segunda-feira, 23 de março de 2015

Site em Manutenção

Caro leitor, desculpe-nos mais uma vez. Vamos parar para uma pequena manutenção para redistribuir postagens e arrumar blogues, além de alterar o visual. Aguarde-nos que voltaremos em breve com novidades. Obrigado pela paciência e continuem lendo as postagens mais antigas

sábado, 21 de março de 2015

Depressão masculina: um tabu a ser rompido

Homens são estimulados a esconder suas emoções, sobretudo quando estão tristes. Para a sociedade, o normal é um homem alegre, auto-confiante, corajoso e otimista. Mesmo em um mundo injusto, exigente e excludente. Quando não há motivo para alegria e otimismo, o comportamento que a sociedade permite a homem é a agressividade. Mas a agressividade é quase sempre um mau negócio.

Esquece a sociedade que homens não são máquinas de proteção e sustento. São pessoas, seres humanos. São dotados de emotividade e tem o direito de manifestá-las. Costumo dizer que se os homens chorassem mais, bateriam menos. Assumir publicamente as mágoas ajudariam muito na redução da violência.

Enquanto escrevo este texto, sinto uma grande depressão. Talvez ela me fez fazer esse desabafo. O motivo, na verdade, é um conjunto de fatores. Não vou ficar me alongando sobre o que me fez entrar e depressão, mas a constante decepção com os seres humanos e a recusa desses em resolve problemas crônicos contribuem muito para que eu me sentisse assim. E o pior que daqui a dois dias é meu aniversário. Era para estar alegre, mas não estou.

Recentemente um galã do seriado de terror Supernatural (que não assisto - não curto obras que mostrem monstruosidades, aberrações e deformidades faciais), Jared Padalecki, cuja imagem ilustra esta postagem, que faz um dos protagonistas, admitiu ter passado por uma fase de depressão. Isso o levou a se tornar um dos maiores ativistas anti-depressão, participando intensamente de campanhas e de entidades que estimulem o combate à depressão e que orientem sobre a prevenção a suicídios.

Já pensei muitas vezes em me matar. Mas desde que eu descobri que o "Espiritismo" praticado no Brasil é uma farsa, ganhei mais vontade de viver. Me matar seria a alegria dos pseudo-espíritas (devotos da tríade Bezerra-Chico-Divaldo, todos falsos profetas da pior espécie), que criminalizam o suicídio e vivem alegando que a verdadeira felicidade está no sofrimento, o que considero um absurdo de alta gravidade. Tinha mais vontade de me matar quando estava no "Espiritismo" do que agora.

Livre deles, pelo menos consegui melhorar minha auto-estima. Posso estar na pior depressão como estou agora (por causa da minha índole altruísta), mas pelo menos estou auto-confiante. Viver de mentiras é uma boa forma de nunca tentar resolver os problemas e esse "Espiritismo" pirata me proporcionou boas doses de falsidade e ilusão.

Prefiro a atitude de Padalecki, que usou a sua experiência pessoal para ajudar os outros de maneira sincera. E é um galã, um macho. Para mim a verdadeira coragem está em assumir publicamente suas emoções. Ser agressivo com um machão não leva a nada. Se algo vai mal, vá ara u canto vaio e chore. Eu fiz muito isso (fiz ainda há pouco) na minha vida. Depois respire fundo e pense de que maneira pode resolver a causa da depressão. Não consegue? Deixe para resolver depois e ocupe sua mente. É difícil, mas dá certo. 

E a sociedade que não para de criar motivos para que mitos entrem em depressão: respeite o direito dos homens chorarem e reclamarem. Nunca dá para ficar sorrindo de verdade diante de problemas.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Solidão não é tão ruim assim

Vivemos em um tempo muito difícil. Além da correria para correr atrás do pão de cada dia, ainda vemos muitas injustiças e muitas exigências feitas muitas vezes sem necessidade. Essas coisas acabam por deixar as pessoas cada vez mais insensíveis, se tornando e fazendo outras pessoas infelizes em relação ao amor, sobretudo se fizeram escolhas erradas para uma vida a dois.

