez na Alemanha antes do Holocausto! Basta ler sua autobiografia: ‘Mein Kampf’). Este mundo politicamente correto que nós criamos, que é na verdade apenas um mundo com etiqueta social, no qual temos eliminado a linguagem do racismo e explicado o porquê disso, onde estabelecemos o feminismo como uma noção crescente de fazer as mulheres perceberem o seu valor e o mesmo direito a serem tratadas como os seres complexos que são os homens (e isso claramente precisa de muito trabalho considerando como as mulheres em toda a América, especialmente as mulheres brancas, votaram por este homem que insultou sua própria existência cada vez que ele abriu a boca ou desrespeitou Hillary durante sua campanha), onde tivemos de criar inúmeros rótulos para ajudar as pessoas queer — que não se encaixavam no molde cis heterossexual — a se sentirem válidas e reconhecidas em um mundo onde o pensamento fechado fez com que elas se sentissem invisíveis por tanto tempo. Esse é o comportamento ‘politicamente correto’ do qual você quer se livrar? Você quer fazer com que a América se torne um mundo onde os seres humanos ao seu redor sentem medo de serem eles mesmos e viverem e amarem livremente?

Além disso ser muito egoísta, também não é nada parecido com Cristo, porque o seu Deus está vendo isso e Ele conhece seus corações e Ele está ciente da verdadeira razão pela qual você escolheu esse humano para comandar o país mais poderoso do mundo, e eu prometo que o Deus que eu conheço e amo não tolera julgamento e ódio. E eu sei disso, porque eu fui criada como católica em uma casa latina e estudei numa escola particular católica durante toda a minha vida, então eu estudei a religião ou a Bíblia mais do que a maioria de vocês estudaram. A única razão é a incapacidade de vocês aceitarem o mundo crescente ao seu redor. Vocês escolheram o ódio. Seus corações escolheram se separar como pessoas superiores, quando o único ser superior neste universo inteiro é muito maior do que vocês. Nosso ‘politicamente correto’ que seu vencedor, Donald Trump, tão descaradamente ignorou durante toda a sua campanha e agora com a nomeação de seus conselheiros e outros funcionários do governo, é a linguagem que temos trabalhado incansavelmente para nos sentirmos seguros em um mundo que nunca para de nos lembrar que somos minorias.

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso.

Tenho orgulho de ser parte de uma comunidade que tem projetos de amor e educação e de apoio uns aos outros. Tenho orgulho de ser a neta e filha de imigrantes que foram corajosos o suficiente para deixarem suas casas e chegarem a um mundo totalmente novo, com uma língua e cultura diferentes e mergulharem sem medo para começarem uma vida melhor para si e suas famílias.

Tenho orgulho de ser uma mulher. Orgulho do sexo entre minhas pernas que fornece uma força e resistência em mim que só outras mulheres podem sentir, que o meu corpo tem curvas que me permitem criar vida dentro de mim, que toda a minha vida está repleta de adversidade e dúvida e pessoas questionando a minha inteligência e meu potencial artístico e minha própria expressão e minha virtude e honra porque sou mulher demais. Tenho orgulho de provar que estão errados. Tenho orgulho de ter que trabalhar ainda mais para isso. Eu fui criada para sentir que eu posso fazer QUALQUER COISA, e eu sempre vou acreditar nisso. Tenho orgulho de sentir todo o espectro de meus sentimentos e aceitarei com prazer o rótulo de “cadela” e “problemática” por falar o que penso da mesma maneira que qualquer homem seria admirado e respeitado por fazer igual. Mas, também estenderei a mão cheia de compaixão e empatia para qualquer pessoa me rotulando. Também sei que na minha luta por ser mulher, sou muito privilegiada. Eu nasci com uma pele mais clara e olhos verdes (graças à genética), então nessa perspectiva de mente fechada, eu sou branca. Eu vivenciei o privilégio que esses genes me deram, e eu sou grata e continuarei a falar em nome das mulheres em todo o mundo e de nosso próprio país que não vivenciam uma fração desse respeito por causa da cor de sua pele ou o que elas escolhem para vestir, ou por causa do seu cabelo, ou por causa da quantidade de maquiagem que elas usam ou qualquer outro absurdo aos quais nós mulheres somos reduzidas.

É realmente desanimador para mim ver tantas mulheres bonitas que não têm ideia do seu potencial. Esta eleição tornou óbvio quantas mulheres não podem enxergar isso. Falhamos como nação. Nós somos o exemplo para o mundo, e nós falhamos com nossos companheiros humanos que estavam nos observando com esperança de que não permitiríamos que o ódio prevalecesse. Tive o privilégio de estar em uma banda que me permitiu viajar por todo o mundo. Eu não posso expressar a gratidão que tenho por esta experiência, porque abriu meus olhos para muitas coisas e me permitiu ver o mundo a partir de uma perspectiva tão simples, uma perspectiva que eu entendo que poucas pessoas têm a oportunidade de vivenciar. Se eu pudesse dizer a cada eleitor de Trump duas coisas, seria para viajar e ler um livro de história. Olhe além de si mesmo, olhe quão insignificante é a moral que você defende quando percebe que não somos os únicos. Perceba que sua pele branca é o resultado da imigração da Europa, que os únicos ‘americanos’ verdadeiros são os nativos, que são povos indígenas que habitavam esta terra antes desses conquistadores de outros países (Inglaterra, França, Itália, Espanha) os eliminarem quase por completo. Nenhum de nós pertencemos aqui, mas todos nós merecemos o direito de nos sentirmos seguros e viver nossas vidas em paz. Merecemos o direito de não termos que nos preocupar em morrer, ou sermos eletrocutados, ou espancados, ou estuprados, ou abusados psicologicamente porque nossa existência e/ou nossas escolhas perturbam alguém. Este é o mundo que Trump está promovendo. Esta é a separação que tem aumentado desde o início da campanha. Nós não somos mais a América indivisível, estamos unidos em dois lados divididos; amor e ódio. Nós não estamos ‘lamentando’ pela nossa candidata ter perdido, estamos gritando gritos de batalha contra aqueles cujas agendas políticas e pessoais ameaçam nossas vidas e sanidade. Estamos nos certificando de que você está nos ouvindo, não importa o quanto incomode, nós EXISTIMOS.

sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio nunca compensa, seja contra quem for

Grande maioria dos brasileiros é avessa a intelectualidade. Odeia pensar, analisar, negociar. Para quem é avesso ao raciocínio, o caminho mais fácil é o de odiar quem pensa diferente, estejamos certos ou errados. E o país que era estigmatizado por ter um povo "gentil" está perdendo rapidamente esta marca e se tornando definitivamente o país do ódio.

Nem é preciso muito para percebermos claramente a onda de ódio: é só entrar em uma rede social e ler as postagens de uma comunidade que se percebe imediatamente uma mensagem depreciativa. E não raramente nem preciso fazer muito para gerar ódio alheio: basta não corresponder as expectativas dos odiosos, como por exemplo acontece com negros, gays e ateus.

Para piorar ainda mais a onda de ódio que contamina o país, a mídia, que deveria fazer o oposto, estimular o respeito mútuo, contribui para agravar ainda mais a sede de ódio nascente nas mentes inconformadas em um sistema competitivo de uma sociedade falida.

Recentemente, vários episódios de ódio tem acontecido em um curto espaço de tempo. A invasão de um grupo de fascistas na Câmara, o linchamento de estudantes ocupados, a tentativa de linchamento do jornalista Caco Barcellos, agora vem a exposição repetitiva de imagens de Anthony Garotinho no hospital e de Sérgio Cabral Filho em um mugshot.

Independente de quem seja, se mereça ou não ser criticado, há nestes episódios um estímulo a mais ódio. Ao invés de usarmos a inteligência em críticas e negociações, na tentativa de fazer com que os alvos de nosso ódio mudem de comportamento, preferimos partir para a agressão, pois é o que resta em nosso instinto animalesco, graças a nossa recusa insana em raciocinar. Detalhe: todos nós nos achamos inteligentes e partimos para a agressão quando alguém nos lembra de nossa ignorância.

