quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Brasileiros confundem entretenimento com arte

O motivo de muitas brigas envolvendo fãs de determinado ídolo é a exagerada importância que os seus fãs dão a ele, baseados exclusivamente no gosto pessoal. Como se a importância cultural de um artista dependesse de uma simples preferência subjetiva ("ele tem valor cultural por que gosto dele", diria algum fã). Alguns até tentam justificar de maneira pomposa, mas se percebe claramente que o gosto pessoal, além do sucesso nas paradas e a vendagem (que é um quesito econômico e não cultural)de cds, videos, ingressos, etc..

Na verdade isso se dá graças a clássica confusão entre diversão e arte, entretenimento e cultura. Temos a mania de aumentar a importância de tudo ligado ao lazer. Futebol é patriotismo, Novelas refletem a vida real, esporte é Educação, e música de mercado é arte, cultura.

Nos EUA, existe o que os intelectuais chamam de cultura de massa. A definição é deles, pois definir algo gerado pelos meios de comunicação, com intenções puramente mercadológicas (olha a Economia aí, gente!) como "cultura", soa bem estranho.

A cultura de massa (mass culture), se caracteriza por alguns aspectos, por exemplo, na música:

- musicas padronizadas
- sua música é pensada para o sucesso induzido, não apenas sucesso consequente
- o visual tem mais importância que a sonoridade
- letras falam basicamente sobre dança ou sobre relacionamentos
- há a presença de dançarinos em concertos, que possuem status de "músicos"
- atitude exagerada (ou carola demais ou junkie demais)
- falta de espontaneidade, gerada pelo sucesso obrigatório

Para quem não entendeu, o que difere o sucesso induzido do consequente é que o induzido é pré-planejado, o que gera uma garantia. O fã não admira naturalmente, ele é induzido a admirar. O ídolo é calculadamente projetado para seduzir o público. No consequente, não há essa planejamento. O ídolo faz o que ele acha que deve fazer e o sucesso pode vir ou não. O método do sucesso induzido dá muito certo em sociedades com gente de baixa instrução, como no Brasil, onde até jovens de nível superior possuem nível intelectual baixíssimo, já que nossso sistema educacional não prioriza a inteligência e sim a memória.

Esse sucesso induzido passa a gerar uma crença de que a arte é assim, por costume. Como pessoas não-esclarecidas (mesmo as não assumidas, viu, "sabidões"?) não contestam nada (só contestam os contestadores) , aceitando as coisas como são, acabam por definir como "arte" a mass culture, já que é o que chega até ela. E tome "Michael Jackson é gênio" pra lá, "Funk é movimento cultural" pra cá e assim a cultura vai se nivelando por baixo.

E a verdadeira cultura, onde fica? Virou "erudita", coisa de "intelectual" (pejorativamente falando). Como se "intelectual" não fosse o mais inteligente, mas o mais metido, dotado de uma sabedoria "artificial", gerada pelos meios acadêmicos. Para muitos, a verdadeira inteligência é a que eu me refiro como "burrice". O jogador Neymar que o diga.

E desta forma, muita confusão acontece, pois quem defende os ídolos postiços e descartáveis da mass culture , por acreditar que eles representam a "verdadeira cultura", teima em não pesquisar a verdadeira cultura, se submetendo as regras impostas pelos empresários de gravadoras, rádios e redes de televisão, sedentos pelo lucro fácil que um artista-postiço pode gerar.

A diversão é algo válido, mas não foi feito para ser levado a sério. Serve para os momentos de ócio, para dar umas sacudidas no esqueleto e descartar depois. É burrice ficar defendo entertainers, como se eles pudessem transmitir sabedoria.

Michael Jackson salvou o mundo? Madonna também? Ivete Sangalo dá lições de sabedoria? Alexandre Pires vai fazer revolução? Guns'n'Roses é rebelde? Restart também? Britney Spears idem? Justin Bieber ibidem? Nada disso. Nenhum deles e muitos parecidos com eles, faz nada além de divertir as pessoas, do mesmo modo que mágicos ou palhaços em um circo. Acreditar que eles representam a autêntica cultura mundial é ofender a arte, é achar que a arte tem que ser medíocre e transitória, feita para embalar bebedeiras e amassos de namorados.

Sinceramente, as pessoas precisam ler mais cobre cultura e arte, ao invés de ficar ouvindo pitacos de apresentadores de televisão, que não estão nem aí para sabedoria populares estão muito mais interessados em engordar cada vez mais a sua obesa conta bancária, felizes por saber que a "fábrica de idiotas não para de funcionar".

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