Sabem de uma coisa? A Solidão não é tão ruim assim. Como ela já é minha amiga íntima de longas estradas e minha companheira mais fiel, vou me referir a ela usando letra maiúscula.

Claro que eu preferia viver acompanhado, ainda mais num mundo que considera a vida a dois como sinônimo de felicidade (o que é um erro, comprovado por muitos casais infelizes) e que cultua o sexo o tempo todo. Mas as exigências abusivas que o sistema social me faz, os equivocados métodos de conquista, o excesso de mulheres comprometidas e o aparecimento de pretendentes indesejadas, acabam criando uma grande dificuldade e uma perda, não total, de esperança na vida afetiva. Não significa que não vá conhecer alguém decente um dia, mas significa que não há garantias em relação a isso e que não posso transformar a realização afetiva em uma meta. São maiores as chances de eu continuar sozinho.

Mas a Solidão tem o seu lado bom. A liberdade de não termos que ficar satisfazendo a vontade de uma outra pessoa, sobretudo se esta pessoa, além de ser exigente demais, gosta e pensa sobre coisas completamente diferentes de nós. Sozinhos, podemos controlar mais nossos gastos e nossas atividades com chances cada vez menores de se envolver numa dívida ou numa encrenca.

Sozinhos, podemos parar um pouco para nos conhecermos. Podemos tirar um tempinho para sentarmos em uma praia e olharmos o balanço do mar. Podemos ir ao terraço de um alto prédio e vermos como os carros e as pessoas parecem bem pequenos diante de nós. Podemos também numa noite olhar a lua e conversar um pouco com as estrelas.

Vocês já conversaram com as estrelas? Eu já, e uma estrelinha me ensinou muitas coisas importantes: uma delas se refere ao fato de que a imagem que vemos de uma estrela é uma imagem passada, graças a longa viagem que seu raio de luz percorre para chegar até aqui. Muitas vezes a estrela nem existe mais. Parece com as nossas vidas, quando esperamos que as pessoas que conhecemos na juventude mantenham as mesmas qualidades de quando as conhecemos e quando reencontramos, notamos uma diferença enorme, muitas vezes para pior. Doce estrelinha sábia, aprendi muito com isso.

Com a Solidão do nosso lado, podemos ir aos lugares que gostamos, se divertir da nossa maneira e comer o que gostamos sem ter que se preocupar se estamos mais gordos ou não. Sozinhos, podemos rir alto, sem que alguém mal humorado nos mande parar de rir.

Sozinhos, pensamos como nós mesmos. Ouvimos as músicas que gostamos e assistimos eventos esportivos que nos agradam, sem se submeter a preferência imposta pela mídia e pelos "amigos".

Sozinhos, vivemos com quem mais confiamos: nós mesmos. Não temos decepções, mágoas, pois não temos quem possa nos oferecer isso. Também sentimos mais seguros, porque não aparecerá ninguém para roubar nossas coisas e nossas vidas.

Sozinhos nos conhecemos melhor, pois conversamos com nós mesmos e passamos a conhecer alguém que nunca vamos conhecer em uma rotina de trabalho estressante ou no "stress positivo" das noitadas. Sempre tem algo novo a descobrir sobre essa pessoa que cada pessoa insiste em não conhecer: a própria pessoa.

Por isso estou preparado para viver só. Amadureci tarde e as chances que tive teimaram em não voltar mais. Hoje tenho quase 40 anos e por mais otimista que pareça, não dá para ter as mesmas oportunidades da juventude. A "idade das escolhas" acabou faz tempo.

Tenho muita possibilidade de viver acompanhado apenas da Solidão, essa companheira fiel e consoladora que nos conforta quando colocamos nossas cabeças no travesseiro para chorar.

Às vezes não gosto da Solidão, mas tenho que reconhecer: ela nunca me magoou. Nunca.

