domingo, 26 de abril de 2015

Tenha a gentileza de respeitar o Gentileza

No mundo, principalmente no Brasil, quando algo vira moda, há uma adesão automática das massas, que assimilam sem compreender e difundem isso até que um dia deixa de ser "moda" e todo mundo larga, passando a fazer o mesmo com outro "modismo.

Uma das modas na Região Metropolitana do RJ é puxar o saco do Profeta Gentileza, aquele homem bondoso que foi mal compreendido quando vivo, tratado como louco e que só queria fazer a caridade de forma bastante radical, largando todos os seus bens e saindo por aí ensinando o amor ao próximo.

Muita gente sem gentileza está usando camisetas, calçados e outras coisas, com frases e escritos que lembram as deixadas pelo profeta, mas sem realmente saber o que estes escritos significavam. É como se puxar o saco do profeta e usar as suas frases em camisetas por si só fizessem quem usasse, um ser humano melhor. Nada disso.

Gentileza foi um ex-empresário de médio porte que largou tudo para fazer caridade. Teve uma participação intensa no socorro às vítimas do famoso desastre de um circo em Niterói. Andava pelas ruas com seus cartazes tentando chamar a atenção para a sua causa.

Ao morrer em 1996, passou a ser tratado como "símbolo" do Rio de Janeiro. Desde então,virou moda usar as suas frases em roupas e objetos. Virou uma espécie de "passaporte" para todo mundo posar de "gentil". Um horror.

Para piorar, a família do profeta não ganha nada pela utilização dessas frases, vivendo com dificuldades. Gentileza não era contra o dinheiro, mas contra o abuso de sua utilização. Abuso que é estimulado pelo Capitalismo. Muita gente está ganhando o dinheiro da ganância, por usar as frases do simpático velhinho.

Triste saber que ainda ninguém consegue entender o amor ao próximo. Poucos estão preparados para ajudar o outro de verdade.

O que sei é que não é usando as palavras de Gentileza que tornaremos a sociedade melhor. Melhor seria seguir seu exemplo. Não radicalmente como ele fez. Mas pelo menos repartindo o que temos de excessivo e inútil, além de eliminarmos a ganância e desistir da ideia de "batalhar" para sermos melhores que os outros.

Gentileza era um homem gentil. E não é nada gentil o que estão fazendo com suas lições.


sábado, 25 de abril de 2015

Menina Alagoana decide criar biblioteca pública por conta própria

É tradição para os brasileiros ser um pouco avesso a leitura de livros. Isso é ainda maior entre os mais jovens, muito mais interessados e se divertir do que adquirir conhecimento. Mas há exceções. E boas exceções, que nos deixam de queixo caído e com esperança de um futuro melhor.

E um desses exemplos veio de onde a gente menos espera que surja iniciativas desse tipo. No interior do estado nordestino do Alagoas, na cidade de Mata Grande, uma menina de apenas 7 anos que adora ler livros decidiu por conta própria e com o apoio inicial dos avós, de criar uma biblioteca púbica que pudesse atender aos moradores da localidade onde mora.

A menina atende pelo nome de Mell e sua iniciativa, felizmente, tem chamado a atenção não apenas dos moradores da sua cidade, como de todo o estado e agora, de partes do país todo. Cidadãos locais se mobilizam para doar livros - todos em bom estado e muitos atualizados! - e a biblioteca central da cidade já se ofereceu para ajudar na infra estrutura e na catalogação do acervo.

Mell pretende estimular jovens como ela a se interessarem por livros e usar a iniciativa para enriquecer a cultura local. Em Arapiraca, no interior do mesmo estado, outra criança teve a mesma ideia e sua biblioteca, há um tempo em funcionamento tem provado que a iniciativa, que faz muito sucesso, dá certo. 

A biblioteca de Mell ainda não está pronta, embora haja ajuda o suficiente para pelo menos começar apor em prática o desejo da menina. Vendo o sucesso em Arapiraca, certamente não haverá empecilho ara a sua concretização. E torcemos para que Mell, um exemplo a ser seguido não apenas por crianças e jovens, as por adultos também, possa ter cada vez mais sucesso e felicidade e que muitas bibliotecas possam nascer através dessa iniciativa.

Iniciativas desse tipo merecem toda a nossa admiração e todo o nosso apoio. Até porque precisamos cada vez mais de bibliotecas e livrarias. Se as pessoas lessem mais, seriam muito menos burras e muitas asneiras que lemos nas redes sociais nunca teriam sido escritas.