Estamos voltando ao tempo das barbáries. Estamos regredindo como pessoas, do contrário que certas religiões metidas a progressistas sugerem. O século XXI, que deveria ser um século de evolução está nos devolvendo a tempos mais primitivos.

Temos um governo sádico que retoma a ganância destruidora do neoliberalismo. E um povo moralista metido a correto que pensa que sabe melhor que os outros (a ponto de ressuscitar a histeria infantil do anti-comunismo, tão ridícula quanto a do medo do Bicho Papão).

Certamente teremos uma guerra civil não-aramada, que poderá se tornar armada caso as leis de compra de armas se afrouxem como querem os mais conservadores. Aí teremos um gigantesco genocídio onde pessoas irão se matar pelos motivos mais banais. Não precisamos de um Hitler para gerar horrores. A odiosa população brasileira se encarregará de fazer por conta própria o que o fuhrer fez na Alemanha do início do século XX.

A burrice gera ódios cada vez mais sanguinários.

sábado, 5 de novembro de 2016

Benvindo Sequeira fala sobre o ódio

Uma das grandes provas de que vivemos ainda num mundo atrasado é o ódio. Materialistas e sequiosos pelos bens e direitos mal distribuídos, queremos eliminar a concorrência e por isso desejamos que o outro se ferre. Escolhemos uma característica do adversário e a transformamos em defeito para que ele se enfraqueça e o tiremos do caminho e possamos pegar o que pensamos ser nosso. Para mim, essa é a origem do ódio.

Mas Benvindo Sequeira, grande ator, grande analista político e grande ser humano, um dos orgulhos de nosso país, resolveu desabafar sobre este tema que entristece a todos e que comprova que estamos aprisionados em uma era de atraso. A suposta "nova era" virou uma piada e o século XXI chega surpreendentemente em um violento retrocesso em que colocamos para fora os nossos mais bestiais instintos na ânsia desesperada de defender interesses pessoais.

Vejam o sensível vídeo do grande Benvindo e reflitam bem. Sinceramente, enquanto não nos livrarmos do crescente sentimento de ódio, estamos despreparados para viver em sociedade. Há muito mais gente que merecia o isolamento do que se pode imaginar. Talvez o cárcere não seja para ladrões e sim para quem não tem condições de respeitar aquele que, erroneamente, considera seu adversário.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ignorantes e desconfiados, conservadores não querem qualidade de vida. Querem moral e satisfação de expectativas

Não adiantou cerca de 14 anos de progresso sócio-econômico. Confiante na campanha publicitária de difamação lançada pela sempre confiável - mas nem sempre verdadeira - mídia oficial, as pessoas de mentalidade conservadora fecharam os olhos para os avanços do país nos anos de gestão petista e resolveram trazer de volta os velhos direitistas do passado que arruinaram o país, para "reconstruir o país".

Incapazes de criar uma solução nova, que dispensasse o retorno a tempos nebulosos, as pessoas entenderam que as forças políticas que sã comprovadamente falhas, são as melhores para o país. Muitos nem se referem à políticos, mas sim a classes como empresários. Ignora a população que justamente estes sempre foram os principais responsáveis por arruinar o país. Chamaram os demolidores para reconstruir a casa.

Se pensam que colocar empresários nas gestões é novidade, podem tirar o cavalinho da chuva. Graças a nossa ignorância política que nos impede de dialogar com a esquerda, exigindo melhor atuação dos esquerdistas, retornamos aos mais tempos remotos da Velha República. A esquerda sempre será a melhor opção de gestão para qualquer nação e voltar ao velho direitismo significa voltar aos velhos problemas que acreditamos estar eliminados em nosso país.

Mas isso não importa para quem é conservador. O que interessa a eles é uma gestão moralizada e a satisfação das expectativas que a sociedade possui. Não interessa muito a melhoria na qualidade de vida ou no fim das injustiças sociais. Garantir o bem estar particular desses conservadores e apresentar uma gestão que se encaixe com os estereótipos de honestidade e eficácia, já é o suficiente. 

Isso explica porque as pessoas mais conservadoras (que ignoram muitos aspectos da realidade cotidiana) aceitam a PEC 241, a eliminação de direitos e até o sadismo contra aqueles que não se encaixam em seu conceito de "gente". 

Por não terem sido educados com o senso de humanidade, senso de coletividade e conhecimento político-econômico, preferem que as coisas aconteçam de forma mais simplória, como nas obras de ficção, com um super-líder decidindo o que deve ou não ser feito.

Assim caminha o nosso país para uma reedição atualizada da Velha República, responsável por muito retrocesso que travará o país na sua perpétua condição de país sub-desenvolvido. Um Haiti de luxo e um pouco mais pomposo e alegre.

domingo, 30 de outubro de 2016

A incrível maturidade de Ana Júlia Ribeiro

Estamos vivendo tempos loucos no Brasil. Um a verdadeira multidão de analfabetos políticos cismou que entende mais de política do que o resto da população e resolve cometer suas atrocidades por pensar saber o que está fazendo. Uma das primeiras atitudes, obviamente, foi o golpe. Mesmo vitoriosos e com vários integrantes com grande vivência etária, esses analfabetos políticos não cessam de demonstrar a sua imaturidade, agindo como crianças teimosas e birrentas.

Na contramão dessa gente de muita idade e pouca razão, aparece uma menina de 16 anos que nos dá esperanças em um futuro melhor. Essa menina que nem atingiu a maioridade legal, demonstrou de maneira clara, tranquila, uma sensatez, além de lucidez e maturidade muito superiores a que todos os direitistas têm juntos. O nome dela é Ana Júlia Ribeiro, que vive em Curitiba, hoje, uma cidade governada pelo Fascismo.

Ela foi convidada pela Assembléia Legislativa do Paraná para explicar os motivos da ocupação. E mesmo sendo aluna e não professora, deu uma impressionante aula aos presentes. Um dos deputados até tentou censurá-la, quando ela questionou o fato de culparem os manifestantes pela morte de um aluno (atacado por um colega por motivos pessoais), mas prosseguiu com o seu brilhante discurso.

Questionou também a medieval Escola sem Partido, uma medida criada por políticos religiosos que pretende eliminar debates nas escolas, impondo uma espécie de "educação" mecânica e 100% direcionada para o mercado de trabalho. Sobre esta medida que pretende extinguir a verdadeira educação, Ana Júlia falou:

 “É uma escola sem senso crítico, é uma escola racista, homofobia. É falar para os jovens que querem formar um exército de não pensantes, um exército que ouve e baixa a cabeça. Não somos isso. Escola sem Partido nos insulta, nos humilha, nos fala que não temos capacidade de pensar por nós mesmos”.

Se não bastasse o brilhante e amadurecido discurso, Ana Júlia ainda deu a melhor definição da abominável Escola sem Partido, curto e direto. Ela acabou fazendo como devem os verdadeiros sábios, definindo tudo com poucas palavras. Certamente, Ana Júlia é o tipo de aluna que os criadores e defensores da Escola sem Partido sonham em nunca existir.

Obrigado, Ana Júlia Ribeiro, pela sua verdadeira aula de cidadania! Por um momento você deixou de ser aluna para ser mestre. A melhor dos mestres. Você me faz acreditar no futuro. Que venham muitos jovens como você, dispostos a transformar esta sociedade em algo melhor para se viver e conviver. Só em seu discurso pude aprender muitas lições que ficarão guardadas para sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma estoria comovente para ler, se emocionar e refletir

Vivemos em uma época de ódio e desconfiança. As crises que são causadas pelo cada vez mais irresponsável Capitalismo tem tornando escassos muito bens essenciais. Na disputa por eles, acabamos desenvolvendo desconfiança e inimizade. Está cada vez mais difícil amar os outros.

Mas há quem ame de verdade e não se conforme com esta onda de ódio. Eu mesmo pensava que no século XXI estaríamos mais capazes não somente a pensar mas a amar também. Poucos sabem, mas o verdadeiro amor vem da razão. Compreendendo melhor a essência humana e seus problemas, somos capazes de sentir afeto e de atos altruísticos, feitos com mais eficiência.

