terça-feira, 26 de agosto de 2014

Estamos desaprendendo a amar

A nossa sociedade está dando sinais claros de piora, não só intelectual como também moral e emocional. Passamos a agir como espantalhos, sem coração e sem cérebro e vivemos acreditando que a evolução tecnológica (que é a evolução das máquinas e não a nossa) nos faz "superiores" aos homens do passado. E a nossa tecnologia interna?

Sobre a negligência do desenvolvimento intelectual falaremos em outra oportunidade. Vamos nos ater ao lado emocional, cada vez mais enfraquecido. Até porque, do contrário que a maioria acredita, o intelecto fortalece o lado emocional, tornando mais equilibrado e útil.

Cada dia que passa noto que as pessoas estão se amando menos. Não somente casamentos, mas até mesmo as mais simples relações de amizades estão ocorrendo muito mais por interesses do que por afeto. As pessoas passam a admirar as outras não porque são legais ou te caráter, mas porque gostam daquilo que a maioria gosta. Quando não é o dinheiro ou algum tipo de favor, é a diversão ou o "respeito" às ilusões pessoais que se tornam o verdadeiro motivo de manutenção das relações sociais.

Outra coisa a notar é que as pessoas estão transferindo o afeto que deveriam ter pelas pessoas para outras coisas, animais e até crenças absurdas. As ilusões citadas no parágrafo anterior estão incluídas entre os objetos de afeto dessas pessoas que chegam a transformar suas convicções equivocadas em patrimônios pessoais a serem defendidos com unhas e dentes.

Vemos na religião e no futebol demonstrações absurdas de afeto que não vemos em relação à seres humanos. Animais estão tendo direitos que nunca são concedidos a seres humanos. Cansamos de ler declarações apaixonadas a santos, times de futebol e bichinhos de estimação por pessoas incapazes de fazer o mesmo com cônjuges e amigos.

Muitas das relações sociais que parecem duradouras são muito mais por interesses, por respeito a ilusões e opor similaridade de gostos e convicções do que por afeto. O fato do povo brasileiro tradicionalmente não respeitar diferenças contribui muito para isso, pois para a maioria das pessoas se alguém não concorda com o que a maioria pensa, é automaticamente tido como doido ou antipático, causando o afastamento imediato das pessoas.

O faz perceber que as relações que duram são por interesse é o fato de que as pessoas envolvidas só querem permanecer juntas quando estão fazendo a mesma coisa. Se uma delas não quer fazer algo que a outra quer, ao invés de negociarem para tentar se manter juntos, os envolvidos vão cada um para o seu canto e nesse momento os laços de afeto vão desaparecendo aos poucos, transformando a relação em algo para ser mantido apenas nas aparências, para preservar prestígio social ou outros tipos de interesses.

A tecnologia contribui ainda mais para o não-afeto

Um fenômeno surgido nos últimos anos e que tem sido grande responsável pelo endurecimento afetivo da sociedade são as redes sociais de computadores e celulares.

Criadas apenas para compensar amizades distantes e para recados rápidos entre pessoas que vivem próximas, as redes sociais tem sido um meio de manter uma espécie de "amizade distanciada", quando duas pessoas que fingem se gostar preferem permanecer distante, por achar "mais seguro". 

Infelizmente para quem vê as amizades desta forma cria uma estranha fobia de contato presencial com tais pessoas, muito provavelmente por falta de confiança. As opiniões discordantes expostas nos perfis de redes sociais (lembrem-se brasileiros não respeitam diferenças, não negociam e tratam opiniões como patrimônios a serem preservados) tem feito surgir uma onda de desconfiança mútua, acreditando que pessoas com opiniões divergentes fossem capaz de gerar danos por conta disso.

Graças às redes sociais, para a maioria das pessoas, o contato através delas parece mais seguro e as demonstrações de afeto foram reduzidas a cliques de curtida e quando muito, a elogios rápidos publicados em postagens curtas. Nada que signifique o verdadeiro afeto, até porque é impossível transmitir calor humano que não seja através do afeto verdadeiro e respeitoso.

Soluções? Anyone? Anyone?

Na verdade, como todos os problemas que encontramos na sociedade, a solução está na educação. Uma boa revisão de valores sociais e a utilização responsável da Grande Mídia (já que a sociedade brasileira é totalmente submissa a ela, acreditando em tudo que é veiculado nos meios de comunicação) já ajudariam muito no desenvolvimento intelectual e afetivo das pessoas que habitam o país.

Enquanto nada for feito, estaremos ainda bastante incompetentes no desenvolvimento e execução de nossas qualidades emotivas e intelectuais, cometendo erros sem cessar e mantendo problemas e preconceitos que se tornam intermináveis, justamente porque nunca fomos educados a utilizar melhor as nossas aptidões, preferindo manter nossas crenças absurdas, que foram colocadas em nossas cabeças por pessoas que utilizam de seus prestígios para explorar a ingenuidade coletiva da sociedade brasileira. E isso não tem nenhum indicio de que irá  acabar.

domingo, 24 de agosto de 2014

Entrar em contradição virou moda

Está cada vez mais comum as pessoas entrarem em contradição. Afirmam uma coisa, mas em seu próprio comentário deixam claros traços de que a sua afirmação é equivocada ou até mesmo mentirosa. Na sociedade brasileira isso tem se repetido com exaustão e as próprias pessoas que cometem as contradições cometem sem perceber.