Parabéns, Mell. Se todos os jovens tivessem a maturidade que você tem.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Nem toda teoria conspiratória é mentirosa

A turma neo-conservadora, que defende os pontos de vistas da mídia e da elite e que só consegue acreditar em valores pré-estabelecidos, mesmo errados, adotou a nova mania de achar que qualquer tentativa de desmitificar ideias consagradas é mentirosa. Essa defesa é óbvia, já que os neocoms só acreditam naquilo que os beneficia.

As ideias que surgem para desmitificar valores consagrados são conhecidos como "Teorias Conspiratórias". Estas surgem para desvendar algo que está por trás de alguma ideia consagrada, defendida pela maioria ou pelos detentores do poder.

Sabemos que a elite tem relações íntimas com o poder. Grandes empresários falam grosso com presidentes e aproveitam as estreitas relações com os três poderes para perpetuarem e aumentarem seus privilégios. E não medem esforços para isso. Daí que muitos valores consagrados de nossa sociedade são na verdade resultados de estratégias feitas pelos poderosos, explorando a ingenuidade da população comum. A televisão é o principal meio para por em prática os resultados dessas estratégias.

Para que os interesses dos poderosos sejam mantidos, foi lançada a ideia de que toda teoria conspiratória é mentirosa. Claro. Se essas teorias tem como objetivo desmascarar o estabelecido e que o estabelecido mantem interesses de privilegiados, classificá-las como "mentiras" é um bom meio de manter os interesses.

E o que é mentira? O que é verdade?

Claro que assim como nem toda teoria conspiratória é mentirosa, nem toda e verdadeira. Há teorias falsas e verdadeiras. A lógica é que deve ser usada para classificar.

Quando uma teoria conspiratória é verdadeira, ela deixa de ser considerada como tal e passa a ser fonte de revisão histórica, corrigindo fatos e desfazendo mitos.

Portanto, antes de condenarmos as teorias conspiratórias, verifiquemos o seu sentido e analisemos para que possamos colocar os fatos no lugar dos mitos.

O povo brasileiro adora acreditar em mitos, consagrando mentiras que satisfaçam interesses de privilegiados. Desfazer mitos é uma obrigação para quem quer e a verdade se estabeleça no coração de nossa população.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Pra quê tanto feriado?


Brasileiro é um povo interessante. Adora feriado e quer ainda mais, ao invés de reduzir a carga horária daquilo que eles chamam de trabalho (que na verdade é emprego - trabalho é qualquer atividade que produza algo), onde passam a maior parte da semana se dedicando a satisfazer chefe e clientela. O ideal que trabalhemos em nossos empregos apenas um turno por dia, com outra pessoa completando o mesmo serviço em outro turno.

Mas como brasileiro detesta lutar pelos seus direitos, sendo ao mesmo tempo um povo submisso, medroso e preguiçoso, aceitam de bom grado a carga excessiva que lhe impõem e preferem escolher que alguns dias fiquem o dia inteiro sem fazer nada de importante (se ao menos se dedicassem os feriados a algo que lhes pudesse desenvolver suas qualidades até seria bom, mas nem isso). Esses dias onde o cidadão se dedica para fazer porra nenhuma se chama "feriados".

E brasileiro adora feriado. Povo infantil, que se recusa a melhorar seu intelecto (embora adore ser chamado de "inteligente": elogios falsos são o "ouro de tolo" dos brasileiros), quer brincar e muito. Mesmo que sejam brincadeiras de adulto. Tudo bem que ninguém pode ser sério sempre, mas para não ser sério precisa ser idiota?

Everything is silent and grey

Eu detesto domingos e feriados. Aliás detesto qualquer coisa que lembre o vazio, o nada. Tenho mais medo do nada do que da morte. Em casa sempre procuro preencher as coisas, evitando qualquer vácuo. E o feriado é o "Dia do Vazio". Ruas vazias, comércio fechado, serviços parados e nada, absolutamente nada para se fazer. É um dia bom para quem quer passar dormindo. E é um dia muito triste pelo tédio e pela solidão tradicionais em feriados, domingos e dias parecidos.

Por isso mesmo o pior dia da semana para mim é o domingo. O que é um domingo senão um feriado obrigatório que temos que encarar a cada semana?

Feriados são bons para quem tem uma vida social intensa, pois os amigos  - incluído uma bela mulher que algum sortudo tenha o direito - fazem o pepel de "brinquedo", oferecendo emoções baratas (cheap thrills) o preguiçoso cidadão, que prefere pausas esparsas do que lutar para trabalhar menos todos os dias.

O ruim dos feriados é que você tem tempo livre para fazer algo importante, mas não pode porque está tudo fechado. Não posso ir a uma biblioteca* ler um bom livro, porque ela não funciona. Não posso comprar o que eu quero por que a loja que tem este produto está fechada. 

