quinta-feira, 7 de março de 2013

Ninguém é santo: os defeitos são mantidos após a morte

Um cacoete que os brasileiros nunca se livram e passam de geração a geração é o de "canonizar" mortos, aumentando as suas qualidades e tratando-os como benfeitores, embora sejam meras celebridades. Divertir os outros não deveria ser considerado caridade, porque tratar como benfeitos aquele que só diverte os outros?

Ontem teve a notícia do falecimento de Alexandre Chorão, líder da banda Charlie Brown Júnior, que eu sempre considerei uma das piores bandas do Brasil. Ele tinha 43, um ano a mais que eu.

Não é preciso dizer que choveram mensagens piegas e até histéricas sobre a morte do cantor, transformado de "santo" para cima (deus?). Eu nem entrei no Facebook com medo de ser bombardeado por homéricas bobagens a respeito.

E alguém que morre vira "santo"? Se nem os santos católicos são realmente santos de caráter, imagine os pagãos? Se esquecem que o nosso planeta é atrasadíssimo em evolução moral e intelectual e que ninguém é 100% bondoso. Nem mesmo eu. A ganância materialista, junto ao orgulho que nos faz pensar que somos melhores que os outros, que quase todos temos nos faz vilões em algumas situações.

A banda Charlie Brown Júnior (cujo nome nada tem a ver com o desenho do Snoopy e sim com o nome de um bar frequentado por Chorão), nunca foi uma grande banda. Seu roquinho era bem fraco, na linha dos Mamonas Assassinas (só que sem humor) e suas letras, do tipo "eu sou assim e me respeite como tal", confundiam narcisismo com conscientização, teimosia com fidelidade ideológica, estimulando a egolatria de muitos jovens. Então como considerar um benfeitor um cara que era inclusive mal exemplo para a juventude?

Será que ao morrer, Chorão, um narcisista arrogante (as fotos do Google mostram o cantor em várias poses típicas de um arrogante) que simbolizava o playboyzinho estereotipado, se livrará de seus defeitos? Nada disso. Ele levará, continuará sendo o mesmo Chorão de sempre, e encontrará na próxima vida uma nova oportunidade de se livrar de seus defeitos, através de situações desafiadoras. É assim que a natureza corrige as nossas tão falíveis almas.

E a sua música permanecerá para sempre? Certamente que não, embora os histéricos repitam incessantemente o bordão "sua obra ficará para sempre". O que fica para sempre é o que tem consistência e que possa ser útil para a humanidade no futuro. E cá pra nós, letrinhas narcisistas são algo que deveria ter sumido do planeta há séculos, não acham?

Até a conclusão desta postagem, não foi divulgada a causa da morte. Acredita-se em overdose de drogas, o que é coerente com a postura do astro. De qualquer forma, a humanidade brasileira mostra que ainda não se evoluiu, não aprendeu com a experiência de muitas mortes de ídolos fajutos, tratados feito gênios só porque morreram. Será que isso é puxa-saquismo para evitar que os ídolos os assombrem? Bu!

Os brasileiros deveriam se amadurecer e para com essa mania de canonizar celebridades mortas. Não existe ninguém perfeito, além do que ser celebridade não é sinônimo de benfeitor. Celebridades são como meros palhaços, servindo só para fazer os outros se divertirem. O máximo que pode acontecer com a morte de um ídolo é o fechamento do picadeiro, com o apagar de suas luzes. As mortes de vários palhaços nunca serviram para mudar o mundo. E nem servirão.

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