segunda-feira, 12 de maio de 2014

O desprezo à música lenta e a falta de romantismo

Sou de um tempo em que dançar coladinho uma música lenta era sinônimo de romantismo. Era gostoso em uma festa, convidar a garota desejada para uma dancinha colada ao som de uma música suave e emotiva. O clima favorecia o surgimento de um embrião de afeto que muitas vezes se transformaria, ao fim da festa, no início de um relacionamento.

Hoje não é mais. As músicas lentas são consideradas chatas para uma juventude acostumada com rapidez e com relacionamentos sem sensibilidade. Eles pedem na música a mesma rapidez que encaram na tecnologia e no seu cotidiano.

Noto que as músicas lentas entraram em outro contexto atualmente. Nos shows ao vivo, ao invés de dançar colados, os jovens levantam os braços e balançam como se estivessem acompanhando o vento. Nas festas, as músicas lentas servem com intervalo para descanso ou uma simples pausa para o lanche.

O desprezo é tanto que as músicas lentas até perderam o rótulo que as definia: balada. Hoje, balada é sinônimo de festa, agito, gandaia. Ninguém mais usa a palavra para se referir a músicas lentas, que até agora segue sem ter um novo rótulo próprio.

Outra coisa a notar é que o ato de dançar colado transferiu para ritmos mais rápidos, como a lambada, o forró e outras danças consideradas "sensuais". O que, cá pra nós, soa muito mais erotizante (mesmo "soft") e nada romântico. Desejo sexual substituindo o afeto, como os instintos primitivos (retomados nos dias de hoje) ordenam. É um sinal de adaptação aos tempos de insensibilidade e falta de romantismo.

Realmente os tempos estão mudando. Só não sei dizer se é ou não para melhor. Certamente que não.

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