Estava visitando o site de curiosidades Mini Lua e me deparei com esta sensível tirinha que tem uma meiga jovem como protagonista. Me identifiquei com ela pois passei pela situação narrada, infelizmente mais de uma vez. Vocês devem estar imaginando que o meu balão em forma de coração está mais do que surrado e remendado.

Leiam a estorinha sensível que me comoveu profundamente e me comove toda vez que leio. Em tempos de ódio, desprezo e relações por interesse, a situação narrada se torna mais comum nas vidas das pessoas realmente sensíveis, capazes de entender que a felicidade é algo para ser compartilhado, do contrário que muita gente (sobretudo os que seguem ideologias de direita) vive a defender.







terça-feira, 25 de outubro de 2016

Capitalismo, teu nome é solidão!

ESPREMENDO A LARANJA: O ser humano é um ser social. O brasileiro é ainda mais social. A vida social é uma prioridade para o brasileiro. Em nome da satisfação alheia, os brasileiros são capazes de moldar a sua personalidade, gostos, ideias, hábitos, crenças. Chegam a fazer o que detestam com a finalidade de manter contatos sociais. Até a onda direitista,  ominante no Brasil de hoje, tem muito a ver com esse negócio de agradar aos outros, sobretudo aos mais influentes.

Mas ao mesmo tempo isso tudo gera uma ilusão, pois o contato humano não é condicionado pelo afeto, mas pelas circunstâncias e pelos interesses. Na verdade, as pessoas forjam seus contatos, muito mais na intenção de satisfazer um instinto do que realmente criar um laço sincero entre seres humanos. É complicado entender isso. Mas o que se pode concluir que apesar disso, a solidão aparece como o ameaçador mal do século XXI. 

Estamos cada vez mais incapazes de entender-nos uns aos outros. A teimosia em transformar opiniões em patrimônios e a confusão entre fato e convicção, razão e crença tem sido motivo principal e até exclusivo de muitas brigas. Perdemos a capacidade de dialogar com sensatez. Cada um defende as suas tolas convicções como se fossem barras de ouro.

O texto abaixo fala bastante sobre a crise social em que encontramos. Acrescento que devemos pensar muito sobre o que estamos fazendo com nossos contatos. Não está mais do que na hora de aprendermos a ouvir a opinião alheia, analisar e debater para chegar a uma conclusão lógica, onde ideias equivocadas possam ser desfeitas e criar um consenso que seja resultante da lógica e não da necessidade forçada de pensarmos igual para agradar aos outros.

Capitalismo, teu nome é solidão!

George Monbiot, com  tradução de Inês Castilho, site Outras Palavras

O que poderia denunciar mais um sistema do que uma epidemia de doença mental? Pois ansiedade, estresse, depressão, fobia social, desordens alimentares, automutilação e solidão atingem cada vez mais pessoas em todo o mundo. A última ocorrência - divulgação de dadoscatastróficos a catástrofe dos sobre saúde mental das crianças inglesas - reflete uma crise global.

Há muitas razões secundárias para esse sofrimento, mas a causa fundamental parece ser a mesma em todos os lugares: os seres humanos, mamíferos ultrassociais cujos cérebros estão conectados para responder uns aos outros, estão sendo separados. Mudanças econômicas e tecnológicas, assim como a ideologia, desempenham o papel principal nessa história. Embora nosso bem-estar esteja indissociavelmente ligado à vida dos outros, onde quer que estejamos dizem-nos que só prosperamos pelo auto-interesse competitivo e extremo individualismo.

No Reino Unido, homens que passaram a vida inteira em espaços públicos - na escola, na universidade, no bar, no parlamento - nos doutrinam para que permaneçamos sozinhos. O sistema educacional torna-se a cada ano mais brutalmente competitivo. O emprego é uma luta quase mortal com uma multidão de outras pessoas desesperadas caçando empregos cada vez mais raros. Os modernos feitores dos pobres atribuem à culpa individual a circunstância econômica. Intermináveis competições na televisão alimentam aspirações impossíveis, no exato momento em que as oportunidades reais estão cada vez mais reduzidas.

O consumismo preenche o vazio social. Mas, longe de curar a doença do isolamento, intensifica a comparação social a ponto de, depois de consumir todo o resto, começarmos a ser predadores de nós mesmos. As mídias sociais nos unem e nos separam, possibilitando que quantifiquemos nossa posição social e vejamos que outras pessoas têm mais amigos e seguidores do que nós.

Como Rhiannon Lucy Cosslett documentou brilhantemente, meninas e jovens mulheres alteram, como rotina, as fotos que postam para parecer mais bonitas e mais magras. Alguns celulares com dispositivos “de beleza” fazem isso sem que você peça; agora você, magra, pode tornar-se sua própria inspiração. Bem-vindo a uma distopia pós-Hobbesiana: uma guerra de todos contra todos

Haverá algum encantamento nesses mundos interiores solitários, nos quais tocar foi substituído por retocar, e mulheres jovens estão se afundando de agonia? Estudo recente realizado na Inglaterra sugere que uma em cada quatro mulheres entre 16 a 24 anos automutilaram-se e uma em cada oito sofrem de distúrbio de estresse pós-traumático. Ansiedade, depressão, fobia ou distúrbio compulsivo-obsessivo afetam 26% das mulheres nesse grupo etário. Parece ser uma crise de saúde pública.

Se a ruptura social não é tratada tão seriamente quanto um membro quebrado, é porque não podemos vê-la. Mas os neurocientistas podem. Uma série de artigos fascinantes sugere que a dor social e a dor física são processadas pelos mesmos circuitos neurais. Isso pode explicar arazão por que, em várias línguas, é difícil descrever o impacto da ruptura de vínculos sociais sem as palavras que usamos para designar injúria e dor física. Tanto em humanos quanto em outros mamíferos sociais, o contato social reduz a dor física. Essa é a razão por que abraçamos nossas crianças quando elas se machucam: o afeto é um analgésico poderoso. Opiáceos aliviam tanto a agonia física quanto a angústia da separação. Talvez isso explique a ligação entre oisolamento social e a drogadição.

Experimentos resumidos no jornal Psicologia & Comportamento do mês passado sugerem que, diante de uma escolha entre dor física ou isolamento, os mamíferos sociais escolherão a primeira. Macacos-prego mantidos sem alimento e contato por 22 horas irão juntar-se a seus companheiros antes de comer. Crianças que experimentam negligência emocional, segundo certas descobertas, sofrem piores consequências de saúde mental do que crianças que sofreram tanto negligência emocional quanto abuso físico: apesar de hedionda, a violência envolve atenção e contato. A automutilação é frequentemente usada como forma de tentar aliviar sofrimento: outra indicação de que a dor física não é tão ruim quanto a dor emocional. Como o sistema prisional sabe muito bem, uma das formais mais efetivas de tortura é o confinamento em solitária.

Não é difícil perceber quais podem ser as razões evolucionárias para a dor social. A sobrevivência entre os mamíferos sociais é significativamente ampliada quando eles estão ligados por fortes laços ao resto do grupo. Os animais isolados e marginalizados são os que mais provavelmente serão apanhados por predadores, ou morrerão de fome. Assim como a dor física nos protege de lesões físicas, a dor emocional nos protege de danos sociais. Ela nos leva a nos reconectar. Mas muita gente acha isso quase impossível.

Não é surpresa que o isolamento social esteja fortemente associado a depressão, suicídio, ansiedade, insônia, medo e percepção de ameaça. Mais surpreendente é descobrir o leque de doenças físicas que ele causa ou exacerba. Demência, pressão sanguínea alta, doenças cardíacas, AVCs, queda de resistência a vírus, até mesmo acidentes são mais comuns entre pessoas cronicamente solitárias. A solidão tem umimpacto na saúde física comparável a fumar 15 cigarros por dia: parece aumentar o risco de morte precoce em 26%. Isso se dá, em parte, porque eleva a produção do hormônio do estresse cortisol, que inibe o sistema imunológico.

Estudos realizados tanto em animais como em humanos sugerem uma razão para o bem-estar alimentar: o isolamento reduz o controle dos impulsos, levando à obesidade. Como aqueles que estão na base da pirâmide socioeconômica são os que têm maior probabilidade de sofrer de solidão, será esta uma das explicações para a forte ligação entre baixo status econômico e obesidade?

