quinta-feira, 25 de julho de 2013

O proselitismo religioso durante a visita do Papa

Existe uma grande diferença entre divulgar a vinda e a estadia de um chefe religioso e a propaganda enrustida à religiosidade, como imposição a crença difundida através dessas reportagens. Jornalismo deve ser imparcial e ser laico também faz parte da imparcialidade. 
Como todas as religiões são fundadas em fatos de credibilidade duvidosa, embora difundidas como "verdades absolutas", o direito de ter uma fé diferente ou até de não ter fé deveria ser respeitado, o que não aconteceu com as reportagens sobre a visita do Papa Francisco, que soaram mais como propaganda de adesão ao Catolicismo.

Nada contra católicos, evangélicos ou qualquer fiel religioso. Tenho muitos amigos religiosos. A religiosidade é culturalmente salutar mas é nociva quando se envolve com política ou com a qualidade de vida da população. Por isso mesmo, discussões religiosas deveriam ficar limitadas aos seus templos, igrejas ou centros. Não dá para impor para o mundo real, crenças sem a probabilidade racional e científica.
Era melhor que um telejornal se limitasse a fazer reportagens, mesmo que sejam muitas e longas, sobre a chegada do Papa. Mas o que se viu não foi jornalismo e sim proselitismo religioso. Ficou um quê de "vamos todos nos tornar católicos". A mesma coisa já feita por emissoras evangélicas ou por programas alugados pelas mesmas.

O laicismo, considerado pelos religiosos como algo nocivo, é o que deveria ser levado em conta em nosso cotidiano. Deixemos as religiões limitadas ao seu contexto. Deus não inventou as religiões. Estas, foram criadas por seres humanos como forma de homenagear Deus, inspirados nos antigos cultos de povos primitivos. Não sou eu que  digo isto, são os fatos históricos.

A mídia, cuja função deveria ser informar, não perde a oportunidade de se comportar como um regulador social, impondo costumes, ideias e crenças. Essa capacidade de se impor ideologicamente é algo que vai contra a funções original da mídia e tem estragado a sociedade durante muitas décadas, favorecendo todas as injustiças que estamos cansados de conhecer.

Respeitar a crença alheia e até a não crença é um dever que não está sendo posta em prática por uma mídia cada vez mais avançada tecnologicamente e mais retrógrada ideologicamente, que insiste em negar mais uma vez a sua missão de informar, preferindo o velho proselitismo, seja no futebol, na política, na cultura e nas religiões.

Se é para falar sobre a chegada do papa, até aí eu concordo plenamente. Mas usar a visita do chefe dos católicos para fazer propaganda do Catolicismo, é demais. A maneira como as reportagens são mostradas é algo tipicamente publicitário, em prol dos católicos (crença pessoal da família Marinho, cuja religiosidade não os impediu de sonegar impostos). Assim deixou de ser jornalismo para ser culto religioso, dos mais manipuladores. Colocaram a Santa Missa em seu lar no lugar do Jornal Nacional. E que assim não seja.

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