Isso acontece porque os brasileiros estão se desacostumando a pensar. Os brasileiros inclusive criaram uma hojeriza a tudo que é intelectual e preferem usar a fé e a emotividade para construir as suas convicções. Nunca desprezamos tanto o cérebro, esse órgão magnífico colocado dentro de nossas cabeças como um computador interno. 

A contradição acontece quando duas teses opostas são colocadas juntas como parte de uma mesma ideia. A lógica prova que uma coisa nunca pode ser e não ser ao mesmo tempo e a presença deste dilema é que caracteriza a contradição. Com absoluta certeza, quando isso acontece, no mínimo, uma das teses está errada.

Uma utilização melhor do raciocínio ajudariam muito a evitar as contradições. Os brasileiros deveriam ser estimulados a pensar a raciocinar. Mas a mídia, instrumento de manipulação do poder político/econômico não está nada interessada em educar as pessoas porque sabe que boa parte de seu poder exista graças justamente a aversão tipicamente brasileira a tudo que é intelectual, inclusive ao ato de pensar.

Muitas contradições ainda estarão por vir. A própria sociedade brasileira já vive submersa em contradições. Muitos de nossos mitos mais consagrados são altamente contraditórios. O próprio brasileiro se orgulha de ser chamado de inteligente, repudiando hábitos que estimulem a utilização da inteligência. Obviamente um povo contraditório nunca irá resolver os seus problemas, pois ao mesmo tempo que fala mal destes, se empenha em nunca exterminá-los.

Vivemos em uma sociedade que é ruim, mas é boa. Até que decidamos definir o que ela é de fato.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O mito do Príncipe/Sapo e como as mulheres escolhem seus homens

É mito conhecido de que as mulheres não sabem escolher homem, sendo portadoras do chamado "dedo podre", se casando com homens capazes de fazê-las infelizes. Também é sabido que os homens que são melhores conquistadores são quase sempre os piores maridos, já que a meta deles é apenas conquistar. Após conquistada uma, largam a conquistada e partem para conquistar outra, o que explica a comum infidelidade masculina.

Outra coisa a observar é que os maridos felizardos que se casam com a maioria das mulheres, não possuem qualidade relevantes, possuindo opiniões condizentes com os valores tradicionais já defendidos pela maioria da sociedade, além de se limitarem a ter o futebol e o consumo de bebidas alcoólicas como seus hobbies favoritos. Em outras palavras, são homens incapazes de impulsionar a evolução da personalidade de suas esposas, de seus filhos e até de si mesmos, acreditando se tornado seres "perfeitos" justamente por terem chegado a idade adulta tendo uma mulher cobiçada como esposa.

Porque as mulheres escolhem homens sem grandes qualidades, alguns com graves defeitos, para serem seus maridos. É fato de que grande maioria dos homens solitários tem muitas qualidades pessoais, muitos correspondendo ao perfil de companheiro ideal. Porque então isso acontece, com as mulheres rejeitando homens de qualidade e se casando com verdadeiras nulidades. A explicação pode estar no mito do príncipe que virou sapo.

O mito do sapo e do Príncipe

O mito do sapo que na verdade é um príncipe enfeitiçado é conhecido de todos. É uma boa metáfora para explicar o cacoete que temos de julgar as coisas pela aparência. Contada de várias formas, a versão mais conhecida mostra um sapo que na verdade era um príncipe enfeitiçado por uma bruxa. Na versão original, dos Irmão Grimm, o príncipe transformado em sapo voltava a sua condição original após ser jogado contra uma parede, embora a mitologia popular estipulou que o retorno a concição humana se daria com um beijo.

Como o mito popular se consagrou, as mulheres começaram a acreditar nele de tal forma que foi gravado no inconsciente feminino, estimulando, mesmo sem elas perceberem a terem preferência por homens cheios de defeitos na hora de escolherem seus pretendentes.

Segundo a teoria do Príncipe Sapo, as mulheres escolhem homens defeituosos por acreditar que eles passariam a desenvolver as suas qualidades após o início do relacionamento, com a ajuda delas. Culturalmente sabe-se que enquanto o homem tem que conquistar uma mulher antes de iniciado um relacionamento, isso inverte após o início do relacionamento, tendo a mulher a missão de conquistar o namorado durante o convívio.

As mulheres costumam rejeitar homens carinhosos e inteligentes por acreditarem que estes possam estar escondendo graves defeitos (sapos que se transformaram em príncipes, o oposto da mitologia), do contrário dos homens defeituosos. Até porque os homens defeituosos deixaram seus defeitos claros e na lógica feminina, se os defeitos são estes, o resto só pode ser qualidade. E normalmente são defeitos que as mulheres suportam, até por acreditar - erroneamente - que "fazem parte da natureza masculina".