Qualquer pessoa pode perceber que algo crucial — muito mais importante do que a grande maioria dos problemas que nos atormentam — deu errado. Por que razão continuamos mergulhados neste frenesi de autodestruição, devastação ambiental e deslocamento social, se tudo o que isso produz é uma dor insuportável? Essa pergunta não deveria queimar os lábios de todos os que estão na vida pública?

Há instituições de caridade maravilhosas fazendo o que podem para lutar contra essa maré. Trabalharei com algumas delas como parte do meu projeto sobre solidão. Mas, para cada pessoa que elas alcançam, muitas outras são deixadas para trás.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Gozado. Nunca gostei de música infantil. Nem quando eu era criança.

Engraçado. Eu devia ter sido um menino superdotado, precoce ou alguma coisa parecida, pois eu nunca gostei de música ou de festinhas infantis. Nunca tiveram graça. Claro que na época não chegava a pensar sobre isso, nem sabia porque não gostava. Mas sabia que não gostava.

Engraçado que atualmente vemos muitos adultos cantarolarem as bestas canções infantis. Interessante como os adultos tratam as crianças como debilóides, como se a mente das crianças fosse uma caixa vazia, sem informações esperando que o mundo-burro dos adultos as "ensine" para que o cérebro delas passe a "funcionar".

Ainda mais quando vivemos num tempo onde até as músicas feitas para adultos tem características infantiloides. Já ouviram aquela do Exaltasamba que pergunta se uma mulher tem dono? Parece música de tantã! Só comediantes e cretinos conseguem compor uma idiotice como essa. Ivete Sangalo? Xiiii, essa só consegue gravar músicas infantis... Sem falar no Wesley Safadão, que fica 2/3 do tempo de cada uma de suas apresentações falando um monte de bobagens para no resto cantar música ruim.

É bom os adultos pararem de tratar criança feito doente mental. Com o andar dos tempos, muitos jovens vão aprendendo a observar melhor a realidade, se tornando mais capazes de propor soluções, mesmo em um momento cheios de injustiças e desigualdades.

Eu pelo menos nunca gostei de ser tratado feito idiota. Nem quando eu era bem "pequetitinho".

terça-feira, 20 de setembro de 2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que passa na mente de um fascista

Infelizmente, do contrário que deveria ser, a intolerância vem crescendo de forma assustadora em nosso país. Com a intolerância, veio o Fascismo, que é uma ideologia intolerante. Mas o que há no Brasil não é necessariamente o Fascismo de Mussolini.

Há quem diga que o fascismo do ditador italiano é mais um dos vários tipos de Fascismo (o Nazismo também é e pode-se considerar também o pseudo-socialismo de Stalin). Possivelmente, Mussolini pode ter esquematizado e transformado o fascismo em doutrina.

De qualquer forma, o fascismo está infelizmente em alta no mundo e também no Brasil. Não que ele tenha surgido agora, mas o apoio de instituições tradicionais a destituição dos governos petistas tem dado coragem aos fascistas, tradicionalmente na clandestinidade, para se manifestarem. Ou seja, os fascistas agora tem apoio legal para agirem. Caso sejam pegos pelos seus excessos, é só utilizar a velha desculpa de "defesa da pátria, da honra e de valores nobres" e tudo está resolvido.

O Fascismo se caracteriza pela escolha de uma classe ou povo privilegiado e pela intolerância violenta contra aqueles que não se encaixam nos valores defendidos pelos fascistas. Fascistas são bem agressivos contra aqueles que se opõe a seus estereótipos e a sua ideologia.

Um detalhe curioso é que fascistas sentem a necessidade de ter um inimigo para justificar seu ódio e agressividade. Como são "educados" para a agressividade, eles tem que encontrar algo que a justifique, que a torne legítima e aceitável. Se um inimigo não existe, eles tratam logo de inventá-lo. Sabem muito bem que se forem agressivos sem justificativa, podem ser punidos.

Fascistas são mais egoístas, teimosos e agressivos que os intolerantes comuns. São claramente paranoicos e passam a maior parte de suas vítimas caçando inimigos para exterminar. Sonham com um mundo onde somente eles existam e em tempos de crise e escassez de bens, fascistas agem como feras famintas, ignorando qualquer obstáculo que impeça-os de eliminar quem eles quiserem.

Por incrível que pareça, fascistas nunca são ateus. O Fascismo em si tem características de religião e muitos de seus pontos de vista são construídos com base na crença e não na racionalidade. Como os cristãos, elegem eles mesmos como "povo escolhido" e os inimigos escolhidos (aqueles que correspondem ao oposto de seus valores) são definitivamente endemoniados.

Fascistas não se consideram fascistas. Não raramente colocam este rótulo justamente nos seus alegados inimigos. Fascistas se consideram "homens de bem" (este é o nome pelo que eles preferem ser conhecidos) e defendem valores supostamente elevados, como patriotismo e a humanidade. Embora achem que "humanidade" seja apenas os seus assemelhados e os seus concordantes.

É urgente o cuidado com fascistas. Muitos deles se sentem seguros nas redes sociais para cometer suas atrocidades. São gente teimosa, que detesta diálogo e que luta com bravura pelo seu conjunto de valores, tratado por eles como um valioso patrimônio.

O recomendável é nunca debater com um fascista, Fascistas devem ser ignorados. É também indispensável ocultar características que soem ameaçadoras às convicções dos fascistas. Fascistas só conseguem enxergar o próprio senso de moral e se eles acharem necessário, são capazes de assassinar qualquer um que desafie os seus pontos de vista retrógrados.

É preciso que autoridades criminalizem o Fascismo e punam os fascistas. Infelizmente, algumas mas importantes reivindicações dos fascistas casam com as orientações políticas das instituições que criam, executam e protegem as leis. Infelizmente será preciso que os fascistas concluam suas atrocidades para que a lei possa agir.

Gostaria que não fosse assim. Muitos inocentes poderão se dar muito mal diante desse relaxamento das leis. Eu queria mesmo que a lei usasse a prudência e criminalizasse o fascismo. Mas os fascistas se consideram "homens de bem", fazer o quê? Quem vai querer condenar um "homem de bem?...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Bullying, uma forma particularmente danosa de violência

ESPREMENDO A LARANJA: O Bullying arruinou a minha vida. Os problemas sociais afetivos e profissionais que tenho são sequelas de uma adolescência humilhante, onde fui ridicularizado por gente que pensava que era melhor do que eu (e claramente não era e nem é). Combater essa praga, incurável em uma sociedade competitiva e consumista, onde o objetivo de quase todos é um ser melhor que o outro, através de atitudes estereotipadas e acúmulo de bens e direitos, é quase impossível. Mas muita gente, felizmente, se esforça para acabar com este mal, denunciando e propondo soluções. A entrevista abaixo mostra um desses esforços.

O texto abaixo é meio antigo. Mas o que é dito nele em boa parte continua valendo e deve ser lido para que possamos compreender e combater este mal que cresce a cada dia, das mais variadas formas, graças a intolerância e teimosia, raízes da onda de ódio e desconfiança que domina as relações humanas dos últimos anos.

Entrevista com Marcos Rolim: Bullying, uma forma particularmente danosa de violência.

Blogue Mundo em Colapso  

Marcos Rolim é jornalista formado pela UFSM, especialista em segurança pública pela Universidade de Oxford (UK)  e mestre em sociologia pela UFRGS, onde está concluindo seu doutoramento. É professor da Cátedra de Direitos Humanos do Centro Universitário Metodista (IPA) e coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). Atua, ainda, como consultor em segurança pública. É autor, entre outros trabalhos, de "Bullying, o pesadelo da escola" (Dom Quixote) e "A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI" (Zahar/Oxford University).

Entrevista concedida e publicada no dia 14 de Fevereiro de 2013.

MUNDO EM COLAPSO:  Você acredita que o acesso da população a armas de fogo é a principal diferença que evita aqui os ataques psicopatas que acontecem nas escolas Estadunidenses?

