terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Mídia transforma lenda religiosa em fato noticiável

A mídia é parceira do poder. As religiões também são parceiras do poder. E as duas juntas fortalecem ainda mais o poder. Entreter e colocar a fé no lugar da razão é uma boa forma de imobilizar as pessoas para que elas continuem conformadas e submissas, para que os donos do poder continuem roubando para si aquilo que deveria estar na s mãos de todos.

Por isso, a mídia sempre lança mão de proselitismo religioso. Pouco importa se lendas religiosas fazem sentido ou não. O que importa é que elas devem ser levadas a sério e confundidas com a realidade, que deve se submeter aos dogmas da fé cega.

Não é a primeira vez que isso acontece e talvez nem seja a ultima. Foi noticiado que a freira Madre Teresa de Calcutá será canonizada por casa de um milagre acontecido no Brasil. O tal milagre ocorreu por causa de um suposto fato sem pé nem cabeça relatado por um casal de beatos. Não vou me ater ao caso em si para na desviar o foco. Quero falar sobre o porque da mídia levar a sério uma coisa que deveria ser restrita à crença de uma igreja.

Porque tratar uma lenda sem sentido, que exige a não-explicação científica para se legitimar? Legitimar por algo sem explicação? Como algo pode ser mais autêntico se ele não tiver explicação? Tá, da próxima vez que eu faltar ao trabalho, nem vou me dar o luxo de justificar a minha falta, pois meu patrão e religioso e coisas sem explicação parecem mais autênticas para quem crê.

Mas o pior não é isso. Se esse episodio que estimulou a decisão de canonizar a freira, que jogava os pobres e doentes em um depósito insalubre para poder viajar de avião com ricaços, ficasse apenas no conhecimento dos católicos que creditam nisso, ainda é aceitável. Mas a divulgação midiática da mesma tem a explícita intenção de proselitismo religioso. Ou seja, para a mídia, o milagre é real, realmente aconteceu e você terá que aceitar isso.

Não é por acaso que a religiosidade vem retomando a sua força, principalmente entre os mais jovens. E tempos de mediocrização intelectual, é coerente o desprezo pela razão e a substituição desta pela fé. Inteligência só serve para o mercado de trabalho e para servir de rótulo para promoção social. Mas raciocinar mesmo é um a tarefa desagradável , que exige esforço e abnegação (negação de valores e costumes considerados positivos e agradáveis). Legal mesmo é ser burro, mas com rótulo de "inteligente".

E mais burra ainda e a mídia que leva a sério esse tipo de coisa, que deveria ficar apenas nas mentes de quem acredita (e todos têm o direito, garantido por lei, de acreditar em qualquer coisa, inclusive no Boitatá ou no Monstro do Espaguete).

Aí vão dizendo que o mundo nunca melhora e não sabem o porquê.

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