domingo, 20 de abril de 2014

O comodismo social e a tolerância

Vivemos na era da mediocridade. Interesses mesquinhos de poderosos, somado a um sistema educacional equivocado e a queda de muitos valores, sobretudo intelectuais, tem favorecido para que a nossa sociedade se tornasse cada vez mais crédula e cada vez menos exigente.

Pensar se tornou supérfluo e nesta confusão de valores em que se transformou a sociedade, aprendemos muito mais a aceitar os erros (como se não fossem erros - como se fizessem parte do nosso cotidiano) do que corrigi-los. Consertar erros exige um esforço que a maioria das pessoas não está disposta a ter. Então convencionou-se a aceitar os erros e transformá-los em "diversidade".

Noto que estamos cada vez piores como seres humanos. Menos racionais, menos sensíveis, nos comportamos como autênticos espantalhos sem coração e sem cérebro. Desaprendemos a raciocinar e a amar. Muitas vezes invertemos a situação quando deve ser racional ou emotivo. As pessoas escolhem seus cônjuges de forma racional (visando interesses financeiros ou não) e aceitam fatos de maneira emocional, só porque confiam no prestígio de quem os relatou. Inversão de atitudes.

Inversão de atitudes e inversão de valores também. Graças a mediocrização, adquirimos nojo da perfeição. Achamos legal ter algumas atitudes irresponsáveis, como se embriagar. Desprezamos intelectuais porque nos parecem "perfeitos demais", preferindo seguir as orientações da mais analfabeta celebridade. E a defendemos de maneira irritante quando alguém um pouquinho mais inteligente do que nós critica uma ideia irrelevante tida como "sabedoria".

Mas sempre ouço que é preciso respeitar os outros. Já que erros viraram "diversidades" e que por isso devem ser mantidos e respeitados como "certos", creio na verdade estarmos criando uma espécie de adiamento da evolução da humanidade. Para muitos os objetos é que devem se evoluir, seguindo as perspectivas do desenvolvimento tecnológico. 

Já os humanos, para a grande maioria, já estamos evoluídos. O fato de sabermos encarar as novidades tecnológicas nos dá a ilusão de perfeição, de que somos seres "prontos". Por isso mesmo recusamos, com insistente teimosias, em corrigir nossos defeitos. Defeitos que a nossa ignorância define como qualidades "um pouquinho diferentes".

Claro que não devemos ter raiva dessa gente que insiste em se manter no erro. Cerca de 99% dos brasileiros tem graves erros para corrigir (e não estou falando de moral - o intelecto até mesmo de muitos pós graduados deixa muito a desejar). Mas o que os 1% dos que pensam um pouco melhor (ninguém é perfeito - mas existem os que estão dispostos a evoluir, sem a falácia de se acreditarem "prontos") devem fazer diante da maciça teimosia da grande maioria que não quer mudar?

Pense que estamos vivendo na infância da humanidade. Claro que você não vai chegar a um integrante dessa imensa maioria e dizer isso. Quem se acredita "pronto"  se julga maduro e perfeito. Vai entender como ofensa qualquer tipo de comentário que revele suas nãos assumidas imaturidade e ignorância. 

Pense para você mesmo, sem dizer a ninguém. Aceitando a imaturidade coletiva, serpa um pouco mais fácil de tolerar, já que os que se acreditam "prontos", na verdade estão esperando que algum fato possa mostrar que eles ainda tem muito ao que aprender. Uma coisa que certamente acontecerá a longo prazo, já que o tempo exige mudanças para se evoluir.

Essa grande maioria age como crianças que em suas brincadeiras, acreditam serem heróis, mestres, feiticeiros, etc.. Acreditam que tudo o que conhecem é tudo que existe. O mundo além disso lhes parece distante aos olhos. Essa miopia intelectual ainda não está em condições de serem curadas, fazendo com que tudo permaneça como está.

Mas não pense que tolerar e se conformar são a mesma coisa. Continuamos a não aceitar os erros. Simplesmente  o que devemos fazer é não usar esse erros para desenvolver a intolerância e o desrespeito. Quando ouvimos uma bobagem dita por uma criança, não entramos na brincadeira para demonstrar simpatia? Com os adultos mais crédulos é a mesma coisa.

Só que da mesma forma que sabemos que a criança está equivocada e que quando crescer ela defenderá ideias melhores, também devemos ter a paciência de imaginar que todas as pessoas serão altamente intelectualizadas um dia, mesmo que demore milênios para isso.

Outra coisa. Se pudermos encontrar entre esses 99%, pessoas mais humildes, capazes de agregar conhecimento novo aos seus valores, poderemos tentar, de modo gentil, a estimulá-la a corrigir seus erros e se tornar uma pessoa mais racional e mais sensível. Mesmo que isso seja difícil hoje em dia, devemos sempre estar preparados para que exista alguém disposto a nos ouvir.

Um dia melhoraremos. Por enquanto teremos que engolir alguns absurdos. A humanidade brasileira ainda se encontra muito bem confortável em sua doca infância. Tolerar é uma atitude a se tomada, embora nunca devemos concordar com erros. Mas nunca devemos usar esses erros para criar um clima ruim que só piorará as coisas, adiando ainda mais a já bem adiada evolução da humanidade.

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