MARCOS ROLIM: As armas de fogo se transformaram em um problema de saúde pública nos EUA. Elas estão presentes em, pelo menos, 35 mil mortes e em mais de 100 mil ferimentos a cada ano nos EUA. Os Estados Unidos tiveram, em 1997,  34.436 mortes por armas de fogo. Deste total, 54% foram casos de suicídios (16.166), 42% foram homicídios (15.289) e 3% casos de mortes acidentais (981 casos).  Uma média impressionante de 88 mortes por arma de fogo ao dia, das quais 12 são de jovens (CSGV, 2001). Nos EUA, dois terços dos homicídios são praticados com armas de fogo e, entre os jovens de 15 a 24 anos que foram vítimas de homicídios, mais de 80% deles morreram por conta dos ferimentos causados por armas de fogo (Cook et al. 1995). Em sua história recente, os EUA tiveram vários atentados com armas de fogo contra seus presidentes, como John Kennedy e contra líderes da luta pelos direitos civis, como Martin Luther King.  Para piorar o quadro, os EUA têm convivido com uma seqüência de massacres praticados com armas de fogo envolvendo, basicamente, duas situações: atiradores perturbados mentalmente, munidos de armas automáticas, que alvejam aleatoriamente pessoas na rua, e jovens armados que descarregam suas pistolas dentro de escolas, matando alunos e professores.

Massacres em escolas já ocorreram em outros lugares, inclusive no Brasil. Em 1996, houve o Massacre de Dunblane, na Escócia, um sujeito de nome Thomas Hamilton, 43 anos, matou 16 crianças entre 5 e 6 anos e um professor, em apenas três minutos de disparos antes de se suicidar. No mesmo ano, ocorreu a Tragédia de Port Arthur, na Austrália, que resultou na morte de 35 pessoas e em sérios ferimentos em outras 37. A tragédia ocorreu nas ruínas da Prisão-colônia de Port Arthur, um lugar muito freqüentado por turistas.  O responsável pelos disparos, Marin Bryant, 29 anos, usou um rifle semi-automáico para atingir suas vítimas.  Antes destes dois casos, houve o Massacre de Montreal, no Canadá, em 1989, quando Marc Lepine, 25 anos, com uma mini metralhadora, atingiu 28 estudantes e professoras, matando 14 jovens mulheres na Escola Politécnica da Universidade de Montreal. O tema central nestes massacres foi o acesso a armas semi-automáticas e automáticas. A diferença é que na Grã Bretanha, Austrália e Canadá, a opinião pública pressionou os respectivos parlamentos que aprovaram leis que baniram as armas de fogo ou restringiram radicalmente o acesso a elas. Nos EUA isto nunca ocorreu. Agora, depois do massacre mais recente, Obama está tentando aprovar uma lei de maior controle. As propostas já anunciadas, entretanto, são muito tímidas e, mesmo assim, enfrentarão forte resistência.

No Brasil, o Estatuto do Desarmamento criou uma nova realidade a partir de 2004, tornando mais difícil o acesso às armas e praticamente inviabilizando o porte. Mesmo antes desta lei, entretanto, nunca tivemos a facilidade de comprar armas automáticas e semi-automáticas como ocorre na maioria dos estados americanos. Isto faz muita diferença quanto à letalidade potencial.

MUNDO EM COLAPSO: O bullying é uma prática que acontece apenas em ambiente escolar ou ela está presente no trabalho, nos espaços de convivência, pela polícia, políticas públicas e dentro dos lares? Hoje em dia a palavra "Bullying está na moda e sendo usada para muita coisa, o que caracteriza exatamente o bullying?

MARCOS ROLIM: O bullying é uma forma particularmente danosa de violência e suas conseqüências podem ser muito graves. Para que ele ocorra são necessárias duas características básicas: a violência (em qualquer das suas manifestações) deve ser praticada entre pares – vale dizer: entre pessoas que não estão submetidas por relações hierárquicas, e deve ser repetida.  É a repetição da violência sobre as mesmas vítimas que torna o bullying especialmente destrutivo e que costuma transformar a vida dos atingidos em um inferno.  Com a banalização da expressão, há muito emprego equivocado do conceito. Já ouvi falar, por exemplo, de “bullying” de professor sobre aluno, ou vice-versa. Ora, professores e alunos estão em uma relação hierárquica, não são “pares”, logo não há, conceitualmente, a possibilidade de bullying aí.  Pode haver – e há – bullying entre professores, assim como há entre alunos. Outras vezes, o bullying é confundido com o assédio moral, fenômeno muito diverso.  O bullying pode ocorrer em qualquer espaço, desde que entre pares e de forma repetida. Muito comumente, as agressões se prolongam por anos. Elas podem envolver agressões físicas ou não. Práticas de humilhação e de isolamento, por exemplo, são mais comuns e podem ser piores que as agressões físicas.

MUNDO EM COLAPSO: Como estão as iniciativas anti-bullying atualmente em seu estado? Que políticas públicas estão sendo realizadas ou projetadas?

MARCOS ROLIM: O RS saiu na frente e foi um dos primeiros estados a ter uma legislação anti-bullying, com o projeto de autoria do vereador Mauro Zacher (PDT) aprovado pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Logo depois, uma iniciativa inspirada nesta lei municipal se transformou em lei estadual, por iniciativa do então deputado Adroaldo Loureiro.  Até hoje, entretanto, nem a prefeitura de Porto Alegre, nem o governo do estado, desenvolveram uma política pública com base nestas legislações. Para que isso ocorra seria preciso que os governantes se interessassem pelo tema e delineassem políticas específicas que envolvem, basicamente, investimentos na formação dos professores e das direções das escolas.

MUNDO EM COLAPSO: Em seu site existem alguns livros para encomendar, como autor você já conseguiu algum lucro?

MARCOS ROLIM: Meus livros costumam vender razoavelmente. A “Síndrome da Rainha Vermelha”, por exemplo, já vai para a terceira edição, o que é uma raridade em se tratando de literatura científica e sociológica no Brasil. Mas o que os autores recebem por conta de direitos autorais é, quase sempre, insignificante. Há outros trabalhos meus sobre os quais abri mão dos direitos autorais, como o estudo sobre as armas – “Desarmamento: evidências científicas (ou: tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse)” - que está disponível para download em minha página (www.rolim.com.br).  O melhor de escrever livros é ser lido. Escrever para mim é uma forma de lutar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Porque as pessoas quando mudam, é quase sempre para pior?

Estou profundamente magoado com a humanidade nos últimos tempos. Realmente a humanidade fracassou. E fracassou porque quis fracassar. Nos recusamos a evoluir em troca da satisfação de instintos mais mesquinhos. Aos poucos vamos negligenciando a nossa capacidade de raciocinar e sentir e voltamos ao primitivismo do reino animal. Cada dia isso fica mais evidente.

Fico me perguntando porque quando mudamos é quase sempre para pior? Porque na infância somos tão espontâneos, inteligentes e sensíveis e ao chegar já na adolescência nos livramos dessas qualidades sob a desculpa de entrarmos na concorrente lute pela sobrevivência? Será que para sobreviver é necessário ser maldoso e burro? Talvez seja, pois muitos "vencedores" nesta luta quase sempre injusta são comprovadamente maldosos e burros.

E não pense que estou apenas me referindo a pornografia, consumo de drogas e violência. Quase toda a sociedade está decadente de uma forma ou de outra. os religiosos, tão metidos a corretos nunca param de comprovar o que ateus omo eu vivem dizendo: que a moralidade das religiões é uma farsa criada apenas para servir de escudo quando as ilusões alegadas pela fé irracional forem questionadas. Interessante que todos que cometem algum tipo de atrocidade tem algum tipo de fé, mesmo que seja em ideologias político-econômicas de caráter nocivo como o fascismo e o Capitalismo, ou em personagens fictícios de jogos eletrônicos.

Toda a sociedade está falida. Até mesmo que propões melhorá-la se limita a medidas paliativas que não acabam com problemas, mas servem de compensação e consolação, ensinando a conviver com o problema do lado. É o que fazem quase todos quando se lembram de solidariedade, caridade, responsabilidade social e outros nomes lindos dados a atitudes que na prática resolvem quase nada. Muitas ONGs e pessoas fazendo caridade há muitos anos para tudo ficar como está. Se a caridade não melhorava coletividade é porque ela está sendo feita da maneira errada.