Os feriados e domingos são na verdade os dias que escolhi para atualizar blogues, pois nem para ler notícias na internet dá, pois boa parte dos sites diminui drasticamente suas postagens nesses dias. Como nada tenho mais a fazer, estou a escrever estas coisas que vocês muitas vezes se recusam a ler, já que os brasileiros só gostam de ideias estabelecidas, que sejam defendidas ou por uma maioria, ou por pessoas de prestígio, não de um Zé Ninguém como eu. E cultuar feriados como algo salutar, é uma dessas ideias estabelecidas.

Vou levando essa vida assim, pois não tenho o poder de mudar as coisas, embora tenha o discernimento que os poderosos e seus seguidores não tem e não querem ter. Enquanto utilizamos nosso tempo livre para bobagens, continuamos cada vez mais submissos aos "líderes" que nos escravizam para as suas vontades particulares, pois eles lucram e muito com a nossa inércia e o nosso fascínio pelo fútil e inútil.

De qualquer forma um bom feriado a todos. E que aprendam  a utilizá-lo de forma mais produtiva possível.

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* NOTA: Brasileiro odeia livros. E a mídia e as autoridades se aproveitam desta característica para estimularem ainda mais isso, sabendo que povo burro é mais submisso. A prática mostra que está tática está sendo bem sucedida. Livros caros, bibliotecas e livrarias que além de serem escassas em cada cidade - interessante, em cada cidade há poucas livrarias e bibliotecas, mas muitas igrejas e muitos bares - que só funcionam quando todos estão trabalhando, entre outras medidas, servem para afastar cada vez mais o povo de uma leitura saudável que possa lhes abrir a mente. E com isso tudo fica como está, estagnando nosso desenvolvimento e mantendo as injustiças e os problemas intactos que vão sendo passados como se fossem uma bomba prestes a explodir.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Medo de Amar Pessoas

As pessoas não querem mais amar pessoas. Infelizmente este é o diagnóstico do mundo em que vivemos atualmente. O egoísmo e a desconfiança estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano, assim como muitas brigas resultantes da teimosia em defender ideias equivocadas. As pessoas não amam mais pessoas.

Mas como o amor faz parte da essência humana, essa sensação não desapareceu de nossos corações, mas foi canalizada para outras coisas. Como dizia um grande amigo meu:

As pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas foram feitas para serem usadas. 
Mas hoje, amam-se as coisas e usam-se as pessoas.

Infelizmente esta frase acima, que eu ouvi de um amigo meu resume bem o que vemos hoje. Pessoas fazendo de tudo para amar times de futebol, animais de estimação, símbolos religiosos e até comida. Tudo para compensar o amor que não conseguem desenvolver por uma outra pessoa, que acaba senso usada como meio de aquisição dessas novas "paixões".

É um grande retrocesso e uma demonstração clara de que ainda há muito o que aprender. Essa falta de amor humano, compensada por falsos "amores" tem transformado as pessoas em meros mecânicos e defensores árduos de ilusões, já que não admitem que tudo não passa de uma recusa em admitir que não se sabe amar. Amor é uma palavra linda, que todos sentem prazer em pronunciar. Só que seu verdadeiro significado ainda é um grande desconhecido para muita gente.

Porque ao invés de fugirmos de nossa missão de amar as pessoas, usamos o nosso discernimento e  tentamos nós mesmos acabar com os motivos que levam a tanta desconfiança e egoísmo? Será que somos tão incapazes de convencer os outros a serem melhores conosco, eliminando delas o desejo de prejudicar os outros para se dar bem?

Porque fugir de nossa essencial sociabilidade (ser humano é um ser social) e colocar paixões postiças para substituir as pessoas que deveríamos amar? Temos que ter a maturidade de encarar a vida social, aprendendo a amar os outros.

Pois coisas, bichos, comidas, símbolos, vão. Mas pessoas sempre estarão presentes tanto nesta vida como em outras. Deste lado ou do outro (mundo espiritual). pessoas sempre estarão circulando aos nossos redores. Aprender a amá-las é nosso maior desafio!

Vamos aprender a amar pessoas. São o que melhor existe em nosso universo. Podem ter certeza disso.

domingo, 19 de abril de 2015

Porque núcleos pobres de novelas têm que ser alegres?

Já repararam que em todas as novelas o núcleo pobre sempre tem que ser bem humorado? Porque não transformar os problemas de uma classe tradicionalmente problemática em um drama choroso sem fim? Ajudaria muito a conscientizar a população sobre o sofrimento desta classe.

Que nada! Bom mesmo é fazer as classes mais abastadas pensarem que os pobres são felizes. Observamos várias vezes que a mídia está com uma intensa, mas discreta campanha de defesa do suposto "Orgulho de Ser Pobre", onde a classe dominada se sente feliz em sua humilhante condição de ter pouco dinheiro, baixo nível cultural e muitos problemas, se tornando acomodada e com isso, não incomodando as classes superiores, que continuam mantendo toda a injustiça social intacta, onde ricos ficam mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

Essa glamourização da pobreza, já consagrada pelo cinema brasileiro, aparece desta forma em novelas, mostrando pobres sorridentes e engraçados.

