sexta-feira, 30 de maio de 2014

O altruísmo das formigas de correição é exemplo para seres humanos

Um documentário que assisti há meses atrás na TV paga me deixou pasmo pelo exemplo de altruísmo que certas espécies de animais podem oferecer a nós.

Os animais não são tão irracionais como parecem ser. Claro que sua capacidade de raciocínio não chaga ao nosso nível de complexidade, mas nota-se que há rudimentares raciocínio e senso de moral que em muitos casos, os seres humanos não conseguem ter. É o caso do altruísmo de certas espécies de formigas, como as formigas de correição.

É impressionante o nível de altruísmo dessas formigas, que não deixam um só indivíduo em má situação. Todas sempre se empenham para que todas estejam bem e chegam a se segurar umas nas outras para criar objetos como pontes e balsas para impedir que uma só esteja em apuros. Usam as suas garras afiadas para proteger todo o grupo sem esquecer um só indivíduo.Quando percebem que uma delas está mal, a rotina é alterada a fim de proteger a formiga sofredora. Quando uma formiga morre, as outras demonstram pesar e chegam até a fazer rituais parecidos com funerais em homenagem a formiga falecida. 

Para se ter uma ideia, se os seres humanos tivessem o altruísmo das formigas, não existiriam pobres, doentes, desempregados e solitários e todas as pessoas tomariam atitudes para que até mesmo o menos prestigiado "Zé Ninguém" pudesse viver bem, empregado e com companhia, no mínimo, de uma turma de amigos. 

Nem mesmo religiosos, erroneamente estigmatizados como "pessoas mais bondosas da sociedade", conseguem ter o nível de altruísmo das formiguinhas, já que estimulam o assistencialismo paliativo, um estereótipo que eles e a sociedade entende como "caridade", mas que o tempo provou ser ineficaz e ineficiente para resolver problemas e melhorar  a sociedade como um todo.

Uma vergonha para os seres humanos. Nós, os "perfeitos", os "superiores", com suposta capacidade inigualável de pensar e sentir, perdemos dos animais em muitos aspectos. Sinal de que temos que aprender muito com eles, sobretudo com o altruísmo absolutamente exemplar das "reles" formiguinhas de correição.

Temos que pensar muitas vezes antes de pisarmos em uma formiguinha no jardim de nossos quintais.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Evite polêmicas em redes sociais: ao invés de criticar erros, mostre exemplos de acerto

O Brasil é um país de pessoas de baixo intelecto, devido ao péssimo sistema educacional e ao proselitismo da mídia e de religiões, que desestimulam o desenvolvimento intelectual. 

Mesmo entre pessoas com títulos e mais títulos acadêmicos: mestres, doutores, pós doutores e similares, existe gente que normalmente não raciocina bem e possui convicções meio dúbias, uma prova que títulos acadêmicos, pelo menos no Brasil, não ajudam em nada as pessoas a desenvolverem seu intelecto. Eu que tenho nível superior e conheço a rotina das faculdades, posso garantir isso.

Como o saber é utilizado muito mais para a vida profissional, as pessoas, em seu tempo livre, preferem colocar seus cérebros no copo d'água e "curtirem a vida". Cultura, religiões, comportamento: no momento de liberdade, ninguém quer se aprofundar sobres estas coisas, preferindo adquirir convicções por meio da confiança em quem diz do que usar o raciocínio e examinar. "Raciocinar no momento de lazer? Não! Isso é complicado. Cérebro só serve para o trabalho!", diria qualquer brasileiro profissional e socialmente bem sucedido.

Mas com gente assim, não se deve discutir. As minhas tentativas foram sempre fracassadas. O diploma lhes serve de atestado de inteligência, mesmo quando vem acompanhado de uma ideia ingênua. Ingênuos com diploma são pessoas muito difíceis de se negociar. Deixemos eles com suas burrices e fazemos o seguinte: ao invés de criticar sua ingênuoidade, que tal mostrar coisas interessantes, que possam acrescentar alguma sabedoria.

Por exemplo: para um fã de música ruim, poste um vídeo de jazz e ofereça como sugestão para ouvir. Ao invés de ver a sus "adorada" música ruim sendo criticada, o cara poderá ouvir o tal jazz e comparar com o que curte e se ele tiver o mínimo de senso crítico, poderá abandonar o seu gosto ruim como uma criança que larga a sua chupetinha. É difícil que isso aconteça, mas é muito melhor do que comprar briga tentando fazer o ingênuo largar a ingênuoidade que para ele é sinônimo de felicidade e bem estar.

