quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um retorno à Idade Média

ESPREMENDO A LARANJA: os tempos atuais, do contrário que se pensava, não estão representando uma era de avanço e sim de um surpreendente retrocesso intelectual, fortalecido pela mídia, pelas religiões, pelas regras sociais e pela já tradicional aversão a tudo que é intelectual, estimulado pelos meios aqui citados.

Essa aversão à intelectualidade tem feito muitos erros se consagrarem, impedindo a evolução da humanidade - agravada pela glamourização da pobreza, que pode ser traduzida como estímulo a estagnação intelectual, já que as classes mais pobres, por desestimulo educacional, ainda demonstram ter o intelecto, senão ausente, mas evidentemente atrofiado - e mantendo problemas, injustiças e muito preconceito, fazendo com que o bem estar chegue apenas a alguns e que todos tenham medo de questionar e preguiça em raciocinar.

Um cenário como este é perfeito para que a credulidade e o desespero se desenvolvam e resultem nisso tudo que foi visto em 21 de dezembro passado.

Povo sem discernimento é povo manobrável. Este fato garante o poder dos mais favorecidos. Por isso há o cuidado de nunca melhorar de fato o sistema educacional, além de haver a dedicada transformação da mídia em não só uma difusora, mas principalmente, uma reguladora absoluta das regras e costumes sociais.

Igualzinho como era na Idade Média, descontando os avanços tecnológicos.

Um retorno à Idade Média

Ulisses Capozzoli - Scientific American Brasil - Publicado no blog do GEAC

Terminar 2012 sob boataria, prevendo o fim do mundo em 21 de dezembro, certamente merece alguma reflexão.

Na segunda década do século 21, quando a Voyager-2 se encontra a mais de 18 bilhões de km da Terra, uma navegação que convive com temores típicos do passado pré-científico evoca um paradoxo perturbador.

Navegamos rumo a outras estrelas, ao mesmo tempo em que retrocedemos no tempo e vivenciamos temores típicos da Idade Média.

O que levou multidões nas mais diferentes regiões do mundo a dar crédito a uma fabulação sem qualquer sentido racional e temer, uma vez mais, o fim da humanidade?

Várias questões podem ser levadas em conta para uma resposta possível e, em conjunto, é possível que elas forneçam uma idéia satisfatória.

Vivemos uma crise de valores em que, de maneira geral, o que era não é mais e o que deve ser ainda não é.

A sucessão e o ritmo de mudanças a que estamos submetidos dificulta a percepção de uma idéia de processo e o resultado disso é um movimento desencontrado, profundamente desestabilizador do ponto de vista da estabilidade emocional.

Em pleno século 21 é possível que, com a idéia de fim do mundo, tenhamos de volta conceitos típicos de uma época pré-científica, da ciência mágica que antecedeu a ciência moderna.

É como se tudo pudesse ser processado de um único golpe e assim fosse possível retornar àquilo que os mitólogos conhecem como a “idade dourada”, uma época em que, supostamente, habitássemos o paraíso.

É possível que estejamos vivendo um retrocesso orquestrado por certo fundamentalismo de fundo religioso, refratário a princípios de racionalidade que formam a base do pensamento científico e de uma realidade pretensasmente contemporânea.

Como o mundo não acabou, que justificativa fornecerão aos incautos que lhes deram crédito uma diversidade de gurus, embusteiros, oportunistas e desajustados psíquicos de várias ordens?

Seguramente dirão que rituais, entre outras práticas desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, tidas como “seguras para enfrentar o fim do mundo”, foram responsáveis pela manutenção da naturalidade das coisas, ou seja, impediram que o mundo viesse abaixo como anunciado.

E assim continuarão explorando um filão rentável que extrai do desconhecimento mínimo de princípios naturais, lucros e outras vantagens indevidas.

Talvez não faça sentido atribuir a uma indústria de entretenimento gananciosa e desprovida de elementares sentidos de ética a responsabilidade por este momentâneo (?) retorno ao obscurantismo.

Mas não se pode dizer que essa versão inescrupulosa da indústria de lazer não tenha dado sua contribuição significativa para que as coisas tenham chegado a esse nível de retrocesso.

