segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Brasileiro entende tudo errado

O povo brasileiro precisa urgentemente de aprender a discernir as coisas. Até sabia, mas desde a ditadura militar (mas agravada nos anos 90, com a queda do muro de Berlin e com o enfraquecimento do socialismo), houve uma preocupação da elite em fortalecer o capitalismo através de uma onde de neoconservadorismo, acrescida de um emburrecimento cultural por meio da "mass culture", além do anti-cabecismo, a aversão a tudo que é realmente intelectual.

E hoje vemos uma população majoritariamente ignorante, que entende tudo errado, que é excessivamente crédula e submissa a instituições e à mídia. Para agravar mais, houve um estímulo ao aumento de nascimentos nas classes mais pobres, tradicionalmente menos escolarizadas, além da multiplicação dos chamados "novos-ricos", aqueles pobres que enriquecem repentinamente, sem se prepararem intelectualmente para a subida de classes. A influência dos "novos-ricos" é tanta, que hoje todo rico quer ter uma miniatura de favela dentro de cada mansão, com gostos, hábitos e ideias típicos de quem tem a escolaridade e o discernimento baixíssimos. Consequentemente, graças a adesão das classes dominantes aos hábitos popularescos, muita coisa ruim acaba por ser legitimada e fica difícil de combater, mantendo a sociedade em um perpétuo atraso.

E isso se torna epidêmico, pois vemos burrice em todos os cantos: cultura, política, esportes, costumes e até na religião, onde recentemente descobri que até mesmo o Espiritismo, surgido cientificamente na codificação de Allan Kardec, vem tendo, no Brasil, contaminada por uma onda de misticismo, imposta pela FEB através de médiuns-gurus e espíritos de formação jesuíta, fugindo totalmente da proposta original de Kardec. Isso tudo sem falar no crescente fanatismo futebolístico, que transforma o citado esporte numa rigorosa obrigação social, seguida por mais de 90% da população.

Tudo que chega aqui é entendido de forma errada. Na cultura, estamos cansados de ver erros de rotulações, onde filmes e músicas pertencentes a determinados gêneros são rotulados como se fizessem parte de outros. Até mesmo a cultura nerd quando chegou aqui, foi limitada ao fanatismo por quadrinhos e tecnologia, se esquecendo da típica dificuldade de socialização que é  marca registrada de "tribo" nos EUA.

Nos dias de hoje, estamos vivendo uma onda de novo "Milagre Brasileiro", com falsas promessas de prosperidade que acabam por manter a população ainda mais da inércia intelectual. Todos acreditando que o Brasil virou o centro das atenções, que "está no primeiro mundo", só por causa do consumismo e da supervalorização que vem tendo na área do entretenimento puro (incluindo copa e olimpíada, que para muita gente que não sabe, são meros eventos de pura e exclusiva diversão, nada a ser levado a sério por qualquer um). 

Enquanto vemos prosperidade no consumismo e no lazer, ainda vemos atraso em assuntos sérios, como a má qualidade dos serviços, péssima infra estrutura de muitos lugares, a manutenção da má distribuição de renda (que está sendo disfarçada pelo consumismo), muita burocracia, desemprego e a tradicional corrupção que não existe só na política (embora todos prefiram pensar que é exclusividade desta).

Alguma solução a isso?

Infelizmente, nenhuma.Se as pessoas se intelectualizassem mais e aprendessem a ser menos enganadas pela mídia e pelas tentações do lazer fútil, poderíamos levar as autoridades e empresários que nos enganam ao prejuízo financeiro, tirando o poder destes e pondo em prática o caráter democrático garantido por lei que nunca é posto em prática no Brasil.

O povo não sabe que tem poder de mudança e que se quisesse poderia tirar qualquer poderoso de onde está (não como naquele "carnaval" do impeachment de Collor, onde na verdade quem o derrubou foi o confisco da poupança que prejudicou até os ricos), bastando se unir para isso (quem derrubaria milhões de pessoas com apenas milhares de soldados?).

Mas o povo, alienado e emburrecido prefere se mobilizar por causas tolas como a Marcha da Maconha, Marcha para Jesus, copa do mundo e outra bobagens que não levam a nada a não passam de meros carnavais fora de época criados para mera e pura diversão, sem de fato criar mudanças sólidas que beneficiem não só apenas uma maioria, mas toda a população, sem exceção de um só individuo.

Chega de acreditar que estamos caminhando para prosperidade. A prosperidade só vai chegar quando revermos todos os nossos valores e começarmos a derrubar todos os poderosos sem colocar algum outro no lugar. Pois numa democracia, o poder é nosso e não deles. Pensem bem e vejam se não é verdade.

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