Como se fosse bom viver quase sem dinheiro e com problemas que não param de crescer.

domingo, 5 de abril de 2015

Uma viagem pela cabeça do piloto suicida

Um acidente horrível sem sobreviventes envolvendo um avião lotado de uma companhia altamente segura e confiável, a Germanwings, divisão da Lufthansa para linhas mais curtas  de menos custo, marcou as últimas semanas, gerando comoção enorme.

Descobriu-se após um tempo, analisando as gravações de bordo que a causa do acidente foi um ato de suicídio praticado pelo co-piloto Andreas Lubitz, que acabou matando não somente ele, mas também mais de 100 passageiros, incluindo muitos jovens. Há sinais claros de que Andreas sofria de depressão, originado por algum infortúnio na vida.

Nada justifica a violência e se ele mesmo achava que o suicídio era a "melhor" solução - nem vamos entrar no mérito do suicídio ser correto ou não, para não desviar o foco - poderia ter se matado em casa, sem envolver terceiros. Ele foi egoísta em estragar muitos projetos de vida envolvendo os que morreram e seus parentes e amigos próximos.

Mas vamos tentar entender a mente de Andreas. Para isso temos que nos despir da revolta e do ódio comum nestas horas. A maioria dos textos publicados trataram o piloto de mau caráter para baixo, sem entrar entender o que se passava na mente dele. Claro que o que ele fez não é correto, mas também não o transforma em bandido.

Muito provavelmente Andreas tinha alguma mágoa bem profunda na vida. Algo que o revoltava. Escolheu a pior forma de protestar contra isso. Talvez ele chegasse a pensar que aquelas pessoas que estavam no avião fossem responsáveis pela sua dor pessoal. Estranho, mas compreensível.

Quando estamos abandonados em uma situação de desespero, passamos a ter raiva das pessoas bem sucedidas, não por inveja, mas por reconhecer nelas um egoismo não-estereotipado. Pessoas que se consideram felizes, salvo raras exceções, preferem se ocupar em suas diversões, se livrando de lutar para que a sociedade como um todo pudesse ser feliz. Elas poderiam lutar para que as leis pudessem ser mais justas e beneficiarem os menos sucedidos.

Muitos casos a maneira como as leis são postas em prática no cotidiano estraga a vida de quem não consegue se adaptar a elas. Nosso mundo ainda é extremamente burocrático e são feitas muitas exigências em troca e poucos e reduzidos benefícios. Obviamente quem sofre e se sente abandonado, vai achar que os... digamos... bem aventurados são responsáveis pela dor de que sofre. Em termos, somos obrigados a concordar com isso, vendo que os seres humanos ainda não aprenderam a pensar no bem estar coletivo.

É muito fácil cuidar da própria felicidade enquanto assistimos, fechados em nosso refrigerado camarote, o sofrimento alheio que acontece do lado de fora. Mais fácil ainda é acusar o co-piloto de crueldade, de terrorismo ou qualquer outra coisa, pois é complicado para nós, os "felizes", entender a dor de quem possivelmente não cotava com qualquer apoio para sair de sua situação. Mais difícil ainda é entendermos quem sofre e lutarmos com esforço para que um numero cada vez maior de pessoas possa ter acesso ao bem estar e a felicidade.

Obviamente que as vítimas não mereciam a tragédia. Nem venham os pseudo-espíritas inventarem que eles eram "romanos que estavam para pagar o resgate coletivo". Isso é uma palhaçada dogmática criada por uma seita e que não passa de uma mera e cruel especulação que não condiz com a realidade.

Na verdade tanto Andreas quanto os passageiros e tripulação são de certa forma vitimas. Andreas, pela vida miserável e pela história triste que somente ele tinha autoridade para compreender totalmente. E passageiros e tripulação pelo infortúnio de pegar um voo em uma companhia quase 100% segura para acabar as suas vidas desse jeito. E os amigos e parentes que dependiam deles, que tiveram seus projetos de vida cancelados por esse desastre.

Não houveram vilões personalizados nesse desastre. O vilão é o sistema, que nos exige muito e nos oferece quase nada, nos brigando a sofremos para sermos felizes e morrermos no dia seguinte do sucesso finalmente conquistado. 

A depressão, reação natural a esse sistema egoísta, exigente e injusto, é uma doença fatal que merecia ser levada a sério. Entendamos os deprimidos. Entendamos a depressão. Senão ela acabará matando a todos nós.