Os verdadeiros "príncipes" ficam encalhados

Isso tudo explica porque homens legais, de caráter diferenciado, com inteligência e excelente senso de altruísmo, normalmente ficam encalhados -  ou reservados para as mulheres mais carentes, que não possuem o direito de escolher seus companheiros - trocados por outros homens de índole mais duvidosa ou que não ofereçam nenhum diferencial.

Mas tudo isso se baseia em tradições culturais, muitas vezes equivocadas, com base em lendas infantis como esta do Príncipe Sapo. Fracassos nos relacionamentos comprovam que a utilização desta fábula como critério de escolha de parceiros seja um erro, tornando as mulheres cada vez mais infelizes nos seus relacionamentos.

O ideal que os homens fossem escolhidos pelas suas qualidades e que as mulheres soubessem detectá-las para evitar homens que sejam capazes de trazer monotonia e infelicidade para as vidas de suas estimadas companheiras. As aparências sempre enganam e somente a observação detalhada junto com a lógica científica pode garantir algum sucesso na escolha de um parceiro. Isso sem esquecer o saudável afeto da paixão amorosa, of course.

domingo, 17 de agosto de 2014

Nós todos casamos com as pessoas erradas

ESPREMENDO A LARANJA: Romantismo só existe em novela. A vida real, crua e seca, não oferece oportunidade para o verdadeiro romantismo, a não ser o "romantismo" de fachada, com pompa, vestidos caros, luz de vela e todas as inutilidades necessárias para compensar a falta de amor.

Este texto abaixo mostra uma realidade que todos insistem em esconder, mas que é cada vez mais clara, embora todos neguem. Se tudo é injusto no mundo de hoje, é coerente que a vida afetiva também seja injusta.

Nós todos casamos com a pessoa errada

Publicado em 29/09/2012 por Barros - Blog Deusilusão

Sobre outro tipo de desILUSÃO: minha tradução de “We all married the wrong person“.

Casais em crise frequentemente atingem o ponto em que se convencem de que não foram feitos um pro outro. Isso precede a decisão de terminar a relação e sair em busca da “pessoa certa”. Infelizmente, as chances de um casamento bem-sucedido diminuem a cada nova tentativa. Psiquiatra e autor de The Secrets of Happily Married Men [Os segredos dos homens bem casados], The Secrets of Happily Married Women [Os segredos das mulheres bem casadas], e The Secrets of Happy Families [Os segredos das famílias felizes], o doutor Scott Haltzman diz que aqueles casais estão corretos; nós todos casamos com a pessoa errada. Eu achei seus comentários em entrevistas na tevê tão intrigantes que pedi para entrevistá-lo e me aprofundar no assunto.

O doutor Haltzman diz que, mesmo que achemos que conhecemos bem uma pessoa quando casamos com ela, nós somos temporariamente cegos pelo nosso amor, o que tende a minimizar ou ignorar atributos que podem tornar a relação complicada ou completamente difícil. Adicionalmente, ambos os indivíduos trazem diferentes expectativas em relação ao casamento, e nós mudamos tanto individualmente quanto como casal ao longo do tempo. Ninguém tem uma garantia de que se casou com a pessoa certa, diz Dr. Haltzman, portanto você tem que assumir que casou com a pessoa errada. Isso não significa necessariamente que seu casamento não possa ser bem-sucedido.

“A maioria de nós perde um tempo enorme escolhendo através de possíveis parceiros na esperança de terminarmos com a pessoa certa. Algumas pessoas acreditam que isso é uma procura pela alma gêmea… o único e verdadeiro amor. Se você entra ou não num casamento acreditando que o seu par é A pessoa certa, você certamente acredita que ele ou ela é UMA pessoa certa para você”, diz Dr. Haltzman.

Ele explica que se o sucesso de um casamento fosse baseado em fazer a escolha certa, então aqueles que cuidadosamente escolhem um bom par continuariam sustentando sentimentos positivos na maior parte do tempo, e por um longo período. A teoria de que escolher bem leva ao sucesso estaria comprovada. “Mas as taxas de divórcio em si e por si mesmas dão um grande testemunho da falácia dessa teoria”, diz Dr. Haltzman. Mesmo os casais que permanecem casados não se descrevem completamente felizes um com o outro, ele acrescenta, mas, sim, bem comprometidos um com o outro.

“Se acreditamos que temos que encontrar a pessoa certa para casar, então o desenrolar do nosso casamento se torna um constante teste para ver se fomos corretos naquela escolha”, diz Dr. Haltzman, acrescentando que a cultura moderna não apoia manter promessas. Em vez disso, ele diz que nós recebemos a repetida mensagem, “Você merece o melhor”. Segundo ele, essas atitudes contribuem para a insatisfação conjugal.

Dr. Haltzman compartilhou algumas pesquisas comigo sobre os efeitos negativos na nossa sociedade de consumo, em que sempre se tem uma grande quantidade de opções — o que pode levar ao aumento de expectativas e baixa satisfação. Um livro chamado The Choice Paradox [O paradoxo da escolha], de Barry Schwartz, apresenta pesquisas que vão de encontro ao senso comum. (Farei outro post* sobre isso em breve, porque esse assunto dá muito pano pra manga.) Eu vou direto ao ponto e revelo que as pessoas são mais felizes com as escolhas que fazem quando existe pouca coisa para escolher. Com muitas opções, nós podemos ficar sobrecarregados e arrependidos, e constantemente questionando nossas decisões. Hoje, as pessoas sentem que têm muitas opções de parceiros e temem perder oportunidades com parceiros “certos” em potencial. Isso pode acontecer mesmo após a pessoa já ter se casado, quando começa a questionar a toda hora a decisão que tomou.