A onda de direitismo que cresce no país só veio para cerejar o bolo fecal da ignorância do povo brasileiro, que chega a ser pior do que a mundial. É o mundo todo está decaindo, mas o Brasil pretende acelerar a sua decadência. A impressão que tenho é que a burrice do brasileiro é uma vocação. A comemoração histérica do ouro no futebol em véspera da instalação de uma nova ditadura no país serve de um bom exemplo como ainda somos ignorantes e pueris. A brincadeira vem sempre em primeiro lugar. O dever, se der faz, se não der, se dane.

Outra coisa a observar é que estamos recuperando conceitos e costumes de tempos remotos. A nossa educação continua voltada exclusivamente ao mercado de trabalho. Pais e educadores jogam um para o outro a responsabilidade de formar a personalidade de uma criança, acabando no final com nenhum dos dois realizando a tarefa, que é infelizmente "cumprida" pela mídia mentirosa e tendenciosa e por amigos mal-intencionados.

 A cultura em geral retoma as características vigentes em 1945, guardadas as diferenças de atualização. Nos rádios toca-se uma espécie de teeny bop pseudo-erótico, tipo de música hegemônica entre os jovens de hoje em dia. Não se fazem mais letras inteligentes, salvo uma e outra exceção. Quase todos fazem música, cinema e outras manifestações artísticas por motivos financeiros, não hesitando em corromper suas obras em prol do lucro garantido.

Muitos fatores servem como comprovação de que estamos decaindo como seres humanos. Para completar essa decadência, estamos entrando em uma nova ditadura no Brasil. Nos EUA, mesmo não sendo o favorito, o empresário retrógrado Donald Trump consegue atrair muitas pessoas para o seu eleitorado. Governantes pelo mundo afora, salvo em nações mais evoluídas como as da região da Escandinávia, já demonstram incapazes de resolver problemas cotidianos.

Estamos falindo. Mas ha uma solução. Drástica para a grande maioria de pessoas: mudar de jeito. Ser mais racional e mais sensível, é esse o desafio. Nos livrar de crenças e parar de estabelecer conceitos com base na confiança depositada no emissor. Pessoas sempre mentem, evidência, não.

Mas como as pessoas, insistentemente teimosas por não querer sair de suas zonas de conforto, continuam agindo como sempre agiram, não esperemos melhorias para os próximos, digamos, 50 anos. A humanidade está falida mas só ela tem a poder de decisão para sair desta falência.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Escola sem Partido: a extinção de Educação

Se não bastasse os muitos direitos que serão cortados pelo governo Temer para agradar às elites que controlam o país, ainda poderemos ter a nociva degradação da educação conhecida com o hipócrita nome de Escola sem Partido. Para quem não sebe, um método de ensino com características medievais que pretende eliminar a intelectualidade do sistema de ensino, trocando por doutrinação política retrógrada somada a proselitismo religioso de orientação cristã.

De fato, a Escola sem Partido (que na verdade tem partido sim: seus criadores e difusores são membros de partidos de direita ligados a seitas evangélicas) representa a extinção da educação. A partir de sua implantação, professores não poderão mais ensinar, se limitando a transferir informações cruas que não devem ser debatidas. E essas informações não podem ir contra as convicções pessoais de setores mais conservadores, incluindo os criadores das mesmas.

Apesar de medieval, a Escola sem Partido irá lançar mão da tecnologia para vigiar professores para que eles não desobedeçam as "orientações" deste sistema. Professores que tentarem estimular o intelecto dos alunos serão "convidados" a "conversar" com diretores e poderão ser demitidos ou nos piores casos, presos ou torturados. Para os conservadores vale tudo ara manter seus interesses intactos.

A intenção é estimular um clima de submissa entre os alunos, um respeito as hierarquias e ao modo de pensar conservador. Criar uma sociedade preconceituosa e que impeça que "minorias" sejam impedidas de ter direitos por não se enquadrarem aos preconceitos cristãos-capitalistas. Um sistema social que legitima as injustiças e as desigualdades sócio-econômicas.

Além de estimular a criação de uma sociedade preconceituosa e de mentalidade arcaica, a Escola sem Partido elimina a essência da verdadeira educação. A educação deve estimular o desenvolvimento intelectual e a análise dos fatos. A Escola sem Partido faz exatamente o oposto, fazendo com que a sociedade brasileira, que já é tradicionalmente avessa a racionalidade, seja ainda mais ignorante do que já é. Ao invés de eliminarmos a ignorância tradicional, a aumentaremos, talvez a ponto da quase irracionalidade.

Isso é extremamente grave, pois estamos em um século que futurólogos do passado afirmaram ser uma era de evolução. A Escola sem Partido é um desserviço à sociedade e poderá gerar graves danos que serã muito difíceis de ser consertados. Façamos tudo para que a Escola sem Partido nunca seja posta em prática. Com a Escola sem Partido, será o fim da humanidade como conhecemos.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O ódio conservador nasce do egoísmo

Vivemos em tempos tristes. Se não bastasse termos agora um governo corrupto que se prepara para arrasar com o cotidiano de muitos brasileiros, temos a onda de ódio gerada por grupos ideologicamente conservadores que agridem qualquer um que não compartilhe de suas convicções pessoais.

É um bom sinal de retrocesso. Além do governo nos devolver a tempos passados bem remotos, quando não tínhamos direito a dignidade no trabalho e no cotidiano, ainda temos jovens (sim, jovens!) desejosos por ais retrocesso, incluindo o de reservar o bem estar apenas para aqueles que se simpatizam com suas causas, chegando a desejar a morte de oponentes.

Estamos no século XXI, em que futuristas do passado definiam como uma época de avanços e somos testemunhas do mais irresponsável dos retrocessos. A onda de ódio que nos faz todos suspeitos e desconfiados ao mesmo tempo. Em que pessoas se afastam pelo menor dos motivos, por algo que poderia ser resolvido por uma simples conversa. Se estivéssemos dispostos a ouvir e a mudar de ideia, caso necessário. Mas nunca estamos.

Seria surpreendente esta onda de ódio se esquecermos que o egoísmo está em moda. Em tempos de crise, as pessoas tendem a agarrar com firmeza seus bens e direitos, incluindo privilégios e supérfluos. Estamos com medo de perder até mesmo aquilo que não precisamos. Por isso rosnamos feito bestas-fera contra aqueles que soam ameaçadores a nós.

Acreditei que neste início de século seríamos mais unidos. Aprenderíamos a conviver uns com os outros. Chegaríamos a um consenso, sabendo diferir opiniões de fatos, após conversas inteligentes e respeitosas. Nada disso está sendo posto em prática. Lentamente vamos regredindo e retomando os nossos mais bestiais instintos. Tudo para defender coisas que ficarão por aí, após morrermos.

Sinto que teremos que aprender tudo de novo. Demos um imenso passo para trás. Será que as experiências dolorosas do passado terão que voltar para tentar nos educar melhor e colocar-nos de volta ao caminho da evolução?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Os conservadores terão que sofrer para conhecer os problemas do povo e a crueldade dos capitalistas



Com a onda de ódio e egoísmo veio a volta do direitismo. Ideias conservadoras voltaram a tona porque as elites e outros tipos de pessoas privilegiadas se desesperaram ao perceberem que com o avanço da sociedade, teriam que abrir mão de suas convicções e repartir o excessivo supérfluo que possuem. Para não largar o osso, resolveram reagir.

Mas esses novos egoístas, que se não praticam o egoísmo de individuo, praticam o egoísmo de grupo, ou seja, só conseguem ser altruístas com seus assemelhados, mal sabem que os tempos são outros e exigem uma nova atitude, cada vez mais altruística.

Os conservadores falam muito que se "tem que salvar o país". Mas o que é o país para eles? Certamente um ser abstrato simbolizado pela bandeira, pelo hino e pela "seleção" brasileira de futebol. Para os conservadores, o povo na faz parte dessa nação. Até porque os conservadores lançam mão de desejar a morte de várias pessoas, caso fosse necessário. O importante é salvar a entidade abstrata chamada "Brasil". O povo brasileiro que se dane.