Ainda na quinta-feira à noite, pelo menos dois canais de uma rede de TV por assinatura alimentavam um clima de dúvida e insegurança numa programação com a participação de “autores” e “pesquisadores” , gente destituída de qualquer base lógica, para não falar em equívocos elementares, erros grotescos e citações e comparações despudoradamente indevidas.

O mundo de fato não acabou. Mas talvez não esteja muito longe disso.

As trevas do obscurantismo, oportunismos e retrogradação há muito tempo não demonstravam o quanto estão manipulando a história das mentalidades.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É desta forma que iremos nos evoluir?

Ontem cheguei em casa após fazer uma excelente prova de concurso e recebi esta notícia através de meu irmão que estava vendo pela internet. Uma tragédia ocorrida em uma cidade interiorana do Rio Grande do Sul teve uma imensa quantidade de vítimas mortas.

Não vou ficar como os outros blogues na pieguice de chorar pela morte das vítimas. Todos se esquecem que a morte é a única certeza na vida e as religiões, incompetentes e alucinadas como há séculos, ao invés de educar a sociedade prefere embutir o medo em seus corações, no que resulta nessa pieguice desesperada que vemos neste episódio e que é estimulada pela mídia.

Vão me chamar de insensível, de "mau caráter", mas nestas horas, o equilíbrio emocional é indispensável. Claro que fiquei perplexo com o desastre. Não há como não ficar triste com isso. Mas o que quero dizer é que não é a pieguice desesperada que vai trazer as pessoas de volta. Elas continuam a sua caminhada no outro lado da vida, em outra dimensão. É cruel, mas é real dizer: as vítimas tiveram que passar por isso. Fazia parte do aprendizado de seus espíritos, verdadeiros seres dentro dos corpos finados, meras "roupas".

A tragédia aconteceu por irresponsabilidade. Show pirotécnico? É necessário? Não era um show musical? porque hoje a música tem que ser cada vez mais visual? Poderia ter dispensado muito bem o show pirotécnico. Mas como hoje a música está cada vez pior, os efeitos visuais surgem para compensar isso.

Tá, e a boate? Pelo que se diz, parece que não tinha estrutura para o evento ocorrido. Será que não tinham percebido isso? Porque os seguranças impediram as pessoas de sair, mesmo com o perigo evidente? Será que estes seguranças são um bando de tapados que não conseguiam entender o que estava acontecendo, tendo que esperar por uma ordem para agir numa situação como essa? Sobram perguntas e faltam respostas.

A sociedade não sabe o que é alegria. Cotidianamente incomodada com o excesso de trabalho (a carga de trabalho de 44 horas semanais é muito alta), mas com medo de reagir contra isso (até porque confunde tempo livre com "preguiça"), a sociedade brasileira procura se divertir de forma cada vez mais alienada, colocando uma falsa alegria gerada por bebidas e foguetórios (integrantes dessa tradicional obsessão compulsiva do brasileiro por festas e eventos sociais) no lugar da alegria que não conseguem desenvolver em seus corações. Aí dá nisso e a sociedade chocada fica sem entender aquilo que na verdade é culpa dela mesma.

Vivemos numa sociedade de excessos. Ou é a loucura do álcool e das drogas ou é o moralismo irresponsável das religiões, sempre baseadas na ficção e no medo. Ainda não encontramos o equilíbrio entre os prazeres da vida e a responsabilidade. E damos sinais de que não iremos encontrar tão cedo.

Seria bom que muitas lições pudessem ser aprendidas neste triste episódio. Muita gente acaba servindo de mártir, morrendo para que a sua morte sirva de lição para os que ficam. O brasileiro só aprende apanhando e essa "surra", embora dolorida, tem muito mais eficácia do que as palmadinhas imbecis que os pais dão em seus indefesos filhos para desabafar dos problemas que se recusam a resolver, seja pro preguiça ou por medo. Preguiça e medo bastante estimulados pela mídia e pelas regras sociais de que não conseguimos nos libertar.

E sendo medrosos e preguiçosos como insistimos em ser, é que nos consideramos prontos para "liderar o mundo" neste novo milênio? Ora, amadureçam, brasileiros, amadureçam!