“Minha filosofia básica é a de que, quando escolhemos um par, temos que começar com a premissa de que não estamos escolhendo baseado em todo o conhecimento e informação sobre ele ou ela”, diz Dr. Haltzman. “Contudo, fora dos extremos cenários de violência doméstica, drogas, infidelidade — que são de longe bons argumentos para se admitir que se casou com a pessoa errada, e onde é inseguro ou insalubre continuar casado — nós precisamos dizer, “Essa é a pessoa que eu escolhi, e eu preciso encontrar um jeito de desenvolver um senso de proximidade com ela pelo que ela é, e não pelo que eu fantasiei que seria”.

Esse jeito de trabalhar a relação pode levar a uma experiência a dois mais profunda e significativa. Dr. Haltzman dá as seguintes dicas para nos ajudar a reconectar ou melhorar nossos laços:

- Respeite o seu par por suas qualidades positivas, mesmo quando ele tenha algumas importantes qualidades negativas.

- Seja a pessoa certa, em vez de ficar procurando pela pessoa certa.

- Seja uma pessoa amável, em vez de ficar esperando para ser amada.

- Seja atencioso, em vez de esperar receber atenção.

Para frisar os últimos pontos, Dr. Haltzman diz que muitas pessoas que se esforçaram para manter uma relação acabam dizendo, “Eu fiz o bastante”. Mas muito poucos de nós dizem isso de nossas próprias crianças. “Em vez disso, nós dizemos que, apesar de suas imperfeições, não iríamos querer outras no lugar delas; e, contudo, nossos filhos podem ser muito mais insuportáveis do que nossos companheiros.”

Finalmente, ele adverte, “Tenha a atitude de que essa é a pessoa com a qual você vai passar o resto da sua vida, então você precisa encontrar um jeito de fazer isso dar certo, em vez de viver procurando por uma rota de fuga”.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

As mulheres não querem mais paquerar

Ou eu vivo em outra dimensão ou a sociedade está me enganando. Prefiro a segunda alternativa. É que sempre ouço falar que as mulheres estão mais ousadas, cantando os homens, chegando em cima sem hesitar. Não vejo nada disso nos lugares por onde eu ando. Nada, nem algo parecido. na verdade vejo o contrário: que as mulheres se retraem cada vez mais, dando a impressão de que: ou elas sabem como conseguir facilmente um homem ou elas não querem namorar com mais ninguém.

Isso é ruim e mostra que o tão festejado amor, que a sociedade insiste em dizer que "está no ar", insistindo na tese de que o "romantismo está em alta", está cada vez mais ausente em uma sociedade cada vez mais injusta e alienada.

Porque será que as mulheres não paqueram mais nas ruas? Será que elas começaram a achar que mulher apaixonada, doce, é sinônimo de mulher idiota? Ou elas acham que o homem tem que fazer sozinho todo o trabalho de conquista, como se elas estivessem gostando de serem vistas como objetos. Afinal, objeto não fala, não pensa, não age, não ama, não paquera, mas pode ser adquirida por dinheiro.

Eu não estou pedindo facilidade. Estou pedindo demonstração de afeto

Fui reclamar disso em uma comunidade de namoro do Orkut e um troglodita, ao invés de esclarecer minha dúvida, desceu o cacete em mim achando que eu estava com "preguiça" de tomar a iniciativa. Nada a ver com a dúvida que eu questionava.

Nada disso. Eu quero tomar a iniciativa. Mas quero tomar a inciativa com uma mulher que seja capaz de dar afeto. É mais gostoso (e mais garantido) quando no processo de conquista há a troca de energia afetiva. Mas é algo que o coração metálico do tal troglodita certamente não deve conhecer.

Na mesma comunidade, em outro tópico, outro infeliz disse não fazer questão do afeto feminino. "Não pergunto se o camarão gosta de mim. Simplesmente pego e como", foi o que esse infeliz disse. Dá para entender porque os crimes passionais ainda estão em alta em pleno Século XXI.

Só uma lembrança. A maioria dos homens gostam da dificuldade por enxergar no processo de conquista uma mera brincadeira de gato-e-rato, sinal da tradicional imaturidade machista. Conquistada a "presa", tudo perde a graça, pois a "brincadeira" acabou, e eles partem para outra tentativa de conquista. Isso pode justificar porque a maior parte dos homens é infiel.

Gostaria muito que as mulheres demonstrassem seu afeto. Ninguém sabe como misso é gostoso. O prazer gerado pela troca de afeto é bem mais gostoso que o prazer sexual animal (e ainda o sexo fica mais gostoso com o afeto junto, sabiam?). Mas não dá para haver essa troca na sociedade falida em que vivemos, onde o "amor" é uma palavra morta usada para justificar o aumento na quantidade de matrimônios que só acontecem para satisfazer as exigências da sociedade.

