quarta-feira, 23 de abril de 2014

O entretenimento quer tomar o lugar da arte

Para a grande maioria das pessoas, a arte é o que está aí, essa arte comercial, desvinculada da intelectualidade e da estética, levemente erotizada e exclusivamente lúdica. É o que eu ouço nos comentários de defesa de várias tendências, quando mandam.

Para a grande massa, o que elas conhecem é o que representa a cultura superior, a arte, pois é o que chega até alas. Nos países capitalistas, sobretudo os subdesenvolvidos, o lazer é alienado, preguiçoso. Ao invés de procurarem por algo diferente, as massas se conformam com o que aparece na mídia. Está fácil. É só apertar um botão. Não necessita de esforço nenhum. Esforço exigido pela pesquisa de coisas bem diferentes que as tendências midiáticas.

E isso acaba acomodando o público em geral, que passa a achar que é essa a verdadeira arte. É mais conveniente, já que pode-se posar de inteligente sem passar por esforço intelectual.

Cultura de massa: isso sim é o que está aí

Na verdade, de uns tempos pra cá, a mídia tem se dedicado quase exclusivamente ao entretenimento. É o que chamamos de mass culturecultura de massa. A cultura de massa é como classificamos todo produto da indústria cultural, esta formada por gravadoras, produtoras, empresas de comunicação, etc.. Ela existe para transformar a "cultura" em bem de consumo. Trocando em miúdos, cultura de massa é o que aparece na mídia, nos meios de comunicação mais populares. Para isso, se molda o produto (e molda-se o público-alvo também) para que a sua vendagem possa ser garantida.

Isso acontece na música, no cinema, na literatura, enfim, em todos os setores "culturais". É a cultura submetida ao lucro financeiro. A cultura de massa trabalha exclusivamente com a diversão, sem compromisso com a intelectualidade e com a estética, apenas estimulando os instintos humanos. E ganha-se muito dinheiro com isso.

Ah, mas aí vão dizer: todo artista "gosta de ganhar dinheiro". Gostar gosta, mas subordinar a sua obra a puros interesses mercantis, só os integrantes da indústria cultural. O problema não é o fato deles ganharem dinheiro com suas obras. O problema é que eles moldam o seu produto em prol do dinheiro. O dinheiro é a "inspiração poética" da indústria cultural, o que tira a espontaneidade típica da verdadeira arte. O verdadeiro artista, mesmo que ganhe dinheiro com sua obra, não tem o retorno financeiro como fonte de inspiração.

Visando o lucro fácil e também a alienação da população, a indústria cultural retira dos meios de comunicação quase toda forma de cultura autêntica (hoje rotulada pejorativamente como "erudito", "coisa de intelectual") ao acesso da população, liberando somente algumas como referência e até para tentar autenticar os produtos como artistas. Aí surge a confusão que faz com que a maioria da população considere os produtos como a verdadeira arte, pensando que o caráter mercantil dos mesmos é uma "modernização" da arte.

Entretenimento não é sinônimo de coisa ruim

Não estou aqui querendo dizer que os produtos da indústria cultural sejam ruins. Muitos são até bons,  se limitarmos ao universo da pura diversão. O que costumo reclamar é que o público em geral trata os produtos como se eles fossem algo superior, quase cerebral (sem ser cerebral), como se as mensagens inócuas que os produtos passam fossem importantes para a humanidade. Como se o trabalho deles, criado apenas para divertir, servisse para educar as pessoas e mudar o mundo.

Os produtos foram criados exclusivamente para o entretenimento, como o nome diz, só para divertir, distrair. Quem quer cultura superior, deve estudar muito, ter senso crítico e o senso estético bem desenvolvidos e não se submeter ao que a mídia diz. Deve analisar antes de aprovar (preconceitos, eu? O povão aceita seus ídolos sem questionar, e isso também é preconceito - vejam o dicionário) e verificar se o que ele representa é importante para aquisição de conhecimento. porque se não houver aquisição de conhecimento, não é cultura, não é arte, é diversão apenas.

Temos que parar de confundir diversão com arte e cultura. E reconhecer que nesse mar de diversão, quase não dá para extrair algo de cerebral e belo dele. Quem quer algo acima de mera diversão, deve procurar - e muito - fora da grande mídia. E não se iludam. Como o mercado da indústria cultural é excludente. nem tudo que está fora da mídia é "arte". Muitos produtos se formam de maneira "espontânea", mas inspirados pelos produtos da indústria cultural, herdando para si as características de cultura de massa, como acontece com os nomes menos conhecidos do popularesco (que são evidentemente cultura de massa).

Considerar algo como entretenimento não significa considerá-lo ruim. Isso nada tema ver com qualidade e sim com a função para o qual ele foi criado. Espero ter sido claro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.