Os conservadores agem assim porque acreditam estar numa posição protegida, inviolável. Para eles, aconteça o que acontecer, os problemas nunca os atingirão. Temer e sua equipe de sádicos pode tomar a pior decisão de todas que os conservadores se acreditam imunes a qualquer dano. Será?

Isolamento das elites favorece a defesa de governos incompetentes ou sadicos

Os conservadores se esquecem que: primeiro, Temer é um político e não um justiceiro. Segundo: Temer governa para todos, progressistas e conservadores. As decisões dele também vão interferir no cotidiano dos conservadores. E se depender de que decisão seja, os conservadores também vão se dar mal com elas, sofrendo danos que podem ser até mais desagradáveis que os dos outros, que já esperam que um governo como esse traria problemas para o país.

Muitos dos conservadores, sobretudo os mais abastados, vivem isolados em seu mundinho da fantasia. Ignoram a realidade que só conhecem por meio dos aparelhos de televisão. Vivem apenas em lugares fechados e/ou isolados, se limitam ao trajeto casa-carro-trabalho e vice versa, evitando todo e qualquer contato com o exterior. Seu mundo encantado protegido por paredes e muros e muito bem refrigerado é muito distante do mundo real que existe, mas é eliminado de suas vistas.

É muito fácil para uma pessoa que vice trancada em seu mundinho particular não se importar com um governo como o que se instala no Brasil. O que Temer poderá decidir vai influenciar na realidade que não faz parte das vidas de nossas elites. 

A instalação do caos

Mesmo que os problemas ameacem atingi-las, essas elites possuem meios de fugir desses problemas nem que tenham que sair do próprio  país. O mesmo país que fingiram defender quando estiveram nas patéticas passeatas anti-PT, vestidos com a camiseta da corrupta CBF e apoiando partidos tradicionalmente corruptos.

Mas é preciso que esta elite e seus apoiadores e concordantes sofram para conhecer a realidade que os cercam. É preciso saber que muita gente vai ter as suas vidas completamente arruinadas por causa das decisões a serem tomadas. As desigualdades aumentarão, as injustiças serão mais frequentes e a crise, que supostamente seria combatida, irá aumentar. Como maior carga horária de trabalho por um salário menor, deixaremos de ter trabalhadores para produzir e compradores para movimentar a economia. Temer não sabe, mas está dando o pontapé inicial para a instalação do caos em nosso país.

Talvez quando esse caos chegar e ficar mais evidente, os conservadores percebam a burrada que cometeram, já que esse caos irá os atingir. Assim as elites que vivem trancafiadas em seu mundo maravilhoso de ilusão capitalista conheçam a realidade, algo de que viviam fugindo o tempo todo, mas que sempre arruma um jeito de afirmar que ela existe.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ainda sobre o Autismo Coletivo

Falamos recentemente sobre o autismo coletivo, nome que eu dei a capacidade da sociedade de perder a noção dos limites entre o real e o virtual, fazendo com que cada indivíduo construta sua "realidade" particular com base em suas convicções e na sua interpretação, não raramente equivocada, da realidade.

As religiões, a mídia e agora a internet tem contribuído muito para que as pessoas tenham uma visão distorcida, mas pessoal da realidade. E por isso que uma onda de ódio se instalou no país: cada um quer impor o seu mundinho particular como "real". Mas todos ignorando o mundo real de fato.

A grande mídia, ao invés de informar a todos o que acontece de fato, se aproveita dessa confusão e atiça ainda mais a discordância das pessoas sobre o que é real e o que não é. A semiologia mostra que há meios inclusive de agravar essa confusão, manipulando mentes como uma boa forma de imobilização social a garantir a permanência das injustiças e manter os privilégios das elites.

Manter a população longe da realidade é bom para os poderosos. A sociedade pode até não gostar de ser enganada, mas não raramente ela é enganada sem saber. A confusão entre realidade e virtualidade é tanta que favorece o surgimento de várias contradições. E não é raro ver heróis e vilões trocarem de posições no imaginário popular.

O que é necessário para que as pessoas possam voltar a realidade parece simples: desenvolver um bom discernimento e criar a capacidade de observar as coisas com bom senso. Mas isso é complicado para uma população muito mal-educada (nossa educação só serve para o mercado de trabalho) e que é considerada a terceira mais burra do mundo, com uma qualidade de vida que só é um pouco melhor que os miseráveis países da África.

Enquanto as pessoas não aprendem a discernir, continuamos a ver muitos ignorantes a impor suas "realidades" particulares como "verdadeiras". Até vermos aumentar os danos causados pela má compreensão da realidade, aquela de que todos fogem e se recusam a melhorar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O Autismo Coletivo

Desde que surgiram as religiões e depois, os meios de comunicação, a sociedade tem, aos poucos se afastado da realidade. Como o surgimento das redes sociais isso se agravou e hoje temos uma multidão imensa que não conhece mais os limites entre o real e o virtual.

Claro que há uma tendência instintiva de cada pessoa de construir o seu mundo particular dentro de cada mente, baseando na forma de como entende o mundo. Mas a coisa chegou a ponto das pessoas considerarem o seu mundo interior o mundo real, o que leva a muitas brigas com defensores de outros "mundos" e com os poucos que conseguem perceber a realidade.

Eu falei que a religiosidade foi pioneira na iniciativa de tirar as pessoas da realidade. Religiões são mitologias e seus dogmas são lendas. Seus personagens nunca tiveram sua existência comprovada e somente a obrigatoriedade da fé, que na verdade é um tipo de credulidade, garante a defesa desse mundo fantasioso como se ele fosse real. Ou seja, não só a religiosidade foi pioneira em tirar as pessoas da realidade como foi a pioneira em confundir os limites entre o real e o virtual.

Aí vieram os meios de comunicação e surge mais uma etapa na fase de confusão entre realidade e virtualidade. Ainda mais que muitas obras de ficção, criadas outrora como meras formas de entretenimento, acabam por "sugar" seus expectadores para o mundo virtual chegando a fazer com que muitos deles transfiram para a realidade o conteúdo dessas obras.

Mas a coisa piora com o surgimento das redes sociais. Antes delas, mesmo com a internet ativa e popular, a World Wide Web (Rede Ampla Mundial) agia como um meio de comunicação tradicional. Com as redes sociais, o próprio usuário começa a participar na emissão de informações. O que seria maravilhoso se estivéssemos intelectualmente preparados. E não estamos.

Fugindo da realidade para torná-la pior e fugir dela de novo

A deterioração intelectual iniciado gradualmente no final dos anos 60 como forma de combate ao que era entendido como "movimento hippie" e as conquistas sociais condenadas pelos conservadores que ainda se instalavam em importantes postos do poder, e agravada nos anos 90, gerou uma verdadeira epidemia de emburrecimento que até hoje não dá sinais de que será curada. 

Embora ignorantes, a maioria das pessoas se acha inteligente e emite suas toscas opiniões como se fossem verdades absolutas não raramente ameaçando quem tentar provar a inviabilidade de muitas ideias lançadas. Para piorar as coisas, se um ignorante se encontra em posição social privilegiada e graças a isso, possui prestígio o suficiente para conseguir convencer um numero grande de pessoas, aí ferrou tudo. E o que eu chamo de "Autismo Coletivo" se instala e se consagra.

Este tipo de autismo em que multidões imensas acabam distorcendo fatos da realidade a seu bel prazer tem feito uns bom estragos na realidade real (desculpe o pleonasmo, mas ele aqui é necessário). Em pleno seculo XXI caminhamos para trás a ponto de desejarmos de volta os danos que tivemos no passado, na tentativa tola de mantermos nossas mais pessoas convicções. Ou melhor, manter intacto nosso mundinho particular de crenças infantis.

E o mais alarmante é que essa nossa teimosa saída da realidade nos faz sair ainda mais da realidade, agravando o já grave Autismo Coletivo. Estamos todos querendo fugir da realidade que nos incomoda, ao invés de nos unirmos para consertá-la e torná-la melhor. Fugir tem sido a nossa habitual iniciativa. Mas continuaremos a deixar a realidade real piorar cada vez mais, gerando um círculo vicioso que nos aprisionará eternamente nas pseudo-realidades que nos confortam?