Infelizmente temos que conformar com isso. Não adianta pensar que indo a uma boate ou bar que as mulheres se mostrarão que isso é farsa. Em ambientes como esse, não há amor e sim a pura curtição, somada a embriaguez que altera qualquer percepção sensorial. Como esperar um verdadeiro afeto vindo de uma mente anestesiada pelo álcool? Fatos e pesquisas de especialistas cada vez mais mostram que lugares desse tipo, do contrário que as tradições sociais sugerem, são os piores para quem deseja iniciar um relacionamento estével e cheio de afeto.

Ainda espero o dia em que as mulheres irão tomar coragem e mostrarem melhor o seu afeto. Não precisa tomar iniciativa. Deixe que eu tomo. mas aja como uma mulher, um ser humano que é capaz de sentir afeto. Não como paredes insensíveis que se isolam cada vez mais numa fachada de insensibilidade e desconfiança que só estraga qualquer relacionamento, resultando num festival de injustiças e de atrocidades que estamos cansados de ver por aí.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Fatos que você precisa saber sobre a vida afetiva

Conquistar uma companhia não é tarefa fácil. Conquistar aquela que é exatamente como queremos é quase impossível. Regras de conquista impostas pela sociedade dificultam cada vez mais as coisas, transformando o processo de conquista num jogo cruel e de difícil vitória.

Os brasileiros nada sabem sobre a vida afetiva. Graças a falta de discernimento e ao hábito de usar mais as crenças do que o raciocínio, tudo que a sociedade sabe, é por pura credulidade. Justificam tudo que envolve a conquista e a vida de casais de forma subjetiva e muitas vezes sem sentido.

Aqui listo algumas coisas que todos precisam saber sobre vida afetiva, com base em muita pesquisa e verificação.

Claro que não estou generalizando nada. Há exceções, vindas de uma minoria de poucos corajosos a desafiar as regras sociais e os valores consagrados. Mas a maior parte das pessoas é fiel as regras observadas abaixo.

Esta lista acaba com falsas crenças. Muita gente vai se surpreender:

- A vida afetiva é injusta. Normalmente quase ninguém se casa alguém que corresponda ao que se quer e/ou  com o objeto de afeição intensa (paixão). A maior parte dos casais um dos cônjuges é apaixonado pelo outro, enquanto este apenas sente um leve afeto pelo primeiro. É comum contrair matrimônio com quem não se gosta, por inúmeros motivos. É comum pessoas verem seus objetos de paixão se unirem a outras pessoas, estas não apaixonadas pelos seus cônjuges, objetos das paixões alheias.

- A dificuldade de conquista é maior nos homens, graças as exigências feitas a eles e a participação decisiva no processo de conquista, já que a iniciativa é deles. Se há mulheres bonitas chiando porque tem dificuldade de conquistar homens, pode crer, ou é mentira ou tem alguma coisa errada nelas.

- As mulheres conquistam os homens pela beleza e pela meiguice. Quanto mais meigas forem as mulheres, maior chance de sucesso afetivo.

- Homens conquistam as mulheres pela capacidade de proteção e sustento material. Quando uma mulher quer um homem, analisa se os aspectos de comportamento, aparência, bens e posição social correspondem a um bom protetor/provedor.

- Caráter e beleza facial masculina são supérfluos na conquista feminina. As mulheres até gostam, mas não fazem questão desses dois aspectos. O cara pode ser um Ogro pavoroso de feio, se cumprir os requisitos de proteção/sustento, é aceito no ato. O mesmo para um cara que matou a humanidade inteira, desde que não mate a própria esposa.

- Ninguém se casa por amor. Isso é mito infantil que não é observado na prática. Os motivos mais comuns para a realização de um matrimônio: interesse material, confiança, medo da solidão. Mas o mais comum é social: se auto afirmar como adulto valorizado e agradar a sociedade que só valoriza pessoas acompanhadas.

- Não são os homens que mais amam que se dão melhor na vida afetiva e sim os mais rápidos, os que chegam primeiro. Se isso não fosse verdade, os outros homens teriam o direito pleno de arrancarem as mulheres de seus donos, nem que tenham que brigar até a morte, como fazem os búfalos. Os "perdedores" tem que se conformar e lutar por outras "fêmeas", muitas vezes menos atraentes.

- O número de mulheres pode até ser maior que o de homens. Mas o número de mulheres desejadas é uma minoria esmagada. Lembrando que um emprego estável já é o suficiente para classificar um homem como "interessante", o número de homens desejados é muito superior ao de mulheres desejadas. Normalmente as mulheres que sobram, ninguém quer, ou por feiura, ou por algum aspecto desagradável.

- Mulheres nunca paqueram nas ruas, parques, ônibus, estabelecimentos. Talvez por insegurança, por não confiarem em desconhecidos, elas só paqueram em lugares onde possam ver os mesmos homens com muita frequência (escolas, vizinhança, trabalho, etc.) ou em lugares criados com a finalidade de paquera (festas, bares, boates e afins).