Cansei de ficar brigando com ingênuos. Ingênuos nunca mudarão enquanto continuarem a ser ingênuos. Somente deixando a ingênuidade ele terão condições de largar as ilusões que tanto os confortam.

Quem é ignorante se acha sábio porque pensam que o mundo limitado que conhece é tudo que existe. Pessoas assim não querem debate, querem preservar seus valores, por mais errados que sejam. Por não quererem conversa, pensei bem, não vou mais criticar os erros. 

Vou propor alternativas. Vou tentar ampliar o leque de valores para que eles conheçam algo a mais e comparem com a mesquinhez que integra seu sistema particular de valores. É bem mais diplomático e soa respeitoso. Já que porcos gostam de se sujar na lama, o jeito é mantê-los nelas, mas jogando pérolas diante deles para ver se estimulam eles a largarem o lamaçal. É o que deve ser feito. Evita polêmicas e brigas.

Então tá combinado: entrando em redes sociais, sempre é bom evitar polêmicas. Quem se sente bem com seus erros nunca vai largá-los, pois por fazerem bem ao seu portador, nunca perecem erros e sim acertos. Prefira postar coisas mais edificantes e que possam ampliar as mentes.

Um dois os ingênuos vão perceber que existe um vasto e infinito mundo muito além de seu limitado e confortável sistema de valores. Sempre haverá a oportunidade para ampliar o intelecto e isso nenhuma universidade por melhor que seja é capaz de fazer.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quem não curte futebol se sente solitário em épocas de Copa

Nunca gostei de futebol. Não vejo graça no esporte. É um direito meu, já que o futebol não me oferece prazer. Prefiro me divertir com outros hobbies.

Mas eu era apenas para desprezar o futebol. Ignorar, deixar para lá. Mas desenvolvi um certo ódio. Um ódio pacífico, sem desejar mal a ninguém. Mas um certo ódio, não a modalidade esportiva, mas à forma como o futebol é tratado. Não como um lazer como deveria de ser, mas como uma obrigação cívica e social. Para os brasileiros, gostar de futebol é um dever e uma honra. Além de ser a melhor forma de sociabilização que existe. 

Sociabilização: talvez seja esse o verdadeiro motivo que faz o futebol ser tão popular. Nesta época, os brasileiros se tornam autistas e reduzem drasticamente seu rol de interesses a tudo que está diretamente (ou não) relacionado ao futebol. Para quem não sabe, autistas são famosos por limitarem bastante seu repertório de interesses. Curiosamente, há até mesmo um jogador de futebol autista, o argentino Lionel Messi. Por serem autistas nesta época, nada tira os torcedores de seu mundinho futebolístico.

E por isso mesmo, quem não curte futebol se sente isolado nesta época. Geralmente os não-torcedores são únicos ou em reduzidíssima quantidade em cada grupo social. E como torcedores são fanáticos e um tanto egocêntricos (tem que ser bem egocêntrico para preferir que o Brasil seja melhor no futebol do que ser o melhor em qualidade de vida, com dignidade opara todos os brasileiros), o que interessa a eles é o seu hobby favorito. O resto, mesmo até coisas mais essenciais, se deixa de lado. Incluindo seres humanos.

E é nisso que os não-torcedores passam a se sentir solitários, pois por não conseguirem a atenção mínima dos torcedores hipnotizados pela "festa maior", tem que se virar para conseguir companhia e distração. Nem mesmo autoridades pensam nos não-torcedores, pois para quem controla as leis e os rumos da sociedade, só interessa mesmo a grande maioria dos torcedores, ignorando completamente a existência de não-torcedores.

E a sina sempre se repete durante toda época de copa: quem não curte futebol se sente abandonado, solitário, desprezado por uma sociedade que trata uma forma de lazer como a sua maior razão de ser , colocando acima até mesmo de seus próprios interesses. Regras sociais e a mídia ainda completam o fanatismo com suas propagandas proselitistas, muitas vezes disfarçadas de notícias e de regras de etiqueta. Como um não torcedor conseguirá convencer um torcedor a largar seu viciante hobby para lhe dar atenção?