Publicado originalmente em 29/06/2009, no "Eu adoro Sossego".

domingo, 1 de março de 2015

O Tdah E As Falsas Amizades

ESPREMENDO A LARANJA: Eu passei por isto. Sei na minha pele como é difícil para alguém com TDAH fazer amizades, mantê-las e confiar nelas. Quem tem dificuldade de atenção é frequentemente enganado e isso pode render inimizades. É um desafio para alguém com TDAH ter uma vida social. Um desafio muitas vezes hercúleo, que exige um esforço colossal que mesmo assim, não garante o sucesso na socialização.

O Tdah E As Falsas Amizades

Postado por Mary Cely = Célia Macedo - Blog Crianças Felizes Demais

É impressionante a quantidade de emails e comentários que recebo de adolescentes reclamando do isolamento, do retraimento e da dificuldade de fazer e manter as amizades, e mais ainda, conseguir namoradas ou namorados.

Mais do que na idade adulta, ser aceito pelo grupo é fundamental para os adolescentes. E a adolescência é um período muito cruel na vida de todos nós. É comum que o grupo realce as piores características de seus  membros; seja a orelha de abano, o andar engraçado, a gagueira, ou o TDAH.

No nosso caso, o complexo de inferioridade torna essas gozações mais doloridas e humilhantes
Os portadores de TDAH reclamam que e os 'amigos' dão cortes e ridicularizam a dificuldade que muitos tem de manter o foco numa conversação.

É claro que cada caso é um caso, mas até hoje me perco nas conversas quando existem mais pessoas ao meu redor. Capto facilmente as conversas paralelas e se elas estão mais interessantes do que a conversa do meu interlocutor, embarco no papo do vizinho e, muitas vezes, deixo meu interlocutor falando sozinho.

O que fazer é a pergunta mais frequentemente feita no blog.

Avalie a real gravidade da situação, é realmente uma situação de agressividade e humilhação ou você está apenas criando tempestade em copo 'água?

Se a conclusão que você chegou é que o comportamento de seus amigos é real e agressivo troque seus amigos. Ninguém deve se submeter ao ridículo em troca de atenção, e falsa atenção, diga-se de passagem. Quem gosta não humilha, não ridiculariza.

Se seus 'amigos' te humilham, substitua-os por outros. Frequente novos ambientes, conheça novas pessoas, certamente você irá encontrar pessoas que gostem de você de verdade, que enxerguem tudo o que você tem de bom e não apenas sua dificuldade de se expressar ou de manter um foco permanente em uma conversa.

Não permita que o sentimento de inferioridade tão comum em nosso comportamento de TDAH o transforme em um ermitão, um sujeito entristecido enfurnado em casa por medo da reação das pessoas.

Você sabe que o TDAH nos deixa com esse sentimento de inferioridade, com essa sensação de que fazemos tudo errado e estamos sendo julgados- e reprovados - por todas as pessoas com quem interagimos.

Se você sabe disso, você pode reagir, você deve reagir. Não se afunde no medo, levante a cabeça e afaste - se daquelas pessoas que nao lhe fazem bem. Mude de ares, mude de vida, mude de amigos. Você é o dono de sua vida, de suas atitudes e decisões e cabe a você decidir se vai aceitar esse estado de coisas ou conviver com quem merece sua companhia. Pare de aceitar qualquer coisa, tome as rédeas de sua vida e dirija-a ao infinito e além.

Ps.: pra coisa não ficar muito ruim pra você, mantenha seus olhos fixos em seu interlocutor, tente aparentar interesse pelo que ele fala, mesmo que seu pensamento esteja longe. Se sua mente escapar muito peça desculpas e retome o fio da meada, se você tem intimidade com a pessoa, compartilhe com ela sua viagem mental, pode ser até divertido.

Agora, se você fizer o tratamento corretamente, um dia essas estratégias podem fazer parte de suas memórias e você ainda vai rir muito delas.

http://www.dihitt.com.br/barra/o-tdah-e-as-falsas-amizades