- Homem não ajuda outro homem a arrumar mulher. Isso é mito. Muitos fingem porque isso serve de confirmação do "talento de conquista", de acordo com o hábito instintivamente humano de posar de "melhor" que os outros. Mas quem não é bobo sabe que concorrente não ajuda concorrente e a tal ajuda fica limitada a conselhos superficiais baseados em crenças populares sobre afetividade e conquista.

- Na verdade, embora ninguém admita, quem ajuda os homens a arrumar mulher são as outras mulheres. Elas é que sabem o que as mulheres querem. Pesquisas mostram que homens que tem amigas mulheres ou grupos sociais que tenham mulheres se dão melhor na vida afetiva. Além disso, mulheres gostam de namorar homens que sejam indicados por outras. É o mesmo motivo que faz com que os homens casados sejam mais desejados: "atestado de qualidade".

- Mulheres amam mais os amigos que os seus cônjuges. Há exceções bem raras, mas isso é muito comum. As demonstrações mais sinceras de normalmente são desviadas aos amigos. Por isso mesmo, as mulheres normalmente tem gostos e convicções bem populares, imitando a maioria, na ânsia de agradar aos grupos sociais a que pertencem.

- Essa submissão social das mulheres faz com que elas tenham nojo de homens com opiniões e costumes que diferem da maioria. Um cara que, por exemplo, pense que todas as religiões deveriam ser extintas, será tratado como um doido varrido e por isso mesmo, desprezado.

- Do contrário que todos pensam, mulheres detestam surpresas. O que elas chamam de "surpresa" é na verdade algo que elas esperam que aconteça, mas que seus cônjuges aparentemente não são capazes de dar. Mas surpresas radicais, nem pensar. Dá impressão, mesmo errada, de algo perigoso. Para facilitar o entendimento, um exemplo: uma mulher que sempre sonhou viajar para Paris, vai querer que o marido um dia a convide para ir a citada cidade. Mas se ele preferir ir a uma colônia de esquimós na Sibéria, e propor isso a ela, certamente não será uma boa ideia.

- Mulheres, por serem consideradas pela sociedade como "objetos", têm prazo de validade. Homens, por serem "sujeitos", não. Por isso que muitos criticam uma mulher de idade elevada em uma situação jovial, enquanto isso é até estimulado aos homens. Se um homem idoso é criticado por alguns por algum comportamento jovial, essa crítica é considerada ofensiva ao tal idoso, pela maior parte da sociedade.

- Quando as mulheres se apaixonam, normalmente isso ocorre após o início dos relacionamentos, após o processo de conquista. O homem conquista a mulher antes do relacionamento e após iniciado, é a vez da mulher conquistar os homens (que normalmente se entediam após a conquista). Conquistar uma mulher costuma ser tão difícil quanto se livrar dela.

- A maioria dos homens não gosta de suas mulheres. Isso mesmo. Fazem questão de ter mulher para satisfazer sexo e agradar a sociedade, pois sabem que homem acompanhado é mais valorizado. Mas é dos amigos que eles gostam mais e deles eles tem uma fidelidade rígida, a mesma que não conseguem ter com suas namoradas e esposas.

- O fato de eu estar escrevendo esta postagem poderá diminuir drasticamente minhas chances de sucesso na vida afetiva. Mulheres só gostam de homens alegres e que posam de bem sucedidos. Além disso, numa sociedade que adora dogmas, mitos e coisas parecidas, uma doce mentira sempre conforta mais que uma verdade amarga.

Esses são alguns fatos surpreendentes sobre a vida afetiva. Quem não concorda ou se sentiu ofendido por causa disso, que mude a sua atitude para que a vida afetiva seja mais justa a todos e que seja caracterizada pelo amor verdadeiro, não por isso aí que chamam de "amor".

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Como conquistar uma namorada no Brasil

Resolvi escrever esta postagem muito mais como protesto do que como conselho. Poucos admitem, mas não é nada facil conquistar uma mulher. Exige tanta estratégia como um ataque de militares invadindo o território inimigo. Às vezes é bem parecido mesmo.

O que vai ser dito aqui se baseia em observação de outros casais e de processos de conquista por aí a fora. Quem não concorda com estas regras, normalmente fica sozinho. Como diz o pegador Marcelo Falcão, de O Rappa: na palma da mão, para aliviar.

A sociedade brasileira adora regras. Dá a ilusão de organização. O problema não está em criar regras, mas na obsessão de criar regras. Cria-se regras a gosto, sem analisar critérios e a utilidade das regras. Muitas vezes criam só para dar ilusão de ordem e utilidade.

Para a vida afetiva é a mesma coisa. Ainda mais na sociedade brasileira, onde há muitos homens atraídos por uma mesma mulher, criando uma competitividade muito pior do que nos concursos para o emprego público (neste caso, 1000 candidatos a uma só vaga, sempre). Uma competição cruel onde quem vence nem sempre é o que vai fazer melhor uso do seu "troféu". Deixando as injustiças reais e inevitáveis, vamos às dicas.

Receita para um homem conquistar uma namorada no Brasil. 

O primeiro passo é checar se a gata pretendida não é propriedade privada de algum engraçadinho nascido com a bunda virada para a lua. Confirmada a - incrível - solteirice da "presa", o jeito é partir para o ataque.