Muito provavelmente esse desprezo recebido tem transformado o que deveria ser um pacífico desprezo em um desconforto odioso, já que humanos são seres sociais e os não-torcedores também queiram se sentir amados, queridos. Mas em épocas de copa, como a que entramos, tem que se conformar em ficarem em segundo, terceiro, último plano, porque justamente boa parte dos brasileiros prefere se dedicar completamente a uma ilusão que não traz benefícios a ninguém, mas serve de uma zona de conforto que compensa a triste realidade que os mesmos torcedores se recusam a mudar. Para o mal de quem gosta e de quem não gosta de futebol.

Resta aos torcedores, mais interessados em permanecer no undo real, tentarem se iludir com outras coisas. Pois não há nada mais solitário do que ver quase toda a população de um grande país mergulhado numa ilusão, uma realidade que incomoda aqueles que preferem não ser mais iludidos.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O desprezo à música lenta e a falta de romantismo

Sou de um tempo em que dançar coladinho uma música lenta era sinônimo de romantismo. Era gostoso em uma festa, convidar a garota desejada para uma dancinha colada ao som de uma música suave e emotiva. O clima favorecia o surgimento de um embrião de afeto que muitas vezes se transformaria, ao fim da festa, no início de um relacionamento.

Hoje não é mais. As músicas lentas são consideradas chatas para uma juventude acostumada com rapidez e com relacionamentos sem sensibilidade. Eles pedem na música a mesma rapidez que encaram na tecnologia e no seu cotidiano.

Noto que as músicas lentas entraram em outro contexto atualmente. Nos shows ao vivo, ao invés de dançar colados, os jovens levantam os braços e balançam como se estivessem acompanhando o vento. Nas festas, as músicas lentas servem com intervalo para descanso ou uma simples pausa para o lanche.

O desprezo é tanto que as músicas lentas até perderam o rótulo que as definia: balada. Hoje, balada é sinônimo de festa, agito, gandaia. Ninguém mais usa a palavra para se referir a músicas lentas, que até agora segue sem ter um novo rótulo próprio.

Outra coisa a notar é que o ato de dançar colado transferiu para ritmos mais rápidos, como a lambada, o forró e outras danças consideradas "sensuais". O que, cá pra nós, soa muito mais erotizante (mesmo "soft") e nada romântico. Desejo sexual substituindo o afeto, como os instintos primitivos (retomados nos dias de hoje) ordenam. É um sinal de adaptação aos tempos de insensibilidade e falta de romantismo.

Realmente os tempos estão mudando. Só não sei dizer se é ou não para melhor. Certamente que não.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Ninguém se casa por amor

Esta frase soa bastante agressiva ainda mais no dia e hoje, onde se supostamente se comemora o Dia dos Namorados, considerado o "dia do amor". Mas a realidade,os fatos mostram justamente o contrário. De que não é o amor que impulsiona homens e mulheres a contraírem um matrimônio.

Na verdade, o que faz as pessoas se casarem são muitos motivos: confiança, interesse, afinidade de objetivos, etc. Mas o motivo realmente predominante é social, feito para satisfazer as exigências da sociedade. O casamento é uma espécie de "atestado de adulto" para a sociedade, além de servir para mostrar que os envolvidos são valorizados um pelo outro.

Uma coisa a observar é que enquanto a maioria dos homens pensa no prestígio social ao tentar conquistar uma mulher, as mulheres pensam na segurança física e financeira na hora de escolher um homem. Mesmo que atributos ligados ao afeto estejam ausentes, se satisfazer esses critério citados, o cônjuge em potencial é automaticamente aceito, mesmo que a relação se torne a mais insensível possível.

Mesmo que os envolvidos realmente se amem, não é bem o amor que faz as pessoas decidirem pelo matrimônio. Até os critérios de escolha do parceiro sinalizam isso. Se os casamentos fossem realmente por amor, os critérios de escolha do parceiro seriam totalmente diferentes.

As pessoas ainda não sabem exatamente o que é amor, preferindo usar o belo nome para classificar outras sensações que levam um casal a se formar: confiança, afinidade, segurança, simpatia, atração e desejo sexual.  E mais bonito usar a palavra "amor" do que o nome de qualquer uma das sensações. Até ajuda a angariar a desejada simpatia social das outras pessoas, favorecendo a aquisição dos benefícios típicos da vida adulta.

Mas para a sociedade, é bonito imaginar que todos se casam por amor. Sobretudo a sociedade brasileira que só consegue ser feliz através de ilusões, tendo que imaginar que as coisas são melhores do que a realidade mostra. Para muitos é muito romântico viver iludido. Até que a realidade bata nas suas portas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Melhor ser feliz sozinho que infeliz acompanhado

A sociedade inventou que só se pode ser feliz acompanhado. Tá, claro que por ser um ser social, o ser humano tem a necessidade de companhia e vive melhor com isso. Mas nem sempre podemos encontrar uma companhia que realmente possa nos ajudar na evolução pessoal.