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sociedade cria estereótipo para criminosos que pode prejudicar reputação de pessoas introvertidas

Toda vez que acontece algum tipo de atentado cometido por indivíduos (os cometidos por grupos não enfatizam isso) a sociedade, com a ajuda da mídia, sempre enfatiza o fato de que terroristas ou homicidas são pessoas solitárias, tímidas, com poucos amigos e gostos estranhos. Mesmo que isso não seja verdadeiro.

Há um estereótipo de que pessoas solitárias e introvertidas sejam cruéis. A sociedade acredita que pessoas com dificuldade de sociabilização podem se rebelar contra a sociedade que os excluiu ou com os problemas que possui em seu cotidiano graças a dificuldade de se relacionar com os outros.

Isso não é verdade, pois além de existirem criminosos simpáticos, extrovertidos e cheios de amigos, há pessoas solitárias de  boa índole e mente equilibrada que por algum motivo (em geral gostos e convicções) tem dificuldade de sociabilizar, mas sem querer fazer mal a uma formiguinha.

Eu mesmo sou uma pessoa meio fechada. Tenho gostos e convicções diferentes da maioria e como vivemos em tempos de ódio (sobretudo por causa da onda direitista em que vivemos - ideais de direita costumam ser anti-humanos, preferindo preservar patrimônios, valores e instituições), me tornei uma pessoa desconfiada. Mais fácil os outros me prejudicarem do que eu prejudicar os outros.

Por outro lado há criminosos socialmente estabilizados. O desejo de cometer crimes não tem a ver com o objetivo de destruir a sociedade e sim para a satisfação de interesses particulares. A intenção de muitos criminosos é eliminar quem atrapalha seus interesses e normalmente não costumam prejudicar os que não atrapalham, principalmente os de seu círculo social.

Tenhamos cuidado em não criar estereótipos. Observemos as circunstâncias e usemos o bom senso para que não punamos inocentes e libertemos culpados. Estereótipos são marcas que não raramente correspondem a falsos conceitos. Estejamos atentos a eles!

terça-feira, 12 de julho de 2016

O que leva uma linda campeã de um concurso de beleza a se matar

Recentemente falamos sobre depressão e o estopim para tocarmos no assunto foi a morte misteriosa da Miss Brasil 2004 Fabiane Niclotti. Até o fechamento desta postagem o modo de como ela foi morta não havia sido confirmado. Mas fortes indícios indicam que foi suicídio. Segundo pessoas mais próximas, ela pretendia encerrar a sua vida.

Fiquei pensando bastante sobre o que leva uma mulher linda, campeã de um concurso de beleza, ganhadora de um farto prêmio em dinheiro, com fama e a admiração de muitos fãs a querer encerra a sua vida. parece absurdo para muitos, mas não é impossível. Uma das pistas, por incrível que pareça, foi dada por um de seus amigos: ela era "acima de tudo, inteligente".

E o que inteligência tem a ver com o fato dela ter se matado? Tudo. Sabe-se que a inteligência nos dá a capacidade de compreendermos melhor a realidade, que costuma não ser boa graças a ganância da maioria das pessoas, principalmente dos que estão na parte de cima do status quo. É confirmado o fato de que pessoas inteligentes entram mais facilmente em depressão enquanto as pessoas mais felizes são as que costumam raciocinar menos. Talvez a miss tenha caído na real sobre o mundo ilusório de beleza em que se meteu.

É fato de que a beleza na verdade é um critério subjetivo. Padrões mudam e muitas coisas podem parecer belas para uns e horrendas para outros. E a beleza nem sempre significa garantia de felicidade. E acredite, mulheres lindas podem sofrer, pois a chance de serem reduzidas a meros objetos de culto estético, ofuscando suas verdadeiras qualidades pessoais, é muito grande.

Bem provável que Fabiane estivesse desiludida do mundo das misses. Ela, que segundo amigos, possuía muitas qualidades, não quisesse ser vista apenas como uma mulher bonita. Niclotti gostaria que suas qualidades pessoais se sobressaíssem, mas a fama de mulher excessivamente bonita não deixava. Provavelmente o medo de ser estigmatizada como mero mito da beleza a assustasse, limitando e até prejudicando a sua vida pessoal. 

De qualquer forma é triste saber que uma pessoa tão linda e cheia de qualidades com um futuro promissor não conseguiu aguentar as pressões de uma sociedade cada vez mais exigente e injusta e que não conseguiu enxergar a exemplar cidadã Fabiane Niclotti por trás da bela, mas ilusória imagem de Miss Brasil 2004 que esta sociedade estava acostumada a ver. 

Infelizmente Fabiane se foi. Mas a Miss Brasil 2004 sobrevive, pois é a única que se apresentava diante dos que não conheceram de perto a maravilhosa pessoa que era Fabiane. 

Vá em paz, amiga. Sua beleza interior é eterna.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Depressão, o mal do século, cada vez aumenta

Quando o Século XXI começou, já percebíamos através de indícios que a depressão atingiria muitas pessoas. As constantes crises, a ganância das classes dominantes e os problemas que nunca se encerram nos dão muitos motivos para isolarmos em um canto e chorarmos.

E finalmente estamos no tal século, que segundo os futuristas seria uma época de avanços. Mas a evolução tecnológica, alem de sem bem aquém à previsões especuladas, não conseguiu servir de alavanca para nosso progresso pessoal. 

Pelo contrário: a tecnologia das máquinas evolui em proporção inversa a nossa evolução pessoal. Estamos mais burros, mais insensíveis e pior: sofremos com isso.

A coisa é tao grave que a depressão acaba matando muita gente, seja por causa dos danos relacionados com o desleixo com a saúde (é sintoma da depressão relaxar em tudo), do stress (stress desregula o metabolismo) e de suicídio, pois a esperança é um combustível que nos mantém vivos e sem ela fica complicado aceitar os desafios da vida.

Recentemente, a vencedora do concurso Miss Brasil de 2004, Fabiane Niclotti foi encontrada morta. Há inícios fortes de que foi suicídio, incluindo o fato de que ela sofria de depressão, deixando um bilhete com instruções a serem feitas após a sua morte. Este episódio me fez pensar e escrever esta postagem.

Sinto depressão. Sei que é muito chato ter que fingir alegria quando não se tem motivos para isso. Aspectos da minha vida que se referem ao social, afetividade e profissões não estão estabilizados e essa instabilidade aumenta ou mantém a minha depressão. Já pensei em suicídio, mas hoje desisti. Mesmo com a depressão, enxergo a ideia de me matar um desperdício. Prefiro viver chorando e lutar, mesmo magoado, até que alguma oportunidade se apresente.

Mas não é tarefa fácil. Para piorar, vivemos numa sociedade em que estar alegre transmite confiança e por isso se torna uma obrigação. As pessoas se afastam de pessoas deprimidas. 

Isso força uma situação oposta ao que deveria: pessoas se oferecendo para ajudar pessoas felizes e realizadas que não precisam de ajuda enquanto deprimidos, que necessitariam de afeto e auxilio são abandonadas e não raramente confundidas com pessoas de mal caráter ou criminosos. A própria mídia tratou de criar um estereótipo de criminosos relacionado com a depressão. Os deprimidos de boa índole pagam o preço dese estereótipo.

Ou seja, não apenas a tristeza e os problemas que é obrigado a suportar, o deprimido ainda tem que aguentar o desprezo preconceituoso que parece perpetuar a sua angústia, que só aumenta, pois muitos de seus problemas seriam eliminados se tivesse ajuda real.

E para entristecer ainda mais os deprimidos sinto dizer que as coisas só tendem a piorar. O cenário político do Brasil já mostrou que ainda temos uma grande quantidade de pessoas que não enxerga na ganância e no egoísmo problemas graves, o que pode fazer com que muitos problemas se perpetuem.

Lamento dizer, mas a depressão e não a tecnologia é que marcará este século. Quando ele (e as vidas de muitas pessoas) acabar, é nisso que fará nos lembrarmos do Século XXI, o seculo da depressão.