1) Requisitos básicos:
- Um emprego relativamente estabilizado
- Porte físico de protetor (mais alto e/ou mais forte)
- Bom papo que indique personalidade decidida e raciocínio rápido

2) Onde encontrar:
As mulheres não dão mole em qualquer lugar. Acreditam que o motivo é porque não confiam em qualquer homem. Somente as carentes ou as vulgares (incluindo as prostitutas), paqueram em qualquer lugar, quando isso acontece. As mulheres normais só paqueram em duas situações:
- Em lugares de festa e/ou bebedeira (interessante que, para a maioria das mulheres, playboys bêbados sejam mais confiáveis que tímidos nerds em bibliotecas)
- Em lugares ou situações onde possam ver seus pretendentes de modo frequente, como vizinhança, trabalho, academias, escolas, igrejas, etc.

3) O que o homem deve fazer para conquistar:
- Deixe claro na conversa que está bem intencionado, mas nem tanto. Ambiguidade e ironia são boas táticas nos dias de hoje. Podem até ser anti-românticas, mas muitos processos de conquista tem dado certo com o uso desses "instrumentos".
- Evite opiniões ou atitudes surpreendentes. A experiência coletiva mostra que os homens que agem como a maioria, como "Marias vão com as outras", conquistam mulher com mais facilidade. Sem esquecer que homens convencionais são mais confiáveis. Dá para se imaginar o que eles vão fazer ou dizer, mesmo errado.
- Faça questão de pagar jantar, presentes, condução, etc. É para isso que você serve, bobão!

4) Convívio:
Do contrário que no processo de conquista, quando a "presa" cai na conversa e o relacionamento se inicia, os papéis se invertem: é a mulher que tem que se esforçar para manter o relacionamento. O tolo que se esforçou antes disso, agora age como um songa-monga preguiçoso que passa os fins de semana enterrado em um sofá, com um copo na mão e um controle remoto na outra, onde vai brincando com os botões até aparecer "aquele" jogo de futebol que seja capaz de o hipnotizar. E a boboca que se casou com ele continua na sua tentativa inútil de lhe dar afeto, sofrendo a consequencia da vingança pelo esforço que o macho teve antes de iniciar o relacionamento.

5) Separação:
É engraçado. Mas as mulheres são difíceis de serem conquistadas. Quando elas são conquistadas e o relacionamento começa, aí a dificuldade é para encerrar. As mulheres normalmente só se apaixonam por um homem após o início do relacionamento. E aí, meus filhos, fica difícil para encerrar um sem mágoas ou ofensas, e consequentemente alguma vingança.

É, amigos, a vida a dois é complicada. Espero ter dado algumas dicas e bom proveito.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Brasileiro entende tudo errado

O povo brasileiro precisa urgentemente de aprender a discernir as coisas. Até sabia, mas desde a ditadura militar (mas agravada nos anos 90, com a queda do muro de Berlin e com o enfraquecimento do socialismo), houve uma preocupação da elite em fortalecer o capitalismo através de uma onde de neoconservadorismo, acrescida de um emburrecimento cultural por meio da "mass culture", além do anti-cabecismo, a aversão a tudo que é realmente intelectual.

E hoje vemos uma população majoritariamente ignorante, que entende tudo errado, que é excessivamente crédula e submissa a instituições e à mídia. Para agravar mais, houve um estímulo ao aumento de nascimentos nas classes mais pobres, tradicionalmente menos escolarizadas, além da multiplicação dos chamados "novos-ricos", aqueles pobres que enriquecem repentinamente, sem se prepararem intelectualmente para a subida de classes. A influência dos "novos-ricos" é tanta, que hoje todo rico quer ter uma miniatura de favela dentro de cada mansão, com gostos, hábitos e ideias típicos de quem tem a escolaridade e o discernimento baixíssimos. Consequentemente, graças a adesão das classes dominantes aos hábitos popularescos, muita coisa ruim acaba por ser legitimada e fica difícil de combater, mantendo a sociedade em um perpétuo atraso.

E isso se torna epidêmico, pois vemos burrice em todos os cantos: cultura, política, esportes, costumes e até na religião, onde recentemente descobri que até mesmo o Espiritismo, surgido cientificamente na codificação de Allan Kardec, vem tendo, no Brasil, contaminada por uma onda de misticismo, imposta pela FEB através de médiuns-gurus e espíritos de formação jesuíta, fugindo totalmente da proposta original de Kardec. Isso tudo sem falar no crescente fanatismo futebolístico, que transforma o citado esporte numa rigorosa obrigação social, seguida por mais de 90% da população.

Tudo que chega aqui é entendido de forma errada. Na cultura, estamos cansados de ver erros de rotulações, onde filmes e músicas pertencentes a determinados gêneros são rotulados como se fizessem parte de outros. Até mesmo a cultura nerd quando chegou aqui, foi limitada ao fanatismo por quadrinhos e tecnologia, se esquecendo da típica dificuldade de socialização que é  marca registrada de "tribo" nos EUA.