Aliás, é raro, bem raro no mundo de hoje, principalmente numa sociedade falida como a brasileira, achar alguém disposto a crescer intelectualmente e moralmente junto conosco. "Aproveitar a vida", eufemismo para cair na farra, ou seja, aproveitar inutilmente a vida com tolices que não acrescentam nada e em alguns casos podem gerar danos, virou a meta de quase todas as pessoas. Ser feliz virou sinônimo de se entregar aos excessos da irresponsabilidade.

Como querer viver acompanhado com alguém que só quer emoções baratas? Como esperar afeto de alguém insensível e incompreensível? Como conversar com alguém que só está interessado nos assuntos da moda? Como se divertir com alguém que só se interessa por naquelas inúteis tradições sociais que só servem para agradar aos outros?

Não faço planos para a minha vida afetiva. Melhor nem fazer. A vida matrimonial se tornou uma utopia. E não pensem que é pessimismo, não. É um fato. Para que uma mulher possa ser digna de ser uma companheira para mim, teria que abrir mão de muitos valores que a sociedade acredita durante décadas e que para esta mesma sociedade é a sua razão de ser. 

Como não posso poribir ninguém de largar sua viciante tradição, melhor me entregar à solidão, essa grande amiga que nunca exigiu o que eu não pudessa dar, nunca me traiu e ainda me dá a oportunidade de refletir sobre a vida e curtir os verdadeiros e simples prazes na vida. Até porque o verdadeiro prazer está nas coisas mais simples. Não na ilusória bebedeira de todo o final de semana.

Dizem os sábios que é melhor estar sozinho do que mal acompanhaso. É verdade. A solidão pode até incomodar as vezes. Mas repararam que ela não gera muitos danos?

Claro que eu gostaria de encontrar a minha companheira. Mas numa sociedade com a brasilaira, isso é uma ilusão. As mulheres, no Brasil, são muito submissas a opinião alheia, escravas da mídia e devotas das regras sociais. Para elas a opinião de uma multidão é muito mais importante que a do companheiro que ela diz amar. Isso é verdade e pode ser provado.

Vou continuando na minha vida solitária, feliz, tendo o controle absoluto da minha realidade, sem a interferência de uma Maria-vai-com-as-outras para dizer o que deve ser feito.

sábado, 3 de maio de 2014

A internet não oferece subsídios para entender os costumes sociais do Brasil

Fui tentar fazer uma pesquisa social por objetivos particulares sobre os costumes sociais do povo brasileiro, em suas várias regiões. Vocês acreditam que não encontrei sequer um material que pudesse ser útil na minha pesquisa? No máximo,  sites de turismo que usam o termos "costumes socais" e "costumes regionais". Quanto ao que se refere aos costumes cotidianos não encontrei perrecas.

Tudo o que se sabe dos costumes sociais no Brasil é com base em mitos e lendas. Estereótipos que são largamente difundidos mas que em muitos casos, não correspondem ao que de fato é praticado no cotidiano. Quem mora em determinado lugar sabe muito bem que a mitologia em torno dele é muitas vezes falsa.

Por exemplo, os baianos são famosos pela sua suposta preguiça. Isso é mentira, pois em meus 18 anos de convivência na capital baiana, pude comprovar justamente o contrário. E mais: não somente o baiano gosta de trabalhar como é extremamente criativo e não se prende a padrões, sendo inclusive mais tolerante com pessoas consideradas "estranhas". Essa criatividade e a liberação de padrões se deve muito à vocação pela diversidade que é bem característica do povo baiano.

Se ficarmos limitados aos estereótipos que a mitologia turística difunde sobre os povos brasileiros, vamos cometer mutos equívocos. Paulista não é sisudo, carioca não é trapaceiro, mineiro não é misterioso e paranaense não é sofisticado. Tudo mito. 

E não apenas nas qualidades, mas também nos defeitos. Quem iria acreditar que o carioca é um povo teimoso e intolerante, que não aceita quem pense diferente? Ninguém fala sobre isso, mas é o que eu tenho notado. Discutir com um carioca é perda de tempo, pois cariocas nunca cedem, mesmo quando estão errados. Influência do fato do Rio de Janeiro ser mundialmente conhecido como a capital "cultural" do país, fazendo seus habitantes parecerem "mais sábios" do que os outros brasileiros.

A escassez de material para pesquisas tem sido constante na internet brasileira. Brasileiros (e isso não é mito, é fato) só usam a internet para conversar em redes sociais. Por priorizar a vida social mais do que tudo, o brasileiro além de ter o habito de coletivizar pontos de vista (todo mundo pensando igual, gostando das mesmas coisas, etc. - uma afronta a nossa típica diversidade), adora festas e qualquer atividade que lhe faça aumentar ou manter as amizades. Tudo que esteja longe disso foge do interesse dos brasileiros e corremos o risco de ter uma internet capenga que em nada serve como fonte para qualquer tipo de pesquisa.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Novidade não é qualidade

"O novo sempre vem", é um ditado muito frequente na boca de quem defende qualquer novidade como sinal de avanço. Para elas, tudo que é novo sempre é melhor que o anterior, independente de suas características ou das consequências de sua existência. "Se é novo, é melhor", é o que acreditam.

Esse é um pensamento muito arraigado entre os brasileiros e não por acaso faz parte da ideologia positivista de Auguste Comte, o autor do lema "Ordem e progresso", que ilustra a nossa bandeira.

Mas não é um conceito correto, tanto é que a ideologia de Comte é frequentemente criticada. A lógica não impede que algo ruim surja depois de algo bom. A cultura provou que o retrocesso qualitativo é possível, já que nenhuma das décadas posteriores conseguiu se igualar à década de 60, a melhor década cultural de toda a história da humanidade.

O século XXI, que em previsões futurísticas mais antigas prometia ser bem avançada, gera atualmente uma imensurável decepção, já que o mercenarismo faz com que quase tudo piore drasticamente para favorecer lucros financeiros que sejam ao mesmo tempo fáceis e garantidos. 

Quase tudo, da política ao entretenimento, passando pelo sistema de transporte e até das relações humanas do cotidiano, tem se notado uma queda de qualidade assustadora. Até a mentalidade das pessoas tem se atrofiado, com indivíduos cada vez mais crédulos (a retomada da força religiosa é uma prova disso) e menos racionais, consagrando conceitos equivocados sobre qualquer coisa e fazendo da mídia televisiva a grande tutora da humanidade, sobretudo no Brasil, terreno propício para qualquer forma de dominação. A submissão da população brasileira à mídia é algo inacreditavelmente grande e imbatível.

E esses equívocos fazem com que qualquer novidade seja vista como "avanço", mesmo sendo, na prática um retrocesso. Claro, a população brasileira não verifica, para tentar confirmar ou negar se algo é realmente benéfico ou nocivo. Acostumada a credulidade aprendida com as religiões, acredita em tudo que chega as suas mãos, enxergando apenas benefícios em qualquer novidade que esteja a sua frente.

É preciso aprender que infelizmente vivemos numa espécie de "Idade Média" brasileira, uma época de trevas onde as tradições sociais e a mídia regem os costumes e o modo de pensar dos indivíduos que, embora nunca assumam, perdem a sua personalidade e elegem qualquer novidade como salvadora dos problemas que insistem em nunca terminar. E a crença nestas novidade acaba por piorar ainda mais os problemas estabelecidos, muitas vezes acrescentando novos problemas para se acumular junto a estes.

Temos que parar com essa ideia de que "é assim porque a modernidade exige". Nada é moderno hoje. A modernidade acabou em 1969. O que temos é uma pós modernidade nociva e equivocada. Quiseram mudar o que já estava bom, com a desculpa esfarrapada de "melhorar" que aconteceu o contrário.

Com a consagração de erros, fica difícil qualquer conserto. Mas admitir que nem tudo aquilo que tem o rótulo de "novidade" e nem qualquer uma das "tradições" é benéfico, já é um avanço. Pois devemos lembrar que épocas não são atestados de qualidade para nada. Velho ou novo, algo é apenas velho ou novo, sem a obrigação de ser bom ou ruim.

Se as pessoas usassem mais o raciocínio e verificassem as coisas, talvez pudéssemos ter alguma esperança de evolução social. Pois se continuarmos com essa fé cega em tudo que a mídia e as tradições sociais nos dizem, vamos ficar presos no mundo de hoje, com todos os defeitos, problemas e injustiças que temos direito e não haverá novidade nenhuma que nos salve das mazelas geradas pelo erro grave de negarmos a nossa capacidade de raciocinar.