Nos dias de hoje, estamos vivendo uma onda de novo "Milagre Brasileiro", com falsas promessas de prosperidade que acabam por manter a população ainda mais da inércia intelectual. Todos acreditando que o Brasil virou o centro das atenções, que "está no primeiro mundo", só por causa do consumismo e da supervalorização que vem tendo na área do entretenimento puro (incluindo copa e olimpíada, que para muita gente que não sabe, são meros eventos de pura e exclusiva diversão, nada a ser levado a sério por qualquer um). 

Enquanto vemos prosperidade no consumismo e no lazer, ainda vemos atraso em assuntos sérios, como a má qualidade dos serviços, péssima infra estrutura de muitos lugares, a manutenção da má distribuição de renda (que está sendo disfarçada pelo consumismo), muita burocracia, desemprego e a tradicional corrupção que não existe só na política (embora todos prefiram pensar que é exclusividade desta).

Alguma solução a isso?

Infelizmente, nenhuma.Se as pessoas se intelectualizassem mais e aprendessem a ser menos enganadas pela mídia e pelas tentações do lazer fútil, poderíamos levar as autoridades e empresários que nos enganam ao prejuízo financeiro, tirando o poder destes e pondo em prática o caráter democrático garantido por lei que nunca é posto em prática no Brasil.

O povo não sabe que tem poder de mudança e que se quisesse poderia tirar qualquer poderoso de onde está (não como naquele "carnaval" do impeachment de Collor, onde na verdade quem o derrubou foi o confisco da poupança que prejudicou até os ricos), bastando se unir para isso (quem derrubaria milhões de pessoas com apenas milhares de soldados?).

Mas o povo, alienado e emburrecido prefere se mobilizar por causas tolas como a Marcha da Maconha, Marcha para Jesus, copa do mundo e outra bobagens que não levam a nada a não passam de meros carnavais fora de época criados para mera e pura diversão, sem de fato criar mudanças sólidas que beneficiem não só apenas uma maioria, mas toda a população, sem exceção de um só individuo.

Chega de acreditar que estamos caminhando para prosperidade. A prosperidade só vai chegar quando revermos todos os nossos valores e começarmos a derrubar todos os poderosos sem colocar algum outro no lugar. Pois numa democracia, o poder é nosso e não deles. Pensem bem e vejam se não é verdade.

domingo, 3 de agosto de 2014

Para brasileiros, ilusão é felicidade


Brasileiros tem uma peculiaridade tão típica quanto samba e caipirinha: para a maioria, a felicidade é composta de suas ilusões. Convicções erradas, crenças ridículas, fugas de problemas, diversão que não acrescenta nada a suas personalidades e atitudes de exibicionismo, incluindo acúmulo de luxos inúteis, são os principais ingredientes daquilo que os brasileiros entendem como "felicidade" e "bem estar".

E o que é mais inacreditável é que os brasileiros brigam pelo direito desse tipo de felicidade ilusória. Para muitos, lutar por suas ilusões é muito mais gratificante do que lutar pelos seus direitos reais. É muito mais fácil defender ilusões. Lutar por direitos reais inclui esforço, desentendimento com autoridades e em muitos casos, o abandono de zonas de conforto, o que incomoda muito quem está nelas.

Muitas das brigas que acontecem em nossa sociedade são porque no mínimo um dos envolvidos está defendendo uma ilusão. Brasileiros normalmente constroem toda a sua vida com base em ilusões. Trabalha, luta, se esforça muito para manter as ilusões. E o mais ridículo é que é exatamente o mesmo esforço que recusam ter nas lutas por objetivos bem mais realistas.

Isso tem feito com que o povo brasileiro virasse chacota dos estrangeiros, já que somos famosos não por nossas reais qualidades e sim por nossas ilusões. Somos um povo famoso por colocar as ilusões acima de todas as coisas. Iludir é prioritário para os brasileiros e a última copa provou isso.

Brasileiros são tão empenhados em defender suas ilusões que quando o fanatismo pelo futebol - para citar um exemplo - foi criticado nas redes sociais, os mesmos trataram de sumir dessas redes, visitando menos e postando menos ainda. Enfurecidos por ter a sua ilusão maior sendo criticada, acharam melhor desaparecer da realidade e se esconder em seu universo paralelo, onde as ilusões são tranquilamente preservadas.

E há ilusões de todos os tipos. São muito poucos, integrantes de uma minoria esmagada, que prefere não se iludir, optando por um bem estar que pudesse ser mais real e produtivo. Esses poucos sofrem pela dificuldade de sociabilização e pela permanência dos poderes cotidianos, já que justamente quem prefere ficar trancado nas ilusões é justamente quem tem mais condições de resolver os problemas. E nunca resolve. E gente assim, com capacidade de mudar, mas sem vontade para isso, existe aos montes.

Fiquemos com as ilusões. Fiquemos com tudo do jeito que está. Se para a maioria fugir dos problemas e cultuar tolices é a melhor coisa a fazer, não se pode ir contra. Mas saibam que o Brasil está assim há séculos, com pouquíssimas mudanças desde o seu descobrimento, graças a um povo que vive deitado eternamente em berço esplêndido e que vive fugindo de qualquer luta.